O Capital - de Costa Gravas

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Aos 81 anos o diretor Costa-Gravas direciona suas denúncias e investidas no mundo dos banqueiros e do capital que conecta, aprisiona e faz mover todo o globo. Em seu último filme, “O Capital” (2012) o diretor conta a história de Marc Tourneuil (Gad Elmaleh), que recebe a grande oportunidade de sua vida ao se tornar presidente de um grande banco europeu. A partir disso a vida de Marc nunca mais será a mesma, assim como a reação das pessoas ao seu redor, esposa, amigos, familiares e funcionários e acionistas do banco.

Marc é um escritor, braço direito de um grande figurão, presidente do banco, que após ter sérios problemas de saúde, indica Marc como seu sucessor para o espanto de todos os outros conselheiros e acionistas. Porém, esse espanto rapidamente se transforma em oportunidade para usar Marc como fantoche de suas vontades e objetivos.
Aqui está uma das grandes sacada do roteiro, que coloca o protagonista no centro dos acontecimentos se debatendo em contradições, questões éticas e ideológicas frente a um império capitalista que corrompe os mais simples e puros sonhos. Se antes Marc sonhava em voltar a dar aulas e viver de sua carreira como escritor, agora o poder está inserido em sua cabeça e ele fará de tudo para mante-lo. Outro grande acerto do roteiro é quando desmistifica a origem da corrupção do meio sobre o indivíduo, distanciando da crítica pueril e ingênua mostrando que a podridão já está inserida dentro do personagem, só faltando a este a oportunidade certa para se adequar ou burlar o meio e as leis do ambiente. Nem o capital nem Marc são mocinhos ou vilões, mas estão todos propensos a saída mais fácil ou ao uso de uma força maior para alcançar seus objetivos.

O protagonista em alguns momentos intimistas

Nessa viagem Marc irá se deparar com vários tipos de questões, o distanciamento da mulher e do filho adolescente que o diretor num recorte rápido demonstra numa geração aprisionada e isolada aos games e celulares. Nos negócios Marc precisará se desdobrar para dar conta das exigências políticas e interesseiras que circulam funcionários, sindicalistas, acionistas e grandes investidores como o personagem de Gabriel Byrne, numa feliz reaparição nas telas. Em campos ainda m ais obscuros uma misteriosa e belíssima Top-Model fará céu e inferno dos dias de Marc povoando seus desejos mais secretos e ardentes.

O diretor Costa Gravas

 Desde “Z” (1969), passando por “O Quarto Poder” (1997), o desconcertante “Amém” (2002) e pelo controverso e ótimo “O Corte” (2005), a filmografia de Costa-Gravas traz sempre temas polêmicos envolto às grandes corporações, governos, políticos e ao poder e influência que as grandes corporações exercem sobre as pessoas.

De igual maneira “O Capital” mostra mais uma história sem heróis, nem mesmo de anti-herói o personagem Marc Tourneuil pode ser chamado, pois nas histórias que o diretor conta, não existe a preocupação de construir bons ou maus exemplos, mas sim mostrar como esses estão sempre ligados, convivendo lado a lado e em algumas vezes ao mesmo tempo e nas mesmas pessoas.

Tecnicamente roteiro e direção em do longa são bastante econômicos, assim como nos outros filmes do diretor em que acrobacias cinematográficas estão praticamente ausentes. O que para uns pode soar como pobreza, conservadorismo artístico ou narrativo, parece muito mais com um forte compromisso com a história e sua denuncia, numa tentativa de ser o menos parcial e subjetivo possível.

Parte da crítica enxergou em “O Capital” uma repetição que demonstra certo cansaço do diretor de 81 anos, contudo, isso parece algo bem equivocado já que Costa-Gravas mantém-se firme à suas convicções políticas e cinematográficas, principalmente cinematográficas, já que mesmo sendo conhecido como “cineasta político”, não se aproveita disso para panfletar em uma causa ou outra, e por esse viés como se num “upgrade” nos atualiza sobre novas questões políticas e sociais, e este trabalho mostra o quanto fôlego ainda há no cineasta.


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