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Baseado no livro escrito pelo próprio Chris Kyle, o diretor Clint Eastwood reconta em “Sniper Americano”, a trajetória do atirador de elite em 4 temporadas no Iraque. Temporadas que deram a Kyle o título de lenda do exército americano, responsável por mais de 100 terroristas abatidos.

Nas mãos de Eastwood a biografia teve preservada toda a complexidade do personagem e os diversos temas presentes na história, não se limitando a tiros e “fogos de artificio”. Nessa mesma toada o ator Bradley Cooper que também produz o longa, tem mais uma boa aparição na telona, mais uma vez incorporando física e gestualmente o personagem.

A temática do longa, vai além da guerra, questões políticas ou simplesmente o retrato da ação e dos acontecimentos. Foca muito mais na trajetória do homem e na construção do mito ao passo que indivíduo vai se desintegrando, fomentando a luta “marido e pai”, travam para coabitar o mesmo lugar com o “soldado e herói” de guerra.

No entanto a questão mergulha um pouco mais a fundo, pois Kyle, não se vê como herói, e muito menos como um privilégio seu status e poder. Em sua visão tudo não passa de obrigação que ele tem não só com o país que aprendeu a amar desde criança, mas com seus compatriotas, cidadãos americanos e principalmente seus irmãos de guerra.

Para distorcer essa estátua de semideus quase patética de um estereotipado herói americano, a premissa do roteiro de Jason Hall, parte do princípio de que é impossível deixar a guerra e as atrocidades vividas em campo de batalha sem nenhum arranhão. Dessa forma observamos que mesmo na segurança de seu lar, entre familiares, Chris Kyle jamais deixou a guerra e por conseguinte nunca foi abandonado por aqueles fantasmas e sombras.



É nesse momento em que Sniper Americano ganha força, diferente das produções que detratavam os horrores e errôneos motivos da guerra do Vietnã, os longas produzidos a partir do 11 de setembro vão de encontro a cena macro do ser, muito menos o soldado e mais o ser humano, lembrando rapidamente; “Guerra ao Terror” 2008 e a “A Hora mais Escura” 2012.
No elenco podemos nos ater a dupla Bradley Cooper (Chris Kyle) e Sienna Miller (Taya Kyle sua esposa).  Que guardadas as devidas proporções rumam para direções opostas. Quando o que há de humano e sensível em um vai desaparecendo, no outro vai florescer a força e o sofrimento da mulher e mãe que se vê a maior parte do tempo sozinha com os filhos, chegando ao ponto de em dado momento suplicar a Chris: “volte a ser um humano”.

O roteiro desde o início deixa claro toda essa complexidade de personagens e trama, logo de cara vemos Kyle em ação com uma mulher e um menino em sua mira de seu rifle, eles carregam uma espécie de granada e partem em direção a um grupo de soldados norte-americanos. Já nesse clímax inicial há um corte para a infância do atirador quando ele aprendeu a dar seus primeiros tiros, sob supervisão do pai que desde aquele tempo inseria na mente de seus filhos a teoria sobre os três tipos de pessoas, os lobos, que fazem mal o mal, os cordeiros, que sofrem esse mal sem poder fazer nada e os cães pastores que cuidam dessas pessoas? Dessa maneira entre as idas e vindas do personagem à zona de guerra, o roteiro contrapõe esses dois espaços distintos que no entanto, tentam a impossível tarefa de coexistir ao mesmo tempo e com a mesma importância.

Mas nem só dessas locomoções é que o roteiro se serve para percorrer toda a história, assim como no primeiro exemplo da infância de Kyle, outros flashbacks são interpolados para de certa forma ajudar na construção do personagem.

Chris Kyle na vida real

A direção de arte e fotografia faz uso de grandes planos e tomadas aéreas, tons claros entre um céu azul e limpo contrapõe-se ao clima seco arenoso dos desertos e das locações no oriente médio, onde acontece todas as cenas de ação.


Com esses atributos e escolhas técnicas Sniper Americano teve 6 indicações ao Oscar 2015 e superou todas as bilheterias de 2014. Trata-se por fim de um interessante trabalho do experiente diretor Clint Eastwood e do ator Bradley Cooper que se mostra cada vez mais seguro com personagens densos e complexos. Fica no entanto, um alerta sobre a produção, principalmente nos momentos em que o discurso de heroísmo acima das polemicas discussões sobre o indivíduo e a guerra, como se uma espessa nuvem pairasse no ar sem ter coragem de tachar ou mesmo discutir o heroísmo e nobreza do personagem principal versos patriotismo e cegueira ideológica pouco abordada como se nem mesmo fosse uma opção de interpretação para o público.

