/
1 Comments

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Homem Jovem à sua Janela



A rua não sabia que era espiada,
nem o parapeito era usado num quase salto,
num sobre-salto sobre as pretensões possíveis do quarto.
Os prédios e toda a geometria da esquina não suspeitavam
do homem à janela.

Atrás do Homem na Janela um poema aguarda seu fim,
Alguém lá dentro retrata tudo o que é de fora, o que não pertence ao Homem,
Tudo o que é rua e paisagem na real composição de quem observa e constrói o movimento e o estático.

Atrás do Homem um corpo que acorda, que agoniza
ou não reclama mais a sua vida.
No entanto a calma de quem está na janela
é a de quem logo descerá à rua,
e irá pegar o pão fresco na padaria, ou o jornal que ainda não
anunciou o homicídio.

Enquanto o Homem permanece à janela
não permite que a morte seja algo maior do que os seus trabalhos noturnos.
Não surgirá por enquanto a falta.
Por enquanto ainda não se deu o atraso no trabalho,
E todas as pretensões daquele cadáver ainda aguardam
suas realizações.

O Homem à janela mantém as mãos sujas guardadas nos bolsos,
e a face lânguida incapaz de voltar-se a cena do quarto
observa a esquina e a mulher de vestido.
Tenta alcançar as impossibilidades de um assassino, enquanto,
bem menos possíveis dois olhos mortos vividamente estáticos o observam da cama... 


You may also like

Postar um comentário