Ives Bonnefoy

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I.
A armadura monstruosa um machado com cornos de sombra levado sobre as pedras,
Arma do palor e do grito quando rolas ferida em teu vestido de festa,
Um machado pois preciso é que o tempo se afaste em tua nuca,
Ó pesada e todo o peso de um país em tuas mãos caí a arma.

II.
Que sentido dar a isto: um homem forma em cera e em cores um simulacro de mulher, enfeita-o com as semelhanças todas, obriga-o a viver, dá-lhe num jogo sábio de iluminação essa hesitação mesma à beira do movimento que também o sorriso exprime.
Arma-se depois como uma tocha, abandona o corpo inteiro aos caprichos da chama, assiste à deformação, às rupturas da carne, projeta num instante mil figuras possíveis, de tantos monstros se ilumina, sente como uma faca essa fúnebre dialética em que a estátua de sangue renasce e se divide, na paixão da cera, das cores?

Ives Bonnefoy


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