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Texto para exercício de escrita do Clipe - Casa das Rosas:
Escrever uma carta de amor durante um incêndio.

Queria deixar uma carta que não fosse apenas um recado na porta da geladeira;

Tire a carne do freezer / lave a salada / Recolha a roupa do varal!

Mas deixasse claro que isso não foi suicídio nem terrorismo. Fatidicamente você irá lembrar de quando eu disse que ia explodir o prédio se ninguém da administração resolvesse o vazamento. Quando fico nervoso só falo merda, você sabe disso. No fim você tinha razão, eu sou mesmo distraído, odiava ouvir isso e repudiava quando você dizia achando graça de mais uma atrapalhada minha. Pois bem, foi essa “qualidade” que me fez esquecer o gás aberto e aí já viu…

Agora mais uma explosão destrói por completo a área de serviço e cozinha, e pensar que por capricho seu trocamos todo o revestimento e precisei carregar mais de dez caixas pesadas de material no deposito. Pelos ares também vão as roupas e minhas cuecas que secavam no varal. Você insistia para eu não lava-las durante o banho, pois nunca ficavam limpas de verdade. Mas eu me sentia mal em deixar lá misturada com as outras roupas, principalmente quando são cuecas brancas.

Um calor forte já alcança o quarto do meio, onde você aceitou que eu montasse o meuBUNKER, eu brincava que ali era acesso restrito, nem mesmo você poderia entrar, no máximo bater na porta e deixar o café.

Não vou pular pela janela nem tentar escapar pela porta já tomada pelo fogo, estou entre livros, cds, a prateleira que a muito custo montei, toda torta e com dezenas de pregos extras pra compensar a minha falta de habilidade com ferramentas. Cada objeto desses guarda uma lembrança, um passeio ou viagem que fizemos.

Agora não enxergo mais nada, a fumaça já envolve tudo e o gás carbônico substitui o oxigênio. Não deu tempo de comprarmos um umidificador, acordávamos sempre com a garganta seca, nem flores conseguimos cultivar, deixei morrer um Bonsai, presente de minha mãe, e até o cacto consegui a façanha de deixar morrer seco.

Esqueci de arrumar a cama do quarto, acabei de lembrar, agora já é tarde, tarde pra tudo, inclusive para trocar os presentes repetidos que guardamos dentro do armário. Tinhamos três panelas elétricas, demos uma pra minha mãe que sempre quis ter uma, Presenteamos a Nat e o Rafa, adorei o casamento deles, você ficou se escondendo das fotos, mas estava linda naquele vestido roxo, que aliás aqui entre nós, foi uma pechincha né? Caramba por falar nisso esqueci de tirar foto dele pra postarmos no site de venda online. Voltando às panelas elétricas, ficamos com a terceira e antes tivéssemos usado e abusado desses eletrônicos, salvo algum curto circuito, a chance era bem menor de terminar assim tudo em fogo.

Contudo, mesmo aqui nesse inferno, consigo controlar a raiva que sinto de tudo o que é contrário a minha vontade, não que eu esteja feliz com esse desfecho, mas pensar em você foi minha proteção contra incêndio, até onde deu pois a partir de agora é só ardor sem fim, chamas e cinzas depois. Tristemente você não saberá dessas palavras e pensamentos pois o que deu tempo de escrever foi mesmo um bilhete de geladeira que envio pelo whats:

Amo você, desculpe pela distração, esqueci a porra do gás ligado!

Olá leitor fantasma que está por aí!!!
Esse post já passou por aqui mas de forma incompleta, agora deixo aqui mais de um exemplo, mais de uma tentativa de descrever um personagem utilizando as características, jargões e palavras de um nicho específico. Desde já fica também o convite ou desafio pra que façam o mesmo; descrever um personagem usando das característica de sua profissão ou condição...