A Corrida de São Silvestre é um EVENTO além de uma simples corrida de rua. Funciona na capital paulista como uma data festiva, também por estar alí, beirando a virada de ano. Uma data tradicionalmente marcada na vida dos paulistas, sejam eles atletas, corredores amadores ou mesmo telespectadores. Mais de 90 edições marcadas por muita emoção, de um acontecimento que marca, muda a vida das pessoas sendo um primeiro passo para diversas resoluções de vida e ano novo. Um evento que cresceu com a cidade, acompanhou as mudanças, evoluções e o crescimento da cidade de São Paulo.


Infelizmente “toda” essa atmosfera, informações e histórias, foram deixadas de lado, para ser percorrida por um viés intimista, experiemental, mas sobretudo, incompleto. Pouca emoção será encontrada no DVD “São Silvestre”, documentário dirigido por Lina Chamie.

O longa começa com a câmera presa ao corpo de um corredor, trata-se do ator Fernando Alves Pinto, que se preparou para participar da corrida e registrar cada passo dessa jornada. Depois de alguns longos minutos a câmera como se estivesse sozinha solta pela cidade visita diferentes pontos do percurso da corrida, mais precisamente a avenida Paulista, local da largada e chegada da corrida.

Nessa extensa “primeira parte” o público conhece de forma raza todo o contexto da prova. É sim boa a tentativa, como é boa também a trilha sonora composta por música clássica, interpolada com o caos da cidade. Ainda aqui o roteiro parece interessante, ao menos em sua estrutura, mas fica nisso,  sem maior contato sem histórias ou personagens, o documentário parece cansativo, sem alcançar nenhuma emoção. 


Em tempo, deixo o link aqui do Moviemento de quando participei da corrida; "Minha Primeira São Silvestre" , e triste afirmo que nem quem correu, nem o grande público que desconhece a sensação de participar da São Silvestre, encontrará nesse documentário algum vestígio dessa emoção. Por fim a sensação que se tem, é de que o longa de Lina Chamie, tinha na verdade folego apenas para um curta metragem.



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Clássico dos anos 80, Robocop ganha remake nas mãos do brasileiro José Padilha, diretor de Tropa de Elite 1 e 2, que dá ao policial robótico, uma roupagem mais científica e moderna com entraves éticos, políticos e filosóficos a serem resolvidos. 

Após uma reunião com produtores, onde filmes eram oferecidos ao diretor, Padilha apontou para o cartaz de Robocop e perguntou sobre os direitos daquele filme, segundo Padilha, foi sempre sua vontade dirigir o longa e passados quase vinte anos de seu lançamento, já era hora de revitalizá-lo.


Proposta aceita, o diretor então convoca Lula Carvalho para a fotografia e o montador Daniel Rezende, juntos a equipe de produção e efeitos determinada para atualizar o personagem sem perder suas referências. 

Esse é o primeiro longa dirigido por José Padilha, fora do Brasil, mais conhecido por Tropa de Elite, o trabalho do diretor e roteirista ganhou destaque desde “Ônibus 174” (2002), Padilha foi responsável por diversos outros documentários, como “Os Carvoeiros” (2000), “Estamira” (2004) e “Garapa” (2009).  Desses trabalhos Padilha levou (na medida do possível), tanto para Tropa de Elite quanto para Robocop, características investigativas dos documentários.

Desta forma com roteiro de Nick Schenk, Robocop volta às telas para tratar entre outras coisas da ilusão do livre-arbítrio do individuo diante das grandes corporações e governos. Na trama o policial Alex Murphy após descobrir uma rede de corrupção dentro da policia é vitima de um atentado que explode seu carro e o deixa com mínimas chances de levar uma vida normal. 

Preso num resto de corpo que lhe sobrou, Murphy é visto como a grande oportunidade para Raymond Sellars (Michael Keaton), um mega empresário envolvido na indústria robótica ,usada para segurança social e militar ao redor do planeta. Raymond quer criar um “herói”, um personagem, um robô com consciência que possa driblar a lei que proíbe drones e andróides em solo americano. 

