Micro Contos

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Micro Contos publicados na Revista Digital Benfazeja


AQUÁRIO

Precisava de um aquário para lhe fazer companhia... Encasquetou. Silencioso e presente o bastante para fazer presença nos momentos alegres mas solitários enquanto escrevia... Um enorme peixe dourado a lhe observar com dois grandes olhos. Boca e guelras em constantes movimentos, mas pareciam mais súplicas do que qualquer outro gesto de vida.

Sentiu-se tão preso e sufocado quanto aquele peixe, aquela presença agora o incomodava, o motor do filtro e as bolhas de agua causavam um barulho ensurdecedor. Havia ali dentro daqueles 100 litros um pedido constante e silencioso de socorro que o ligava quase de forma magnética, escrava aquela visão. A partir dali por trás do vidro num reflexo sem muita exatidão via-se preso outra vez solitário de mãos atadas sem poder nadar...


VESTIDO DE MORTO

Traje social quase uniforme para toda e qualquer situação, rosto pálido sempre cansado, assustado. Camisas largas no corpo, cores claras inexpressivas, as calças curtas sobrando nas canelas cumpridas. 
Passos e vida calma até o fim, no caixão pela primeira vez um rosto terno e não mais apático, nunca mais...


SANTANA

Santana não se abalava com o sorriso dos outros em face dos seus poucos risos, pois sabia que a felicidade está inserida também nas bocas sérias, nos lábios rachados e sobre tudo, abaixo e entre o seu enorme bigode.

Sabia Santana que o ato de usar seu vestido era incutir o seu corpo todo de felicidade. E suas lembranças de General estavam imbuídas de felicidade.

Ah... A Felicidade... Santana a via refletida em tudo, inerente inclusive aos momentos tristes, eram todos repletos de uma felicidade que apenas Santana acreditava de forma inabálavel...


ULTRA-HIPER-SUPER-ROMÂNTICOS

...Afinal, diziam que os Ultra-Românticos tinham desistido de envelhecer ricos de cultura, por isso eram rápidos, marcantes e efêmeros aos 27 ou pouco antes dos 20. Mas e se a evolução tivesse lhes dado pés intactos de tiros acidentais, peitos inflados sugadores e purificadores de um ar de vida, plena, i-mor-tal?...

Um novo email... era o que assinalava a luzinha piscando na tela do monitor, de pronto Edgar detectara o remetente, era mais um trabalho free lancer.

Torcia para que aquela nova encomenda coincidisse com algum texto já produzido e arquivado no HD. Perguntava-se se algum editor teria culhões para apostar em um de seus inéditos contos de terror...

Ygor MF


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