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DE VOLTA AO FOLHETIM...

Era através do folhetim que muitos romances hoje conhecidos como clássicos da literatura eram lançados antigamente lá pelo início do século passado. Sem mais delongas... Aproveitando o Post sobre o filme "O ano em que meus pais sairam de férias" vou publicar um conto que escrevi já à algum tempo que contem certas particularidades com o filme. E me refiro aos folhetins porque mesmo tendo "adaptado" o conto cortado cerca de três páginas, acredito que ainda assim ficaria grande demais, cansativo demais para uma leitura de um folego só. E no mais, na pior das hipoteses garantirá a espera e a visita do internauta mais curioso que queira saber o fim da história ainda que o texto lhe pareça de baixa qualidade...
Os Arqueiros Não se Movem Após a Bola na Trave - Parte 1

Meu quarto estava bagunçado como de costume. Vou remexendo em caixas de papelão procurando algo freneticamente. Medalhas antigas, canetas vazias, extratos, moedas, lixo. Ao encontrar com aqueles objetos pensamentos recônditos, “lembranças-esquecidas” vinham a tona.
Apanho um objeto do chão, é uma bola de feltro, branca e azul, uma bola, pequena de dois centímetros usadas nas disputas de futebol de. Felicidade então, nada de nostalgia, me acalma saber da ineficiência do tempo sobre a destruição de certas coisas.
Impressionante como uma lembrança está ligada, acorrentada a outras, quanto mais se tenta esquecê-las, evitá-las, mais elas vem e insistem usando de todos os meios, para serem revividas.
Assim lembrei daquela terça feira. Eu e minha mãe tomamos o primeiro ônibus para Santo Amaro, “Largo Treze de Maio”, parada na barraca do Tião, dois reais e trinta centavos, um novo time de botão. Pegamos o ônibus e chegamos a casa de meu avô. Espere aqui na garagem. Disse minha mãe.
Fiquei ali esperando enquanto meus olhos engenheiros logo começaram a estudar o plano da garagem para um futuro “estádio” quando ouvi o chamado de minha mãe.
-Olha... - Você vai ficar aqui ok? Preciso resolver uns assuntos, talvez demore, comporte-se mocinho! Nesta ora suas mãos se enrijeceram em meu rosto, e soltaram-se depois em um carinho rodeando minha cabeça e descendo sobre meu rosto.
Com um movimento firme da cabeça despediu-se da mulher que nos atendia e seguiu em passos largos para a rua onde um carro acabara de chegar, cheio de malas e um sujeito apressado. Corri até a janela. Ela pôs um pé dentro do carro e virou como se soubesse da minha presença observando. Voltei-me para sala ao mesmo tempo em que meu avô repousava seu jornal no colo. - Vem cá menino, disse ele levantando um dos braços.
-Olha Prima! Como é parecido com ele!!! Lembro-me bem dessa cara, cara de sonso, mas esperto que nem o diabo... -Tá com sede? Quer suco? Quer comer alguma coisa? Tem biscoito aí Prima!!?? – Mesmo sem eu ter respondido, veio o suco, veio o biscoito e dois copos.
-Como é seu nome? - João Paulo. Respondi sem gastar mais nenhuma palavra. - Quantos anos você tem? - Nove. Sabe quem sou eu? - Meu avô, continuei respondendo na mais absoluta economia de palavras.
- O que você tem aí na mão menino? - É botão. - Me dá cá, deixa eu ver isso.
- Esse aí ó, indiquei entusiasmado. É o São Paulo... - Ele conseguiu fazer você virar São Paulino? disse meu avô ao me ver naquele estado me referindo ao time. -Tá bom e como se joga isso, perguntou meio irritado por não saber e um tanto entusiasmado por querer saber.
-Primeiro tem que ter um campo. Pode joga aqui? perguntei apontando a mesa de centro da sala, a essa altura já havia me esquecido das lajotas verdes da garagem.
- O Prima!!!! Tira essas coisas daqui ó!!!! Ordenou meu avõ.
- Pera aí vô. Um ritual burocrático antes do inicio da partida. - Primeiro eles tem que cumprimentar a torcida. Explicando ao meu avô. -Agora tem o aquecimento e depois as entrevistas, faz assim oh. E movia rápida e freneticamente alguns jogadores em espaços curtos dentro do “gramado”.

Fim da primeira parte
Ygor Moretti



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