I

Eu não conheci o meu pai...  Seu rosto, aparece sempre desfocado, com um blur bem no meio da cara. Dizem que sou o seu ¾  duplicado. Sendo assim a descrição que faço é muito mais intuitiva e amargurada.
Um tremendo dum irresponsável isso sim! Aventureiro  e determinado, admito. Digo isso pelos registros de suas fotos, lugares mais exóticos e distantes, entre traficantes, tribos indígenas, povos do deserto e terroristas, animais e o completo nada das regiões geladas.
Você deve ser comunicativo e alto, talvez venha daí também o fato de eu ser essa girafa tímida. Mas você conseguiu se aproximar das pessoas para fotografa-las de perto em sua intimidade, olhando sempre para o alto com o pescoço esticado e queijo erguido.
Mas então por onde anda o seu campo de profundidade, a abertura do diafragma da sua maneira de ver e viver a vida, que nos deixa assim, como borrões desfocados mais ao fundo? Se esse pensamento fosse uma carta ou texto num cartão postal,  teria uma observação abaixo da linda fotografia:

Não apareça! Pois por aqui o teu filme está completamente queimado...


II

No reflexo do espelho tentava identificar o GRID em que foi baseado a construção de seu rosto. - Talvez modular. Pensou, buscando explicações para cada um daqueles elementos bem destacados, respeitando um alinhamento justificado que deixava tudo bem ajustado porém, fazia também com que olhos e bocas parecessem esticados. Com o cabelo tentava quebrar a monotonia de toda aquela harmonia, provocando contrastes com suas linhas finas e contornos desiguais. Mesmo assim, o layout do seu “cartão de visita” era aquele, normal, que no entanto, aos prestarmos mais atenção encontraríamos diversas irregularidades, constatando que a assimetria da natureza reinava por ali. Mais poderosa até que a proporção áurea que coexistia nos melhores trabalhos gráficos, baseados em briefing bem descritos. - Ah se pudesse usar os filtros do Photoshop, ferramenta clone para limpar espinha, Blur, Radlaby, Sponja e outras ferramentas para amenizar sardas e manchas da pele. Lamentava num pensamento silencioso e estridente dentro de sua cabeça. Contudo, em relação a sua palidez e a cor de seus cabelos, aqueles pequenos pontinhos magentas completavam a tríade em sua paleta de cores.  
Mas não só os programas gráficos poderiam dar jeito em sua pessoa, pois seus gestos e movimentos eram itálicos e sua voz minúscula. Sonhava com o dia em que suas frases fossem formadas por fontes bold e tivessem o peso de palavras em CAPS LOCK, mas que fossem também belas e únicas como uma tipografia baseada em movimentos de pincel.
De todo modo precisaria de muito mais esforços e um redesenho de seu logotipo. Como primeira ação deveria largar aquelas roupas e o habito de vestir-se sempre em tons de cinza,  para mergulhar no mar da possibilidades CMKY, retocar a tatuagem como um verniz localizado para assim comunicar-se, ser inserido no mundo onde ultrapassariam sua carcaça, capa e contracapa atraindo assim todos ao seu redor para conhecer os tesouros de seu verdadeiro conteúdo.



III

Tinha os olhos dum azul mais do que artificial, numa escala industrial de CMKY, sendo composto por  92% de Ciano, 71%  de magenta, 0 Yellow e 0 black. Era a formula “mágica” que deixavam aqueles olhos tão lindos e desconfortáveis de encarar frente a frente.
O rosto num grid modular tinha cada elemento bem destacado, boca, olhos, nariz e todas as outras partes da face sem nenhum conflito, no máximo no contraste desejado para um layout perfeito, clean e legível.
O tom de pele perfeito tratado em photoshop, ferramente clone, filtros de instagram, deixavam até mesmo as sardas como a terceira parte da tríade de cores, essa destinada aos detalhes, eram verniz localizado aplicado ao rosto.
Em contraste a todo esse equilíbrio estético, quando se movimentava revelava um caminhar itálico, devido a um problema de nascença na cintura. Também por conta disso, seus gestos eram minúsculos, um manuscrito tremido e atabalhoado, que não deixavam transparecer sua confiança e personalidade segura, forte, Bold.
Dessa forma com todos esses constrastes, entre uma bela capa e uma surrada contra-capa, poucos davam-lhe oportunidades, folheavam suas páginas e alcançavam seu real conteúdo, distribuído em estrofes e capítulos sedentos de visitação.