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MORANGOS

Nunca houve morangos
como os que tivemos
naquela tarde tórrida
sentados nos degraus
da porta-janela aberta
de frente um para o outro
seus joelhos encostados nos meus
os pratos azuis em nossos colos
os morangos brilhando
na luz quente do sol
nós os mergulhamos em açúcar
olhando um para o outro
sem apressar a festa
para chegar ao fim
os pratos vazios
deitados sobre a pedra juntos
com os dois garfos cruzados
e me aproximei de você
dócil naquele ar
nos meus braços
abandonado como uma criança
da sua boca ávida
o gosto de morangos
na minha memória
inclina-se de volta
deixe-me amá-lo
 deixe o sol bater
sobre o nosso esquecimento
uma hora de tudo
o calor intenso
e o relâmpago de verão
nas colinas de Kilpatrick
deixe a tempestade lavar os pratos.


Tradução de Virna Teixeira.
Indicação de nosso consultor, poeta e apaixonado por poesia Israel Azevedo

Akasha

leva-me
ao profundo dos teus olhos
tentaculares, enfurecidos
resgata tua morte
porque são muitos os que a lembram
e jamais haverá glórias pelo teu reino
de cadáveres
no céu, o sol é frio
corada ainda tua pele
de mãos dadas, você e eu
juras, carícias, palavras
poupe-me, perdoe-me
pois é preciso negar-te
partir para que eu a traia
oh minha cara
para que privá-los
da luz, quando a treva
nos apetece?

Israel Azevedo