Mostrando postagens com marcador São Silvestre. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador São Silvestre. Mostrar todas as postagens

A Corrida de São Silvestre é um EVENTO além de uma simples corrida de rua. Funciona na capital paulista como uma data festiva, também por estar alí, beirando a virada de ano. Uma data tradicionalmente marcada na vida dos paulistas, sejam eles atletas, corredores amadores ou mesmo telespectadores. Mais de 90 edições marcadas por muita emoção, de um acontecimento que marca, muda a vida das pessoas sendo um primeiro passo para diversas resoluções de vida e ano novo. Um evento que cresceu com a cidade, acompanhou as mudanças, evoluções e o crescimento da cidade de São Paulo.


Infelizmente “toda” essa atmosfera, informações e histórias, foram deixadas de lado, para ser percorrida por um viés intimista, experiemental, mas sobretudo, incompleto. Pouca emoção será encontrada no DVD “São Silvestre”, documentário dirigido por Lina Chamie.

O longa começa com a câmera presa ao corpo de um corredor, trata-se do ator Fernando Alves Pinto, que se preparou para participar da corrida e registrar cada passo dessa jornada. Depois de alguns longos minutos a câmera como se estivesse sozinha solta pela cidade visita diferentes pontos do percurso da corrida, mais precisamente a avenida Paulista, local da largada e chegada da corrida.

Nessa extensa “primeira parte” o público conhece de forma raza todo o contexto da prova. É sim boa a tentativa, como é boa também a trilha sonora composta por música clássica, interpolada com o caos da cidade. Ainda aqui o roteiro parece interessante, ao menos em sua estrutura, mas fica nisso,  sem maior contato sem histórias ou personagens, o documentário parece cansativo, sem alcançar nenhuma emoção. 


Em tempo, deixo o link aqui do Moviemento de quando participei da corrida; "Minha Primeira São Silvestre" , e triste afirmo que nem quem correu, nem o grande público que desconhece a sensação de participar da São Silvestre, encontrará nesse documentário algum vestígio dessa emoção. Por fim a sensação que se tem, é de que o longa de Lina Chamie, tinha na verdade folego apenas para um curta metragem.



Curta! Compartilhe!!! Deixe seu comentário!!!!!
Primeiros metros de corrida túnel em direção a Av. Dr Arnaldo
Continuando o texto sobre a "saga" Minha Primeira São Silvestre (link do primeiro texto)... 

...Sigo em ritmo lento nos primeiros metros, em meio a multidão, a trilha sonora da largada, "Carruagens de Fogo", o narrador empolgado saudando corredores de todos os tipos e regiões do país. Gruas e câmeras de TV vão construindo toda a atmosfera e importância do evento, que é muito mais do que uma corrida de rua. Ao menos pra mim a sensação é de estar se juntando não somente aos 27 mil escritos dessa edição, mas a todos os milhares de corredores que participaram das 88 edições passadas. É sobre-tudo estar junto daqueles de antes apenas assistia pela televisão...

Após os primeiros metros avistando o túnel ao final da Av. Paulista, já me preparo para a sequência de descida que teremos, primeiramente indo a avenida Dr. Arnaldo e depois na descida que contorna o estádio do Pacaembu.  Antes de entrar no túnel somos saudados pelas dezenas de pessoas que nos assistem lá de cima.

Fico tenso enquanto vejo aquele rio de gente, alguns corredores param pra tirar foto inclusive, é impressionante mesmo, permaneço tenso enquanto vou ouvindo os avisos de corredores mais experientes:
- Olha o joeeeelho!!!
- Cuidado com o joelho...
A gigante descida que convida a soltar o corpo pode ser bem traiçoeira, pois o impacto é bem maior do que no plano ou mesmo nas subidas. Sem contar que qualquer esforço a mais nesse início de prova pode custar bem caro depois. Mas a imagem é mesmo linda, estar imerso num rio de gente correndo.

Contornando o estádio do Pacaembu quase não temos "plateia" nesse trecho, há uma "noiva" correndo atrás de seu homem, um garçom e uma turminha da terceira idade caracterizada como a "Turma do Chaves". E mais uma descida do alto do estádio já caindo na Av. Pacaembu. É preciso ter uma passada bem ajustada, firme e constante. De volta ao plano na Av. Pacaembu já ultrapassado os primeiro quilômetros, sigo me poupando bastante, as vezes penso que até demais! Nessa altura a multidão de corredores já está mais dispersa e esse trecho largo permite correr mais e melhor. Ultrapasso um incrível "Homem de Ferro" uma fantasia que parece ser feita de EVA, mas possuí todo um mecanismo e articulações de ferro ou alumínio.