Enquanto o primeiro longa também abordava diversos temas  como tecnologia, ciência e segurança, só que de uma forma mais branda, quase imperceptível. O filme de José Padilha investe no leque de possibilidades e temas, sem, no entanto, se perder pelo caminho. Ao mesmo tempo em que somos conduzidos pelo drama do policial robótico, acompanhamos de perto outros conflitos de cunho científico como nos faz pensar o personagem de Gary Oldman e ainda Samuel L. Jackson vivendo um tendencioso apresentador de TV, que conduz parte da história através de seus discursos, como se fosse uma terceira camada do roteiro.

Mais conhecido do seriado The Killing, o sueco Joel Kinnaman faz um bom trabalho no papel principal do longa em meio a grandes nomes, não se intimida, dedicado durante a pré-produção enquanto os trajes e materiais eram testados, o ator se mostrou preparado para as cenas de ação mesmo coberto por uma verdadeira armadura. Ao redor de Joel, um elenco de estrelas, com atuações condizentes com a carreira de cada um, dá mais força ainda a produção. Gary Oldman, Michael Keaton e Samuel L. Jackson, são os nomes de peso do longa, que tem ainda as boas presenças de Abbie Cornish, Jackie Earle Haley (o Rorchark de Whatman) e Jay Baruchel

Daniel Rezende responsável pela montagem, esteve por trás de outros diversos trabalhos sendo indicado ao Oscar por “Cidade de Deus”. Além de “Diários de Motocicleta”, “O Ano em que meus pais saíram de Férias”, “Cegueira”, “As melhores coisas do mundo”, “A árvore da vida” e “On the Road”. 

Em Robocop, a montagem segue o ritmo rápido e turbulento das mudanças na vida do personagem principal, se por um lado a história se constrói de forma linear, os acontecimentos são mostrados na velocidade midiática que cerca as decisões políticas, descobertas científicas, programas de televisão e repercussão na sociedade. Tanto montagem quanto o roteiro de Nick Sckenk, são repletos de transições instantaneamente ligadas umas a outras, e aqui o personagem de Samuel L. Jackson ganha a importância de um narrador dentro da história a situar o contexto e diferentes interesses em toda a trama.

Lula Carvalho assume a direção de fotografia, mais um nome vindo da equipe de Tropa de Elite, que em Robocop trabalha com tons azulados e cenas bem iluminadas, bem definidas, o que de certa forma, junto da direção de arte, transmite o clima hi-tech em que os personagens estão inseridos, junto a isso a câmera se movimenta de forma rápida e em alguns momentos semelhante à visão que se tem nos games.

Por fim, nota-se as sábias escolhas do diretor José Padilha, que desde elenco à equipe técnica, acertou em cada uma das escolhas, um time talentoso que tratou cada detalhe do longa com primazia e fez com que esse remake, não parecesse obsoleto, mas consegue acrescentar valor ao que já foi feito, em parte como homenagem e noutra como um passo a frente na visão do diretor. 



Tim (Domhnall Gleeson) é um jovem introspectivo, que não tem lá muito jeito com as mulheres, namoradas etc... Quando completa 21 anos seu pai lhe revela o segredo da família; que os homens daquela família possuem o poder de viajar no tempo, bastando ir para um local escuro e pensar com afinco numa determinada época e pronto! Lá estará ele, desde que tenha vivido aquela situação, poderá voltar aquele momento quantas vezes quiser. 

Questão de Tempo é uma "comédia romântica" com um "Q" de ficção científica, “q” minúsculo na verdade, pois, mesmo diante desse grande feito dos personagens (viajar no tempo) e mesmo sem a presença de teorias científicas ou físicas para embasar o roteiro, embarcamos e acreditamos sem problema na história de Tim. De certo ponto, essas viagens no tempo são o que menos importa na trama, sendo de maior destaque e deslumbre o esforço que o personagem faz para encontrar sua cara metade e construir sua vida, familiar, profissional e sentimental. Será essa viagem que iremos acompanhar, suas inda e vindas e a conseqüência que cada mudança provocada no passado, terá no futuro.

A direção e o roteiro é de Richard Curtis, responsável por Quatro Casamento e um Fúneral, O Diário de Bridget Jones e Um Lugar Chamado Notting Hill, ao relembrar esses filmes pode-se imaginar o tipo de humor que veremos em “Questão de Tempo”, previsão que se confirma com um roteiro inteligente e personagens reais, que desde o primeiro instante nos faz torcer e nos reconhecer em cada um de seus dramas, dificuldades e trapalhadas. Passando pela boa atuação de Domhnall Gleeson no papel principal aos constantes roubos de cena que Bill Nighy (pai de Tim), provoca provoca quando está em cena.

