Poesia - O Mutilado

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Como pode esta osmose, contrária a tudo,
contrária a si mesmo, movimento,
um caminho triste em níveis indizíveis de intimidade.
Ainda sim a distancia insiste o seu espaço.

É pois com o peito gelado que atravesso a noite,
e as mãos mecânicas escrevem,
orgânica, apenas organicamente os olhos lacrimejam,
é um milagre científico, que resiste este corpo,
mesmo lhe faltando a parte. 

E esta resistência romântica,
que reserva aos sonhos todas as concretizações,
prolonga no peito a batida mais forte.
E impõe ao andar,
maldições de andarilhos.

Esta lepra estagnada,
que não dá ao corpo a noção de todas as perdas,
nem da morte despede-se,
permanece o momento do eterno e do efêmero
que não diferenciam-se dum triscar de dedos.

E neste grito que não atravessa não se joga,
jorra pra fora da garganta,
ou nesta alma que apenas mora no corpo,
vive de aluguel esta hipótese de ser.


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