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CINEMA BRASILEIRO – Mais é menos?


Mesmo sendo um apreciador do cinema nacional(não por patriotismo ou coisa parecida, mas por enxergar um potencial diferenciado no cinema tupiniquin)devo confessar que uma pergunta tem rodado minha cabeça, sobre tudo aos finais dos últimos filmes brasileiros que tenho assistido.
Afinal, no cinema nacional Mais é Menos?! Quero deixar claro que estou analisando os filmes que EU assisti, e os filmes que criam essas duvidas são os mais recentes produzidos. Também não quero ser hipócrita ou mesmo mesquinho e ter uma atitude elitista de exigir que todo filme seja pura e só arte. Acho que entretenimento, bilheteria, retorno financeiro e arte andam muito bem juntos, porém isso é um caso raro no cinema nacional e mundial.
De repente se descobriu que o cinema mais engajado, mais sincero, sério e sem pretensões de agradar e só entreter, não tem o mesmo retorno que o cinema menos descompromissado, e isso de fato é verdade, mas desconfio dessa proposta para o cinema nacional, afinal já não bastam as telenovelas cada vez mais numerosas e de menor qualidade, tanto em textos, roteiros e interpretações?
Na verdade estamos num país que se esconde, ou acha desculpas no fato de ser o pais do carnaval e futebol ou na famosa frase de que “quem gosta de pobreza é intelectual”.
Não acredito numa glamurização da pobreza ou da violência, nem que todo filme tenha que conter uma lição de vida, uma mensagem, um engajamento e não possa simplesmente ser entretenimento. Mas acredito menos ainda em extensões de novelas nas telas dos cinemas. E acho que mais hipócrita do que querer filmes mais artísticos do que comerciais é voltar as costas ao problemas sociais, que são, que podem ser discutidos ou mostrados nos filmes.
Enquanto escrevo isso procuro entender o que se passa com o cinema brasileiro, é, escrevo para que eu mesmo entenda. E cada vez mais forte acho que mais é menos, principalmente porque vejo que filmes com mais qualidade como Cidade de Deus, Abril Despedaçado, ou os filmes do Beto Brant ou Jorge Furtado só para citar alguns, são “copiados” continuados em formulas prontas só que mais amenas ,mais diluídos, menos compromissados e menos sinceros.
Dizem de uma maturidade dos cineastas que descobriram que filmes não tão políticos ou sociais tem maior retorno, fala-se num povo que cansado não quer rever sua vida, sua realidade na tela. E é fato que existe um preconceito dos próprios brasileiros com o cinema nacional, marcado talvez pela época do pornô xanxada, e das filosofias dos tempos de “uma câmera na mão e uma idéia na cabeça”, mas não se tenta entender os motivos, o momento histórico, o contexto em que esses idéias eram trabalhadas, eram momentos de repressão política e se de um lado queria-se extravasar, de um outro havia a vontade de fazer arte com os recursos mínimos, valorizando mais conteúdos textuais e artísticos do que técnicos e outros até mesmo pela falta de recursos.
E assim com essa herança o cinema nacional atual encontra-se perplexo entre um caminho e outro, da arte, da secura do cinema documental, do cinema comercial(nem por isso menor), entre modelos asiáticos e europeus buscando uma certa identidade ou copiando simplesmente o exemplo americano.
Entendo que se “Mais é Menos”, os “Menos” de um lado ajudam e possibilitam o aparecimento dos “Mais” do outro, ou seja filmes comerciais e rentáveis que dão créditos e condições para filmes e projetos particulares dos diretos. Mas também não enxergo um caminho crescente, e somatório, só um cálculo estranho, onde mais qualidade é menos renda, e para mais renda; menos qualidade, será então que o sucesso é a justa junção de dois pontos opostos, como um positivo e negativo? Deixo então o tema aberto as discussões, continuando com a impressão de que cada vez mais menos filmes me agradam.

Ygor MF 05/01/2006


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