Saindo da Av. Pacaembu vem mais subida e o primeiro posto de hidratação estamos próximo do 5º KM. Muito legal e prático o fato de darem água em garrafinhas plásticas, facilita o movimento e a ingestão do líquido. Porém nem tão legal assim a muvuca que se forma ao redor das barracas de água, e detalhe, água quente e já escassa. O chão completamente molhado e as tampinhas jogadas são um enorme convite para um belo escorregão e quem sabe alguma lesão mais grave. Falando em lesão, enquanto corro imaginando como será o comportamento do meu corpo e mente após o quilômetro 12 (que pra mim passa a ser ambiente desconhecido), vejo um homem de meia idade sendo socorrido na calçada, parecendo ter algum ataque epilético ou coisa do tipo. A minha mistura de disciplina e medo (admito), apenas aumenta, na verdade é o respeito que a prova merece, afinal não se corre 15 km do dia pra noite.

Passamos pelo Memorial da America Latina, Av. Marquês de São Vicente, tudo plano novamente, 7º KM... 8º KM e aí o bicho pega mesmo pela primeira vez. Afinal, estou indo para o 9º KM e sabendo que existem mais 6 quilômetros, inclusive a temida Brigadeiro, já se passaram 50 minutos de corrida e a subida do Viaduto Eng. Orlando Murgel, bastante íngreme, deixa as pernas pesadas, os passos leeeeentos e curtos e o controle da respiração se torna ainda mais difícil e necessário.

Ufa! Continuo tentando buscar o ar que não vem, encontrar a velocidade ideal entre o permanecer correndo e quem sabe por um descuido o esgotamento total. Passamos pela Av. Rio Branco; Av. Duque de Caxias, Av. São João, Largo do Arouche; Av. Vieira de Carvalho, Praça da Republica, Av. Ipiranga, Largo do Payssandu e Rua Conselheiro Crispiniano. A essa altura próximo do quilômetro 10, percebo por quantos lugares diferentes da cidade passamos, cartões postais e lugares totalmente esquecidos como na porta de um abrigo onde vários moradores de ruas, bêbados e drogados saúdam os corredores. E eu estou cansado... 

Nesse dia em especial o céu nublado foi de grande valia pois já passa das 10 horas da manha e o calor é intenso, mesmo sem o sol se mostrar por completo.  E eu estou bastante cansado, pensando que terei que caminhar por algum momento, quando de repente vem a surpresa: Num dos últimos posto de hidratação estão distribuindo bebida esportiva. A água e mesmo um gel que trazia no bolso do shorts não tinham feito nenhum milagre até ali. Confesso que ali foi o gás que necessitava, a ultima recarga das energias... O chão fica completamente grudento, é a única hora que caminho cerca de 100 metros enquanto bebo o isotônico. Percebo que até ali o MP3 estava desligado, e com novo animo e trilha sonora parto pra cima dos 5 KM finais...

Vem o Teatro Municipal, viaduto do Chá, a essa altura muitas pessoas aplaudindo, incentivando, esticando a mão para um comprimento. Vem o Largo São Francisco e depois já enxergo o começo da Av. Brigadeiro Luís Antonio... Vale lembrar que o trecho mais famoso e temido da corrida  inicia bem no 12º KM que me é temido, também por ser um limite do desconhecido, pois em minha preparação de semanas não tive tempo pra percorrer mais do que essa distância...

Um quarteirão antes da Brigadeiro decido ligar para a Kelli minha noiva que me aguarda na linha de chegada, coisas da modernidade de um corredor amador, já que carrego o celular para usar o aplicativo de corrida... Afinal de contas fazem já 1 hora e 20 minutos de espera, tantas e tantas pessoas já devem ter passado pela linha de chegada, imagino se não estão preocupados ou exausto de tanto esperar...
-Oi!!! Estou subindo a Brigadeiro vai se preparando ai!!
- Ainda? ouço do outro lado. - Pensei que estivesse já aqui perto.
- Mas estou. Quilômetro 12, até daqui a pouco! 
De certa forma esse é outro gás que recebo pra continuar, aquela voz tão intima do outro lado faz mesmo eu me lembrar que entre quase 30 mil pessoas eu sou e tenho lá em cima pessoas especiais que me esperam. Meu pai e minha noiva...

