A Morte do Demônio

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A refilmagem de "A Morte do Demônio" se propõe a ser um dos filmes mais assustadores dos últimos tempos. Pretensões ou marketing a parte o longa dirigido pelo estreiante Fede Alvarez não cumpre com o que promete, ainda que tecnicamente impecável permanece num limbo não sendo nem um remake (já que corta característica bem específicas do original) e tão pouco alcança algo novo.

Salvo algumas adaptações de tempo e época, o roteiro é o mesmo estruturalmente falando. Cinco jovens vão para uma cabana isolada no meio de uma densa floresta, sem saber que um mal maior os aguarda por lá. Trata-se na verdade do Necromicon, o livro dos mortos que ao ser lido por um dos desavisados do grupo liberta uma entidade maligna que se apossa de cada um deles. A história se passa praticamente toda dentro ou aos arredores da cabana, porém, o ritmo frenético com que o longa é dirigido não deixa a tensão cair em nenhum momento. O elenco mesmo não tendo nenhum nome de destaque está ok, em nada afeta a produção, pelo contrário, em entrevista o diretor descreve o profissionalismo de alguns atores em cenas de segundos de duração mas que leram horas para serem filmadas.

Contudo, se o original "Uma Noite Alucinante - A Morte do Demômio" de 1981, devido a sua originalidade no uso de câmeras em movimento, maquiagem e efeitos exagerados de trash movies e um humor que beira o bizarro trouxe novas referências para o gênero. O mesmo não pode ser dito da do longa de Fede Alvarez, pois o que temos dessa vez é uma produção com cenas chocantes e muito bem feitas, vômitos, mutilações "voluntárias" ou não, e ótima maquiagem e efeitos especiais. Contudo, ainda fica a sensação de estar faltando algo. Não que o humor macabro do original seja imprescindível para dar qualidade ao longa, mas muito do que foi feito; violência, sangue, gosmas, gritos e sustos parecem descabido de propósito maior. Sobretudo, para um longa que se propôs a ser "o mais assustador" mas nos mostra apenas sequências que abusam da violência e do nojo, fatores que podem sim impressionar mas estão longe de serem assustadores ou interessantes, parecem apenas o exagero de quem não sabe muito bem o que está fazendo.

Guardadas as devidas proporções (repito: Guardadas as devidas proporções), Sam Raimi está para o gênero terror como Tarantino está para os filmes "B". Explicando; Os dois usam uma matéria prima rústica, simples e dessa constroem bons filmes, que até certo ponto podem ser referência para um dado momento do cinema, Fede não alcança status parecido. Exemplificando lembro o longa "Arraste-me Para o Inferno" de 2009, ali o diretor Sam Raimi não apenas repetiu sua própria formula como também a apurou tecnicamente, mas nem só de tecnologia vivem os grandes filmes ou trabalhos, como o perdão do trocadilho; num filme de demônios, almas e entidades, faltou espírito ou o frescor daquilo que mesmo sendo um remake se esperava algo novo.

Crºitica escrita por mim, originalmente publicado no O Cinemista



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