Post Coitum - Animal Triste - Poesia

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Post Coitum – Animal Triste

Câmera lenta, foco, luz , corredor.
Andar entre paredes não ousando derruba-las,
nem ultrapassa-las ou transpo-las fisicamente fazendo parte
de sua existência branca.

Aquário, remédio, flash back.
Descobrir cartas tímidas entre outras,
as minhas chegam sempre assim,
ser assim, ter assim as palavras,
em bloco entre outras.

Cenário, nu, preto e branco.
Caminhar para aquele lugar,
um lago de mármore,
oxigênio sintético.
Simetria, sinistro.

Todos os objetos do cômodo
são muralhas cinzentas de aprisionamento.
Um vaso faz chorar,
lençol, camisa de força.
A tristeza pesa no corpo,

Conspiração gravitacional.
Tu tens a tristeza num terno
que permite o abraço material,
o tapa que desmoraliza,
o murro na boca do estômago.
O teu chinelo foi roubado,
A tua cama desfeita,
Os cabelos crescem e lhe personificam, lunático.

Impossível fugir dos espelhos,
A voz alta.
O toque do telefone, o frio na espinha.
Raiva...Raiva por sentir raiva,
Por ter sido triste no ultimo instante,
Por não ter quebrado aquela vidraça.

Tomada final, take, destino.
Traição de mentira, vida de plástico,
Interpretar a si mesmo.
Não se saber personagem,
não reconhecer tua ultima conquista.

Correio, coito, canção.
Não entender o fim da historia,
claustrofobia, medo de gente, de rua vazia.
Tu tens a doença da noite mal dormida,
morte homeopática,
sem rimas, sem “casting”,

triste sem querer

Poema do livro "Um Objeto Quando Esquece", ainda inédito.




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