Aqui em baixo volta a ser EU X EU (e uns 3 km de subida no meio para apimentar essa disputa). Agora é na garra, a "técnica" que eu tinha foi para conseguir chegar bem até esse momento, daqui pra frente é raça. Os primeiros passos na Brigadeiro não assustam, é uma subida pouco íngreme, quase uma falsa reta, mas vai aos poucos aumentando... Tento focar o topo, a Av. Paulista, é quando percebo o tamanho do "bicho" que parece não ter fim. 

O incentivo das pessoas na calçada é ainda maior, todos sabem que é ali que a coisa pega, muitas pessoas andando a essa altura da prova, acerto o passo, baixo a cabeça e de metro em metro sigo firme rumo a linha de chegada. Vem o meio da Brigadeiro, avisto um ultimo posto de água, mas está totalmente vazio, é quando sinto que o estômago começa a doer, vazio, com se o corpo não tivesse mais de onde buscar "combustível". - Ah não! Será? Penso desconfiado, enquanto já consigo visualizar a Av. Paulista. 

Últimos quilômetros da Av. Brigadeiro Luís Antônio
Parece até roteiro cinematográfico, mas o suspense termina por aqui, a rua vai se tornando mais plana, cada vez mais pessoas nas calçadas, e todo aquele frenesi da largada, quase duas horas depois e o clima festivo ainda é o mesmo, se não maior. Porque estamos cada um ali concluindo o seu objetivo. 
- Graças a Deus! - Obrigado Senhor! Digo em oração.
Então o sorriso já escapa no rosto e a face cansada se transforma em pura satisfação... Sou um São Silvestrino, penso. Me despeso assim de 2013 com mais uma conquista. Um ano maravilhoso, grandiosamente abençoado! Obrigado!

À Kelli Matos e José Luis Fiorante

Mesmo com o prazer e o "dever" das corridas já instalados em meus dias, passava por aquele momento de não evolução entre os 5 e 10 km, nem melhorando tempo, nem aumentando distâncias. Era mês de outubro de 2013, final de ano logo ali e a possibilidade de correr uma São Silvestre parecia bem distante, só possível com alguma imprudência, devido ao aumento da quilometragem em poucos meses.

Havia acabado de fazer exames médicos, sangue e coração que indicavam que estava tudo bem, mesmo sem uma disciplina exemplar, mesmo sem conseguir diminuir alguns quilinhos que parecem ser companheiros eternos decidi misturar um pouco de imprudência, com certa ousadia e juntar certa determinação que andava dispersa até então. Meu apoio científico foi uma planilha na revista Runners Brasil, treino de 12 semanas para a São Silvestre... Exatas 12 semanas era o que eu tinha até então.

Passei a correr 4 vezes na semana; 5 quilômetros intervalados na esteira, 500 metros fraco a uma velocidade de 7,5 km e 500 metros mais forte a 11 ou 12 km. Uma corrida de 5 ou 6 km buscando melhora nesse tempo. Oito quilômetros de rodagem incluindo algumas subidas e o famoso longão que começou a 10 e chegou a 12 km nas vésperas da corrida.

Run Kepper - Grande aliado nas planilhas
Meu objetivo era também eliminar algum peso do corpo, qualquer um (dos vários que tinha de perder) que perdesse já me dariam alguma vantagem e melhora. De fato controlei melhor a alimentação e me senti (ao menos psicologicamente) mais leve, mas efetivamente mesmo com mais treino e uma alimentação um pouco melhor não foi o bastante para emagrecer e talvez ganhar alguns segundos no pace e no tempo total da prova.

Na semana antes da prova era recomendado que desse uma boa diminuída nos treinos, mas vai batendo aquela mistura de ansiedade por querer melhorar ao máximo e a desconfiança de que na verdade não se estar pronto. Até então só tinha corrido 12 km e não haveria tempo suficiente pra chegar aos 15 km da prova alvo, de modo que nesses 3 km estaria o desconhecido, talvez o fracasso, contusão e por fim a desistência. Assim diminui um pouco apenas os treinos e arrisquei correr até sábado dia 27, restando 3 dias pra descanso total.     
Importante dizer que estávamos na semana entre festas de Natal, confraternizações no trabalho e Reveillon, e justamente nesse fim de semana antes da corrida uma bateria de eventos sociais acabaram sendo verdadeiras tentações para o "projeto" correria e boca fechada, batizado de sobrinha e almoço - rodízio japonês com namorada - churrasco no domingo e ufa segunda feira... muita água e macarrão integral, bem ou mal, de forma ideal ou não estava pronto pra corrida.

