Minha Primeira São Silvestre

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Mesmo com o prazer e o "dever" das corridas já instalados em meus dias, passava por aquele momento de não evolução entre os 5 e 10 km, nem melhorando tempo, nem aumentando distâncias. Era mês de outubro de 2013, final de ano logo ali e a possibilidade de correr uma São Silvestre parecia bem distante, só possível com alguma imprudência, devido ao aumento da quilometragem em poucos meses.

Havia acabado de fazer exames médicos, sangue e coração que indicavam que estava tudo bem, mesmo sem uma disciplina exemplar, mesmo sem conseguir diminuir alguns quilinhos que parecem ser companheiros eternos decidi misturar um pouco de imprudência, com certa ousadia e juntar certa determinação que andava dispersa até então. Meu apoio científico foi uma planilha na revista Runners Brasil, treino de 12 semanas para a São Silvestre... Exatas 12 semanas era o que eu tinha até então.

Passei a correr 4 vezes na semana; 5 quilômetros intervalados na esteira, 500 metros fraco a uma velocidade de 7,5 km e 500 metros mais forte a 11 ou 12 km. Uma corrida de 5 ou 6 km buscando melhora nesse tempo. Oito quilômetros de rodagem incluindo algumas subidas e o famoso longão que começou a 10 e chegou a 12 km nas vésperas da corrida.

Run Kepper - Grande aliado nas planilhas
Meu objetivo era também eliminar algum peso do corpo, qualquer um (dos vários que tinha de perder) que perdesse já me dariam alguma vantagem e melhora. De fato controlei melhor a alimentação e me senti (ao menos psicologicamente) mais leve, mas efetivamente mesmo com mais treino e uma alimentação um pouco melhor não foi o bastante para emagrecer e talvez ganhar alguns segundos no pace e no tempo total da prova.

Na semana antes da prova era recomendado que desse uma boa diminuída nos treinos, mas vai batendo aquela mistura de ansiedade por querer melhorar ao máximo e a desconfiança de que na verdade não se estar pronto. Até então só tinha corrido 12 km e não haveria tempo suficiente pra chegar aos 15 km da prova alvo, de modo que nesses 3 km estaria o desconhecido, talvez o fracasso, contusão e por fim a desistência. Assim diminui um pouco apenas os treinos e arrisquei correr até sábado dia 27, restando 3 dias pra descanso total.     
Importante dizer que estávamos na semana entre festas de Natal, confraternizações no trabalho e Reveillon, e justamente nesse fim de semana antes da corrida uma bateria de eventos sociais acabaram sendo verdadeiras tentações para o "projeto" correria e boca fechada, batizado de sobrinha e almoço - rodízio japonês com namorada - churrasco no domingo e ufa segunda feira... muita água e macarrão integral, bem ou mal, de forma ideal ou não estava pronto pra corrida.

Após ir dormir quase 1h da manha da terça feira dia 31 de dezembro (o calor e um campeonato de Fifa 14 com amigos não permitiram dormir antes), levanto mais do que disposto, animado as 6 e 30 da manha para até então o meu grande dia como "corredor".

Na companhia do Sr. José Luiz (meu pai), parceiro e STAFF de todas as corridas e da minha namorada que embora não seja grande fã de esportes muito menos de grandes aglomerações (como a que iriamos enfrentar), está ali, controversa mas apoiando o que penso que é o maior apoio que se pode ter, também porque ela sabe que a corrida deixou de ser apenas um esporte e passou a ser algo que REALMENTE gosto de fazer.

Percurso da 89ª São Silvestre
Vamos de carro até o metrô Butanta e de lá via linha amarela até a Av. Paulista. Tudo bem tranquilo até aí, alguns corredores uniformizados vão ajudando e formando um fluxo de pessoas que se você estiver com alguma dúvida acerca do caminho é só segui-los.

Quando saímos do subterrâneo na estação Trianom-Masp, já estamos no meio de tudo, um amontoado de corredores e o povo que procura o melhor lugar pra assistir ou que está acompanhando aos "atletas". Preciso colocar o numero do peito com alfinetes e o chip no pé, o nervosismo e a equipe de apoio da corrida que nos impedem de ficar por ali torna essa tarefa simples uma tensão bem maior do que deveria ser. 

Restam 30 minutos pra largada, ainda não aqueci nem alonguei, e percebo que não existem banheiros químicos por ali, na verdade nem preciso mas é sempre bom, um desencargo de consciência dar aquela ultima esvaziada no tanque... Alongo, salto, ainda timidamente não tendo nem espaço para trotar, mas o percurso será bem longo e usarei o começo da prova para um aquecimento lento e crescente, quero completar a prova e não disputar lá na frente com os quenianos.

Como metade de uma barra de cereal, tomo um pouco de bebida esportiva, fico um tempo mais no alongamento até que uns 10 minutos para a largada percebo que preciso ir ao banheiro. Desço dois quarteirões pra baixo da paulista até encontrar um banheiro, volto correndo já servindo como aquecimento até que reencontro com meus acompanhantes ao mesmo tempo que ouço a trilha de "Carruagens de Fogo", o locutor entusiasmado ajuda nesse momento de certa emoção; foi dada a alrgada! Me despeço fraternalmente de meu pai e minha namorada, quero dizer a eles através de um abraço, que sou muito grato por estarem ali comigo naquela hora, mas a partir dali, sei que a coisa será comigo mesmo, os meus 12 km confortáveis e outros 3 desconhecidos quilômetros que talvez possam por tudo a perder.

Correndo em direção a multidão que caminha em direção a linha de largada, percebo que ainda teria bastante tempo, pra ir ao banheiro, fazer um alongamento ou papear pra descontrair, na verdade quase vinte minutos até efetivamente passar a linha de início da prova e iniciar de fato a corrida. Enquanto os vários personagens que compõe a corrida de São Silvestre são anunciados ao passar pelo locutor da prova, outras faixas são lidas e mensagens enviadas. Sinto falta de não ter nenhuma faixa ou banner para aquele momento, talvez uma cartolina com uma declaração de amor ou pedido de casamento... Vai ficar para a próxima.

Começo a me lembrar de cada treino de cada quilometro percorrido, as subidas encaradas numa pequena simulação da prova em busca de alguma tranqüilidade. Ajusto o GPS do Runkepper e deixo pronto pra iniciar a cronometragem, até que percebo após alguns minutos que ele não está funcionando.
-Que bacana! Penso. 
- O ano todo me acompanhando me dizendo a que velocidade eu estava ou deveria estar, média de tempo, distância percorrida e agora quando mais preciso vou ficar na mão...
Reinicio o programa algumas vezes até que ele me acha no meio da multidão, agora faltam metros para a linha de largada e já solto meu cronometro enquanto inicio um trote leve, mais saltos do que trote... A minha primeira São Silvestre teve início...



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