Entrevista com o Autor - Cláudia Sobreira Lemes

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Bom dia Claudia é um prazer tê-la aqui no Moviemento em mais uma Entrevista com o Autor. Por favor, apresente-se aos nossos leitores. Quem é Claudia Sobreira Lemes nos diga como a literatura chegou na sua vida? 


Sou uma pessoa com um histórico de muitas mudanças de cidades e países, assim como altos e baixos intensos durante a vida, o que me proporcionou o contato com muitos tipos de pessoas e culturas, me dando combustível para explorar a natureza dos relacionamentos humanos como foco principal de qualquer coisa que escrevo. Sou casada há 11 anos, tenhos 2 filhos que já se amarram em livros. A literatura entrou na minha vida aos 8 anos, quando minha mãe decidiu que iria me comprar um livro por semana. Eu lia, e ganhava outro. Não era fácil com o salário de professora dela, mas valeu a pena. Hoje estimo que já li mais de mil obras, e minha biblioteca tem cerca de 800 volumes, o maior bem físico que posso deixar para meus filhos.

E como passou de leitora a escritora como se deu isso? Quais autores lhe inspiraram e ainda lhe são referências?

Comecei a escrever porque como adolescente tímida e insegura, vivia histórias, diálogos, experiências, na minha cabeça. Comprava cadernos e escrevia por horas. O prazer era tão grande que nunca mais parei, é um vício. Já li de tudo e não tenho preconceito algum contra best sellers. Amo Stephen King e a forma como aborda a psique das personagens. Creio que admiro muitos escritores, como Dickens, Nabokov, Roald Dahl, Fitzgerald, mas não posso dizer que o estilo deles é refletido no que escrevo. Acho que desenvolvi um estilo próprio, bem coloquial e despretensioso, mas denso e direto. Posso dizer que meu primeiro livro teve grande influência de James Ellroy na parte máfia/femme fatale/noir da história.

Conte-nos um pouco sobre o seu processo criativo ou exercício da escrita, como acontece? Alguma particularidade?


Temo passar a impressão de alguém arrogante ao dizer isso, mas a verdade é que não sofro de bloqueios. Meus livros pularam dos meus dedos para o teclado antes mesmo que eu conseguisse assimilar o que estava fazendo. Alguns amigos brincam que eu “psicografei” minha trilogia porque ela se escreveu sozinha. Não tenho rotina, e muito menos meta de palavras por dia. Escrevo de madrugada quando meus filhos já foram dormir, escrevo só quando tenho vontade. Mas acho que você deve aos seus leitores uma boa pesquisa. Sem dúvidas.


Você publicou “The Woodsons Dissolution” pelo Amazon está certo?
Do que se trata o livro?

O história abrange três gerações da mesma família, os Woodson, em uma pequena cidade no sul dos Estados Unidos. Conhecemos a geração principal logo no começo, a geração anterior através das páginas de um diário que a mãe deixou para o filho, e a geração futura à medida que o livro caminha. É uma história de relações familiares reais, de traições, de mentiras e segredos, crimes, de amor proibido, num nível mais visceral e menos romântico do que é encontrado por aí. Mas o tema que é abordado é o de família. Encontramos esse tema no macro, quando a história nos leva para o pós-guerra da independência Americana, num ambiente onde índios, mexicanos e americanos precisam conviver; no médio quando abordamos as relações dentro da máfia italiana nos EUA, e no micro quando temos acesso à o quê acontece entre quatro paredes na família Woodson.

O livro é escrito em inglês? Existe tradução para o português? Como foi a experiência de escrever em inglês e por assim dizer outro publico?

O livro é escrito em inglês porque fui morar fora muito pequena e é o idioma com o qual me sinto à vontade escrevendo. Ainda cometo erros bizarros no Português. Gosto do inglês porque todas as palavras parecem ter significados amplos, porque o estilo coloquial não fica vulgar, porque pode-se colocar um “fucking” bem expressivo em qualquer frase (rs rs), e é o idioma no qual sou proficiente e amo (sou professora de inglês, tradutora e intérprete). Estou agora trabalhando na tradução do primeiro volume, e confesso que é a tarefa mais difícil que já tive. Muito se perde na tradução, muito. Mas tenho muita demanda pela tradução e preciso faze-la. 

Sobre o público, me sinto à vontade escrevendo para americanos, já que a história é Americana (embora no fundo, apenas “humana”). Morei fora muito tempo, estudei em colégio americano e muitos dos meus amigos mais próximos são americanos. Para mim não foi problema. 

E como foi a experiência de auto publicação, como enxerga o mercado editorial e as possíveis saídas para o autor independente?

Realmente acredito que a auto publicação é o futuro. Ela dá autonomia para o autor, royalties altos, controle total sobre a obra (embora não sobre os ganhos). Por outro lado, não faz a parte mais importante- marketing. Já li que muitos autores renomados estão migrando para a auto-publicação, de saco cheio, digamos assim, das grandes editoras. Existe público para TUDO- o sucesso das histórias auto-publicadas sobre sexo com o Pé Grande (série Monster Sex) são prova disso. 

Acredito que se uma empresa de auto-publicação começasse a fazer marketing dos livros auto publicados, além de ser lucrativo para todas as partes envolvidas, os bons livros de autores iniciantes teriam o destaque- e sucesso que merecem.

Por exemplo, o Clube de Autores tem uma página no FB. Em vez de publicar poemas e citações de Clarice, poderiam indicar os livros mais vendidos/mais recomendados do seu site. Simples. De graça. Mas a cultura brasileira é de não fazer nada para o outro “de graça”. 

Trabalha em algum projeto novo? Pode nos adiantar algo?

A Trilogia Woodsons está pronta, agora o foco é a tradução dela. Tenho um projeto diferente na reta final, um romance bem sombrio focado em crimes, e minha pesquisa para ele foi intensa, bem profunda e da qual saí com algumas cicatrizes na alma. Não vai ser um livro fácil de ler pelas descrições de crimes hediondos, mas é um projeto que quero explorar por ser diferente de tudo que já vi. 





O que está lendo no momento ou leu recentemente que gostaria de compartilhar com nossos leitores?


Estou tentando achar tempo para ler. Recentemente li Jogo Perigoso do Stephen King (sempre volto para ele quando preciso de um cigarro literário), e um chamado Trafficked, sobre tráfico humano, que não gostei muito. Estou com 8 na lista de espera, entre eles o vencedor do Pulitzer Angela’s Ashes. Se tivesse que indicar um livro excelente que li nos últimos meses seria Precisamos Falar Sobre o Kevin, da Lionel Shriver

Ok Claudia obrigado pela participação! Mande um recado para os novos autores ou para os leitores, enfim deixe aqui o seu recado: 

Meu recado é: não tenha medo de ler coisas novas, ou de investir num livro auto-publicado. Você pode se surpreender. Literatura e preconceito não se misturam.

Links da autora:


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