Por fim a grande sacada de “Questão de Tempo” não está no ineditismo do tema, “viajem no tempo”, aja vista filmes como Efeito Borboleta, Alta Frequência, Feitiço do Tempo entre outros, mas sim no enfoque dado a esse tema mágico que perto da beleza dos detalhes de nossas vidas, fica parecendo normal, quase banal.


Previsto para o verão de 2015, a continuação de Jurassic Park, terá a missão de fazer a franquia voltar a faturar nas bilheterias depois do decréscimo que cada um dos três primeiros filmes teve.

E as chances disso acontecer são grandes, pois, mais de 20 anos do primeiro longa que levou multidões aos cinemas, trazendo efeitos que revolucionaram a tecnologia do cinema daquela epoca.

A produção é de Steven Spilberg e Chris Pratt e Bryce Dallas Howard são os protagonistas do longa, a direção é de Colin Trevorrow





Ao final do longa “300” (2007), depois que conhecemos a heróica batalha de Leônidas e seus homens, uma nova marcha do exército grego unificado contra as tropas de Xerxes é anunciada. O criador dos quadrinhos e roteirista Frank Miller e o diretor Noam Murro, contam em “300 - A Ascensão do Império” como se chegou a essa união da Grécia contra Xerxes, numa história paralela a saga de Leônidas e seu exército de 300 bravos soldados.

Antes de uma batalha a rainha Gorgo viúva de Leônidas (Lena Headey), conta a seu exército os feitos do general ateniense Themistokles (Sullivan Stapleton), durante a Batalha de Maratona, quando matou o rei Persa Dário, pai de Xerxes. Segunda a lenda, isso teria dado origem ao ódio que Xerxes sente pelos gregos, e um dos principais motivos por mais tarde, já como o Deus-Rei, iniciar a marcha para dizimar o povo grego da face da terra.

Deste ponto de vista somos levados a conhecer a história do General Themistokles, enquanto Leônidas segurava o exército de Xerxes nas Termopilas, outra batalha acontecia em alto mar entre as tropas Gregas e os navios persas liderados pela determinada e sanguinária Artemisia (Eva Green), que assim como Xerxes também nutri um profundo desejo de vingança contra os gregos. É agora essa história que interessa.

Aproveitando um mesmo veio narrativo, que no primeiro longa é direcionado pela narrativa em off do personagem Tilos sobre os feitos de Leônidas, o diretor Noam Murro repete a mesma formula com roteiro de Zack Snyder, Kurt Johnstad e do próprio Frank Miller (autor da obra original). Dessa forma vemos novamente cores fortes, num filme por vezes escuro, fotografia com cores e tons estourados, ótimo 3D nos efeitos especiais e uma trilha sonora que dá ritmo e maior emoção nas sangrentas cenas de batalha. Câmeras lentas e muito sangue jorrando na tela são características aqui até mais exploradas do que no primeiro filme. Porém, se em alguns momentos tais repetições parecem exageradas e oportunistas, como por exemplo um novo “núcleo” de pai e filho disputando a guerra lado a lado, assim como tínhamos visto no primeiro longa, esse mesmo oportunismo ou falta de criatividade não chega a comprometer a produção.

No elenco a participação um pouco maior do brasileiro Rodrigo Santoro como o Deus-Rei Xerxes, e a presença contundente de Sullivan Stapleton como Themistocles, não despertam tanta atenção quanto o trabalho de Eva Green, que consegue tirar de um personagem com uma rica história, uma atuação que rouba a cena, e a coloca como centro das atenções e até mesmo responsável pelas principais ações de toda a história.


Nem mesmo supostas incoerências e inverdades históricas que causam discussões entre os especialistas do tema, devem fazer de “300 - A Ascensão do Império”, uma experiência fílmica menos prazerosa, pois mesmo com uma violência explícita que as vezes parece desnecessária, e bebendo constantemente dos acertos do primeiro longa, o filme de Noam Murro, cumpre com aquilo que propõe, e com o que se pode esperar dessa que não continua, mas amplia toda a história das batalhas entre gregos e persas. Posto isso e principalmente lembrando que toda a história vem de uma adaptação dos quadrinhos de Miller, ou seja, não são os dados e a fidelidade histórica dos fatos a maior preocupação a ser seguida; a produção acaba sendo justa e eficaz. Para os que já gostaram do primeiro longa, vale a pena conhecer mais essa parte da história.


