Conto - A Conquista de Um Vestido Florido

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Trecho:

...Com olhares suspeitos fechou o portão, escorou a cabeça em uma fresta, deu mais uma espiada, certificando-se que ninguém a seguia mesmo. A carteira de coro comprida e alguns recibos do correio enfiados debaixo do braço. Seguiu pelo quintal analisando o jardim. Ele precisava mesmo de alguns cuidados. Suas samambaias ao alto plantadas em um xaxim já estavam secas, amareladas, as outras flores no chão até que iam bem, precisava rega-las. A sujeira das folhas vindas do pé de goiaba, os galhos da Primavera invadindo seu quintal através do muro lhe irritavam. Nos cantos do jardim resquícios de cimento das obras feitas um mês e meio atrás davam sensação de abandono ao lugar...


...Em passos médios, em uma velocidade igualmente média avançou até o portão, apanhou as cartas, voltou pra dentro de casa. Permaneceu observando e degustando um poder momentâneo enquanto não abria os envelopes, até quando seria capaz de suportar aquela ansiedade? Mas era impossível. Orgulhou-se daqueles minutos, do suposto auto-controle e reconheceu a hora de entregar-se as suas ansiedades. Abriu a carta, leu tranqüilamente e foi se transformando numa criatura doente de tristeza, pálida, seca e imóvel...


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