Sob a Areia - Cinecult

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Sob a Areia é o primeiro trabalho em que o diretor francês François Ozon e a atriz britânica Charlotte Rampling realizam juntos, mais tarde em 2003 a dupla voltaria a trabalhar em Swimming Pool – À Beira da Piscina. Pode-se dizer que os dois longas são bastante parecidos em sua abordagem introspectiva à cerca dos sentimentos de uma mulher madura. Além de diretor, François é também roteirista dos dois filmes e neles transita com maestria entre o suspense, o drama e a hipótese do surreal.

Em Sob a Areia Charlotte Rampling é Marie Drillon, uma esposa dedicada ao casamento e empolgada com as férias que irá passar com o marido em uma praia ao sul da França. Jean(Bruno Cremer) à seu modo, taciturno e calado, também parece empolgado. No entanto, enquanto Marie adormece sob o sol Jean vai dar um mergulho e desaparece. Assustada e desnorteada com o desaparecimento do marido Marie sai à sua procura sem saber se ele se afogou, se simplesmente ainda não voltou do “passeio” ou se de fato foi embora. 


Passado tempos do ocorrido, Marie permanece aflita em busca de respostas questionando o seu casamento e as motivações de seu marido. Contesta as evidências apresentadas pela policia e insiste em viver como se nada tivesse acontecido. Visões e conversas com Jean continuam a fazer parte de seu dia a dia, inclusive no conviver com amigos e Vincent, um novo amante, Marie imprime a presença de Jean em todas as suas citações e contextos.

Para o diretor Sob a Areia é um filme sobre o amor: “O filme fala de amor, perda e obsessão. Marie na verdade só se dá conta de que ama muito o marido depois de perdê-lo…” Contudo, o diretor não deixa que o longa percorra um caminho único de interpretação, ministrando o suspense e o surreal em paralelos bem próximos faz com que a história seja intrigante até o último instante.


Entre todos os motores que dão relevância a cada minuto da “fita” talvez o mais poderoso seja a atuação de Rammpling, que buscando a postura de quem mente pra sí mesmo consegue nos confundir também, sobre aquilo que é verdade e principalmente sobre o sentimento de despendemos com essa criatura; admiração e pena…

Originalmente publicado no O Cinemista




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