Depois dos clássicos filmes da década de 70, e da versão de Tim Burton absolutamente perdida em meio à cronologia da saga Planeta dos Macacos, o diretor Matt Reeves segue reconstruindo e costurando essa história que antes parecia perdida em meio a vários buracos entre os filmes e no próprio roteiro. Primeiramente com o longa “Planeta dos Macacos – A Origem” (2011) e agora com a continuação, “Planeta dos Macacos – O Confronto”. Com isso o diretor quer unir uma ponta à outra da história, traçando desde a origem do confronto ao mundo futuro onde os macacos são quem governam o planeta.

Após os eventos do primeiro filme, onde um grande grupo de macacos foge da cidade, e um vírus mortal aos humanos se espalha pelo mundo. A situação 10 anos depois toma contornos catastróficos. Organizados numa complexa estrutura social, liderados por César, os macacos permanecem isolados vivendo em plena comunhão numa região próxima a cidade dos homens, mas proibidas a eles, enquanto entre os homens o vírus chamado de Símio, produzido pelos próprios humanos em laboratório, dizima grande parte da civilização.

Enquanto explora o terreno dos primatas em busca de recursos, um pequeno grupo de humanos é descoberto pelos macacos. Na verdade eles procuram por uma antiga hidrelétrica, com a esperança de poder reativá-la e assim dar um novo rumo ao que restou da cidade. Dessa forma quando humano e macacos estão em situações iguais, lutando pela própria sobrevivência, é que o confronto se mostra inevitável.

A grande sacada e o motivo que faz valer essa retomada do universo “Planeta dos Macacos”, é a história recontada de uma maneira muito bem contextualizada, crível, e dessa vez bem amarrada, passo a passo, desde a origem do problema ao caos futuro.

O roteiro não se limita ou caminha apenas numa complexa ficção científica, mas evoca questões atuais e de total pertinência aos dilemas humanitários, e porque não dizer de escalas políticas até. Talvez essa extensa gama de discussões possíveis, não fique a mostra de forma explícita, o que de certa forma é mais um acerto de como a direção e roteiro levam a história. Exemplificando; vemos a fragilidade das civilizações diante de grandes crises, que com assustadora facilidade se desarmam de todo valor e se aproxima da selvageria; vemos ainda a forma como temos usado os recursos naturais e como nos tornamos cada vez mais reféns disso, sendo que cada vez menos nos preocupamos ou de fato agimos para viver de uma forma auto-sustentável, isso fica bem evidente na demonstração de como os macacos com parcos recursos conseguiram se manter em harmonia ao passo que os homens beiram o total colapso. Do ponto de vista político, o medo e as relações instáveis espalhadas pelo globo terrestre são lembradas no longa, por meio de uma retórica que lança ao ar a pergunta: Quem atacará primeiro? Diante disso, nosso comportamento é sempre atirar a primeira pedra, míssil, ou granada. Porém, nem só aos humanos cabe a críticas, pois quando os macacos são invadidos por sentimentos e por certa ciência humana, estes acabam também criando seus próprios conflitos, como mostrará o constante conflito entre César e Koba seu opositor ideológico.



Tecnicamente perfeito, com mais uma grande atuação de Andy Serkis, responsável pelos movimentos de Golum na saga “Senhor dos Anéis”, “O Hobbit” e “King Kong”, todos dirigidos por Peter Jackson, aqui Serkis dá vida aos movimentos e expressões de César, que junto de um grande aparato tecnológico, completa uma incrível construção dos personagens primatas. A recriação de um mundo quase apocalíptico contrastado com a floresta onde vivem os macacos também merece destaque, assim como a trilha sonora, forte, e que anuncia a todo instante, a construção de que algo grandioso está para surgir.

No núcleo humano, apenas Gary Oldman consegue algum destaque com o personagem Dreyfus, uma espécie de líder comunitário em constante conflito interno entre a necessidade da luta para sobreviver e o espaço de tolerância com o próximo. No mais, os personagens de Jason Clarke (Malcolm), e Keri Russell (Ellie), junto de seu filho, formam uma família que consegue viver entre os dois mundos de homens e macacos sendo porta-vozes dos dois extremos, em papéis completamente esquecíveis, que apenas travam e impedem maior e melhor avanço da história, talvez sendo esse o erro mais grave da produção que de fato limitou o potencial do longa, deixando a expectativa que em sua continuação o grande filme de “Planeta dos Macacos”, possa enfim acontecer por completo.

