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Porque estou enamorado...
e a vida ciumenta possessiva 
não quer desgrudar de mim, 
me cobra me empurra a frente de tudo
em todas as estradas e direções.

Ahhh essa vida que nem mais
me deixa respirar ou parar frente um quadro.
Essa vida coisa apaixonada por todos os meus minutos
que nem meus são mais.

É por tanta alegria e tanta benção
que mal o oxigênio para por essas bandas,
tão ralinho que
suspeito nem estar respirando mais.

E devo viver, viver outra vez, 
ao mesmo tempo em diferentes partes,
e a impaciente da vida
nem me dá tempo para escrever Aquele Poema...


Leia outras tentativas de Victor Camundongo de escrever Aquele Poema

Victor Camundongo
Porque estive sequestrado pela atenção que a TV
rouba da minha máquina de escrever.
Porque há o tempo em que o tec-tec-tec
deixa de ser música deixa de ser suspiro de um novo folêgo.

Porque para escrever aquele poema preciso ser
refém dele, enclausurado na sua construção,
num quarto de paredes acolchoadas que não me deixem
enlouquecer nem fugir dali.

Porque não estar preso a certas coisas é estar
livre, sem rumo, no sentido da prisão que é estar 
liberto, vagando, com os olhos vagabundeado entre
tudo, em nada...

Porque eu não estou na forca que me espera Aquele Poema,
porque eu não estou no parapeito ou numa ponte
sem outras escolhas que não terei quando de fato
conseguir escrever Aquele Poema. 

Veja outras tentativas de Victor aqui


Porque sou um fantasma,
um fantasma dos lugares vazios onde nem susto existe,
sou a falta do oxigênio na água, luz sem a presença da sombra.
Não escrevi e nem tentei escrever aquele poema nos últimos meses
porque me faltou o código html, um caractere da palavra amor.

Me faltou paciência pra não mais existir para a minha existência e sim,
somente pra ele.
Pois é justamente esse confronto que faz nem um nem outro existir,
existo pouco, existo muito... hesito apenas... 

Victor Camundongo  

Veja outros poemas... ou tentativas do Victor aqui:
Victor Camundongo

Resposta ao Sr. Henrique Vila Matas que aqui nesse espaço me dirigiu essas palavras: Ao Sr. Victor...

Concordo com o Sr. quando diz que indiretamente estou escrevendo poesias, na verdade é uma poesia direta, pura e franca sobre O POEMA que quero e concordando mais uma vez com o senhor talvez nunca escreva.

Penso sim que há sempre um motivo, um obstáculo para que aquele poema ainda não seja escrito, hoje foi pela necessidade de responder aos seus comentários, por outro lado, temo que o motivo principal e recorrente seja a distância de nos mantemos diariamente de tudo que é poesia. Nublados, impedidos de ver AQUELE POEMA que nos faria sorrir e chorar. Não mais aleijados das mãos ou da boca que talvez pudesse declamar aquele poema e muito menos surdos pois queremos ouvir aquele poema. Lamento então o decreto da nossa morte cega porque estamos incapacitados de ver AQUELE POEMA...

Mas eis que nós poetas para a alegria e maldição de todos ou apenas nós mesmos, permaneceremos incessantes e esporádicos perseguindo o poema. Assim a minha ânsia por esse dia só não é maior que o meu temor de como será o dia seguinte quando enfim escrever AQUELE POEMA...

Victor Camundongo 





Oh o quão pronto parece aquela estrofe, perfeita
como se estivesse sido esculpida desde sempre, 
nascida no primeiro instante da criação.

Mas quão longo, árduo e ofensivo é este verso,
cumprido, incompleto de uma distancia impalpavel.
Mora entre sombras, entre o mistérios de tudo
que do nada brota. No vacilar, na inconstância 
de cada palavra escolhida.
Dessas que se mostram com o brilho duma estrela cadente,
distante efemera.

E desconheço o momento em que surje o verso em mim,
parecendo que jamais existirá aquele poema
mesmo já estando aqui de algum modo invisivel...

Victor Camundongo


Porque nem mais punho tenho que me faça
escrever a carta ou o ponto final.
Nem mais pulso fixa o próximo batimento, suspiro
que não mais ao menos, por enquanto encherá o peito de ar.

Cada vez mais branco, pálido, gelado...
Até que uma mão desconhecida de todos os meus planos
desfaz o golpe que mesmo impreciso me levaria a outro lugar,
em outro "sonho" onde talvez pudesse escrever aquele poema...

Victor Camundongo

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porque hoje não escrevi aquele poema - 008

porque hoje não escrevi aquele poema - 007

porque hoje não escrevi aquele poema - 006

porque hoje não escrevi aquele poema - 005

porque hoje não escrevi aquele poema - 004

porque hoje não escrevi aquele poema - 003

porque hoje não escrevi aquele poema - 002

porque hoje não escrevi aquele poema - 001
Victor Camundongo

Um poema é um tiro, rajada, tiro de velocista, o poeta é um corredor... andei pensando, corredor de 100 metros, destes que quer sempre quebrar a todos os recordes, que corre para fugir dum batalhão ou alcançar ao inimigo. Ou ainda... corre tresloucado para todos os caminhos e direções. É no poema que o sujeito se coloca intenso por completo.