Após ir dormir quase 1h da manha da terça feira dia 31 de dezembro (o calor e um campeonato de Fifa 14 com amigos não permitiram dormir antes), levanto mais do que disposto, animado as 6 e 30 da manha para até então o meu grande dia como "corredor".

Na companhia do Sr. José Luiz (meu pai), parceiro e STAFF de todas as corridas e da minha namorada que embora não seja grande fã de esportes muito menos de grandes aglomerações (como a que iriamos enfrentar), está ali, controversa mas apoiando o que penso que é o maior apoio que se pode ter, também porque ela sabe que a corrida deixou de ser apenas um esporte e passou a ser algo que REALMENTE gosto de fazer.

Percurso da 89ª São Silvestre
Vamos de carro até o metrô Butanta e de lá via linha amarela até a Av. Paulista. Tudo bem tranquilo até aí, alguns corredores uniformizados vão ajudando e formando um fluxo de pessoas que se você estiver com alguma dúvida acerca do caminho é só segui-los.

Quando saímos do subterrâneo na estação Trianom-Masp, já estamos no meio de tudo, um amontoado de corredores e o povo que procura o melhor lugar pra assistir ou que está acompanhando aos "atletas". Preciso colocar o numero do peito com alfinetes e o chip no pé, o nervosismo e a equipe de apoio da corrida que nos impedem de ficar por ali torna essa tarefa simples uma tensão bem maior do que deveria ser. 

Restam 30 minutos pra largada, ainda não aqueci nem alonguei, e percebo que não existem banheiros químicos por ali, na verdade nem preciso mas é sempre bom, um desencargo de consciência dar aquela ultima esvaziada no tanque... Alongo, salto, ainda timidamente não tendo nem espaço para trotar, mas o percurso será bem longo e usarei o começo da prova para um aquecimento lento e crescente, quero completar a prova e não disputar lá na frente com os quenianos.

Como metade de uma barra de cereal, tomo um pouco de bebida esportiva, fico um tempo mais no alongamento até que uns 10 minutos para a largada percebo que preciso ir ao banheiro. Desço dois quarteirões pra baixo da paulista até encontrar um banheiro, volto correndo já servindo como aquecimento até que reencontro com meus acompanhantes ao mesmo tempo que ouço a trilha de "Carruagens de Fogo", o locutor entusiasmado ajuda nesse momento de certa emoção; foi dada a alrgada! Me despeço fraternalmente de meu pai e minha namorada, quero dizer a eles através de um abraço, que sou muito grato por estarem ali comigo naquela hora, mas a partir dali, sei que a coisa será comigo mesmo, os meus 12 km confortáveis e outros 3 desconhecidos quilômetros que talvez possam por tudo a perder.

Correndo em direção a multidão que caminha em direção a linha de largada, percebo que ainda teria bastante tempo, pra ir ao banheiro, fazer um alongamento ou papear pra descontrair, na verdade quase vinte minutos até efetivamente passar a linha de início da prova e iniciar de fato a corrida. Enquanto os vários personagens que compõe a corrida de São Silvestre são anunciados ao passar pelo locutor da prova, outras faixas são lidas e mensagens enviadas. Sinto falta de não ter nenhuma faixa ou banner para aquele momento, talvez uma cartolina com uma declaração de amor ou pedido de casamento... Vai ficar para a próxima.

Começo a me lembrar de cada treino de cada quilometro percorrido, as subidas encaradas numa pequena simulação da prova em busca de alguma tranqüilidade. Ajusto o GPS do Runkepper e deixo pronto pra iniciar a cronometragem, até que percebo após alguns minutos que ele não está funcionando.
-Que bacana! Penso. 
- O ano todo me acompanhando me dizendo a que velocidade eu estava ou deveria estar, média de tempo, distância percorrida e agora quando mais preciso vou ficar na mão...
Reinicio o programa algumas vezes até que ele me acha no meio da multidão, agora faltam metros para a linha de largada e já solto meu cronometro enquanto inicio um trote leve, mais saltos do que trote... A minha primeira São Silvestre teve início...