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Nas palavras do poeta Ferreira Gullar, “...poesia é feita do acaso...”, juntando ao que Rainer Maria Rilke salientava: o fato do poeta “enxergar”, extrair poemas das coisas mais simples da vida... Deixo aqui a minha contribuição, o meu exercício... banalíssimo...


Da presença dum rasgo nas calças


Perder a calça para o rasgo,

É perder uma matéria para a antimatéria,

É perder algo para o vazio, para coisa alguma.

É o habitar do vazio sobre o físico,

A presença do nada entre a coisa que existe,

É a existência de coisa alguma.

Mas se perder as calças é absurdo,

É absurdo maior quando o que nos faz perder é coisa nada,

É a extensão dum vácuo no esticar das linhas e fibras do jeans.

E se ficar sem calças é estar com coisa pouca,

É por pouco que a nudez por debaixo do rasgo

Se faz presente no vazio do rasgo.

E é na fresta do tecido, na fugaz aparição da carne

Que tudo se refaz entre a reta do rasgo e as curvas da carne

Abaixo do rasgo, pulsando e palpitando...


Ygor MF



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