Já nos romances os capitulos são como kilometros bem planejados de uma maratona. O contista esse sim é um corredor cego que começa a correr do nada e se estatela numa parede invisivel porém intrasnponível do fim que simplesmente aparece e se faz imperativo.

Mas o que querem saber é de poesia certo, é o porque hoje não escrevi aquele poema... É porque estou andando de bicicleta, cantando "raindrops keep falling on my head", em pedaladas fáceis nas quais não derrubo o meu suor e nem os meus sentimentos, é como flutuar no asfalto e não perceber ou melhor ainda, não ligar para os buracos da rua que não mais me derrubam. 

E em meu peito permanece, os recordes, as barreiras que destruirei quando enfim escrever aquele poema...

Victor Camundongo

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Victor Camundongo

À Victor Camundongo

Caro Sr. Victor venho por meio desta delatar-te e libertá-lo caso se sinta aprisionado pela síndrome de Bartleby, a qual acomete os escritores numa branca e indissolúvel incapacidade de escrever ou por qualquer outro motivo deixam, se recusam a escrever. E antes que me acuse de desfilar despistado por esse mal jogando-me na cara o meu livro Bartleby e Cia, um romance escrito através de notas de rodapé, lhe digo: Ora é um personagem que este sim está acometido pela síndrome, eu? Vou muito bem com algumas dezenas de romances. Por tanto, a tua farsa ou tendência hipocondríaca pode ter fim, pois para o bem ou para o mau você meu caro amigo escreve poemas disfarçados de nota e eu me pergunto se existe tal poema que pretende escrever ou jamais existirá ou ainda por tanto rodeá-lo jamais conseguirá alcança-lo.

Sem mais;
Enrique Vila-Matas

E foi por isso que hoje não escrevi aquele poema...
Victor Camundongo


Victor Camundongo
Por que de repente o meu peito se encheu dum fôlego que me fez inflar, quase flutuar
acima de todas as expectativas que cada estrofe pudesse devolver a este peito antes doído.
Não mais a métrica que por trás da estética só aprisionava o tanto que tinha a dizer.
Por um dia um asco à toda poesia, a todo verso que não é capítulo, parágrafo.
Por um dia não ter mais que comprimir todo o sentimento que há em mim, por um dia deleitar-me num diário vadio, displicente, por esse dia em que não escrevi aquele poema, deixar de ser poeta e desprender-me de toda maldição ou riso dos outros...

Victor Camundongo
Victor Camundongo

Porque estar aqui entre mil aves e morenas fez-me esquecer o teu rosto pálido e frio de imperatriz.
Era Lisboa agora é Flamengo, Tijuca, Leblon. Era Maria da Graça, da Luz, Antonieta de espartilhos e longos, longuíssimos vestidos. Agora é Lourinha, Bruninha, madrinhas de bateria. 

Um mar salgado e não de lágrimas mas de suor, sereias, nos separa e eu nem mais consigo ter febre por saudade. Era o Cabo das Tormentas, Africa, Nau, agora é morro, quebrada, baile funk, e mesmo sem te amar mais, me faz falta a saudade tua que talvez me faria escrever aquele poema...

Victor Camundongo

Veja também:
Porque hoje não escrevi aquele poema 002
Porque hoje não escrevi aquele poema 003

Victor Camundongo

Por que hoje não escrevi aquele poema? Porque nem mais tempo, nem mais respeito nem mais existência alcança heterônimos, pseudônimos, bipolaridades. E numa existência errante dependente de frestas e espaços vazios eu quase que não enxergo, não alcanço o espaço em que deleitaria a minha poesia...

Vitor Camundongo


A luz esquálida... A luz esquálida... A luz!!!
Roubo, latrocínio, sequestro das minhas idéias sem devoluções, sem acordos sem seguros, o poema perdido pra sempre, a boa idéia expulsa, prematura . Aquele poema que parecia estar chegando se apresentando numa sentença geométrica...
Mas não veio, a boa idéia que não se prolonga que evapora  solitária. E repetindo essa observação monótona e fantasmagórica não consegui por hoje escrever aquele poema...  


Vitor Camundongo
Vitor Camundongo


Porque a logística das ideias não comportou a transposição do verso bonito e ritmado na mente para o assombro da página vazia. Porque as mãos desacostumadas com a caneta, não acompanharam o que a imaginação esculpia ou a boca tremula não conseguia ditar.
Porque parece que não existe no mundo mais o silêncio, extinto das coisas, impraticável nas noites ou nos ônibus, por isso impossível escrever aquele poema hoje...

Vitor Camundongo
 

Por que hoje não escrevi aquele poema rascunhado na memória?
Porque identifiquei em mim a sindrome de Bartleby, por motivos que ainda não sei quais resolvi não escrever mais. Por medo de não alcançar a qualidade de antes.
E pela tranquilidade espinhosa de; ao assumir a derrota para a sindrome, tornar intrínseco, inerente, implicito que sou um escritor ainda que em pausa.
E foi por isso que hoje  não escrevi aquele poema...

continua...

Victor Camundongo