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Existe uma lista bem grande de pontos negativos a respeito de “Lula — O filho do Brasil”. Pode-se dizer que se trata de uma peça eleitoreira, que Rui Ricardo Dias não convence muito no papel de protagonista, que os R$ 12 milhões poderiam ter sido mais bem gastos, que os diálogos são repletos de clichês... Mas não se pode negar que a história a que Fábio Barreto se propõe a exibir merece — e muito! — ser contada.
Todos os brasileiros sabem um bocado da trajetória pessoal de Luiz Inácio Lula da Silva, mas, em geral, o filme é capaz de gerar consideráveis surpresas até mesmo naqueles que se dizem bem informados. Toda a construção da trama tem um quê de novela da Globo, mas nem por isso a obra deixa de informar, emocionar e entreter o público, seja ao retratar a miserável infância de Lula e sua família em Pernambuco, a viagem de 13 dias para São Paulo, a difícil relação com o pai, a formação do caráter do futuro presidente da República e, obviamente, a importância da figura de dona Lindú, sua mãe, interpretada por Gloria Pires.
Assim como em “Dois Filhos de Francisco” — no qual toda a trama é costurada a partir da obsessão do pai de Zezé di Camargo e Luciano pela música —, aqui, se existe algo dessa natureza, está concentrado no zelo de dona Lindú para com seus filhos, de modo a educá-los com correção e dentro dos valores considerados por ela como ideais para a formação de um homem: honestidade, respeito, dedicação ao trabalho e à família, bondade.
Dessa forma, cada pequena evolução da vida de Lula, desde sua infância até a ascensão no movimento sindical dos anos 70, é permeada pelos conselhos e direcionamentos de sua mãe. Fosse uma história fictícia, a personagem interpretada por Gloria Pires talvez soasse como inverossímil.  Como se trata de um retrato de quase três décadas do presidente mais popular da história do Brasil, torna-se necessário outro viés.
A imagem do presidente Lula, especialmente depois de sua posse, em 2003, é toda cercada de contradições: ora conservador, ora extremamente progressista; às vezes cercado pelas forças corretas da política, às vezes cercado por raposas maquiavélicas. No futuro, certamente sua complexa trajetória será motivo de estudos e mais estudos para que a história do Brasil seja mais bem compreendida. “Lula — o filho do Brasil” será, no mínimo, um instrumento a mais para essa análise.

Fernando Damasceno é colaborador do MOVIEMENTO, e mantém o JÁ REPAROU? . Fernando é jornalista, ganha a vida escrevendo sobre política, mas no fundo gosta de escrever sobre cinema, livros, música e esporte.
fldamasceno@hotmail.com




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