Design Editorial e Literatura - Um Objeto Quando Esquece

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Eis a nova capa do meu livro "Um Objeto Quando Esquece" disponível para venda no site Clube de Autores.  

Publico aqui a segunda parte do prefácio e um dos poemas que compõem o livro:

Olhando para trás nos mais de dez anos em que comecei e continuei a escrever estes poemas ainda sem que fizessem parte de um projeto maior...
Percebo que também por estarem “soltos” durante todo esse tempo o livro absorveu e delimitou partes diferentes através de estilos e motivos distintos que me fizeram escrevê-los. Nos anos ou melhor, dias finais dessa produção me coube deixar tudo mais ou menos sob uma mesma ótica, num mesmo contexto respeitando a proposta inicial(que na verdade só veio depois) de mais do que escrever... Construir poemas...

Assim numa primeira parte do livro estão poemas que me foram impostos a sua escrita, para expor aquilo que dizem...
Na segunda parte, estão poemas nos quais a imposição partiu de mim, talvez estes textos não necessitassem ser escritos, nem contenham de forma mais explícita algum sentimento(que é o que infelizmente sempre se espera de poesia), mas existem para o exercício poético, para o propósito da construção.
Por fim a terceira e última parte contém textos que também podem ser definidos como prosa poética ou micro-contos, nestes há uma mistura das duas primeiras partes, pois carregam uma imposição alheia para que sejam escritos junto de minucias necessárias para sua construção.

A Insatisfação da Forma

A Filosofia do grito, cabeças e braços,
o dorso do cavalo malhado,
o torso escuro na sombra.
O grito silencioso, contínuo
o movimento em desespero, estático.

Fêmur, porrete janela lamparina,
a tentativa de imprimir o grito na história.
Ferradura castidade,
os seres atingem um nível de existência,
de existência somente.
Persistência da garganta do som do corpo rojo.

A bidimensionalidade das casas,
a construção de arestas por corpos mutilados,
a criança morta a cabeça que ainda respira,
qualquer coisa respira,
pedra touro sono vento.
Expressões de mármore e danças
na dubiedade do escuro que não esquece um seio ou uma flor...


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