Albano Martins

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CABEÇA DE NEFERTITI

Ainda
sorri
para dentro
e é sorrindo
que dorme
no sono róseo
do quartzo. Há
na sua boca,
adormecida,
uma borboleta
escarlate
à espera
que uns lábios
úmidos
a despertem
e lhe devolvam
as asas.



KORE

Do seu sorriso
de estame desprende-se
uma flor. E das tranças,
soltas como espigas
caindo-lhe dos ombros,
desabrocham
os seios. E na renda
do corpo e do seu braço
direito mutilado
dormem serpentes que umas vezes
lhe cingem os pulsos, outras
descem ao púbis, que todavia
não se vê
mas se pressente
no movimento estudado
do braço esquerdo. E é de lá
que a espiga do sexo
se abre, perfumada,
como uma rosa de sangue.

Albano Martins


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