Veja mais informações e uma grafic novel resumindo toda a história no site oficial do filme


John Green e seu livro “A Culpa é das Estrelas” já eram sucesso de venda e público nas livrarias, agora levam todo esse batalhão de fãs aos cinemas. Nas livrarias outros tantos livros do autor são lançados e pipocam nas listas dos mais vendidos. Mesmo estando na perigosa e dúbia prateleira dos mais vendidos ( que nem sempre traduz o que é melhor), o trabalho do autor parece sim diferenciado, não é um novo gênio da literatura que estará nas coleções de CLÁSSICOS daqui a 40, 50 anos. Mas é um autor imaginativo que encontrou um nicho não explorado na literatura infanto-juvenil. Ou melhor, romances “românticos” entre jovens juntos a alguma desgraça se tem aos montes por aí, mas Green encontrou uma maneira diferente de confrontar e explorar o tema.

A história de Hazel Grace é sim dramática, mas realista, ingênua e madura ao mesmo tempo, é como se autor e personagens não se levassem tão a sério e por isso se tornam ainda mais humanos e verdadeiros. De forma implícita o autor deixa a deriva uma breve discussão sobre o exercício da escrita e suas nuances, flutua entre metalinguagens sem ser teórico ou chato por demais.

Hazel Grace é uma jovem de 17 anos portadora de um raro tipo de cancer que faz com que ela  saiba que seus dias serão instáveis e não muito duradouros. No entanto, por um milagre ou exceção da regra, o câncer que a levaria rapidamente a morte foi estabilizado por uma droga experimental que só surtira efeito nela mesmo.

Quando é incentivada pelos pais a frequentar um grupo de apoio a jovens terminais denominado “No Coração de Jesus”, Hazel segue descrente e armada de comentário ácidos a cerca das falsas esperanças que os outros demonstram, quando na verdade todos inclusive ela, sabem muito bem o fim de cada um ali. Em umas das sessões do grupo Hazel dá de encontro com Augustos Waters, um sobrevivente do câncer e mais um integrante do grupo. Gus de imediato se encanta com a moça e desse interesse irá nascer mais do que um grande romance, uma linda e verdadeira amizade.

Gus, um rapaz de 18 anos, com uma perna apenas e virgem, como ele mesmo destaca em algumas de suas apresentações, possui uma forma bem diferente de encarar o problema e a vida que resta a todos naquela situação. Como a um choque, um novo despertar, essa amizade esse encontro vai produzir em Hazel um novo fôlego de vida, mesmo que quase sem conseguir respirar ela tenha que lutar e caminhar muito para correr atrás de todos os seus sonhos.

Quanta responsabilidade ou quanta irresponsabilidade necessária ao adaptar um trabalho literário para o campo cinematográfico... Manuais de roteiro e adaptação incitam os realizadores a ter “total desrespeito” pela obra, afim de não ficarem presos aquela realidade e não conseguirem, transpor, adaptar o texto para a tela.

No entanto o diretor Josh Boone de "Ligados pelo Amor" aliado a dupla de roteiristas do ótimo "500 dias com ela" Scott Neustadter e Michael H. Weber parecem ter ignorado ou abandonado qualquer regra ou pretensão de adicionar algo a mais na história de Green, o que por sinal foi uma escolha acertada, pois, realizaram uma adaptação serena, que procura ser fiel ao livro e com isso, leitores de “A Culpa é Das Estrelas” podem ter a simples e prazerosa oportunidade de verificar na tela o que antes construíram em sua imaginação. Rever, reler a história em tempo comprimido e intenso, que trás a tona toda a emoção antes dividida e sentida lentamente a cada ruflar das páginas.

O roteiro da história e principalmente o ritmo foi mantido, pois as acelerações e desacelerações no ritmo da história são características importantes que remetem a fragilidade e inconstância dos personagens. No elenco, caras novas do grande público, Shailene Woodley (Hazel) e Ansel Elgort (Gus) e principalmente suas atuações favorecem o reconhecimento entre leitores-espectadores e personagens. A dupla com naturalidade conquista a empatia do público que parece ser o principal fator para a comoção geral.
Com passagens menores mas que dão maior peso ao elenco Willem Dafoe e Laura Dern estão muito bem, com presenças marcantes mas que não competem com os protagonistas.


Em verdade no tênue caminho que as adaptações percorrem o melhor resultado nem sempre são aqueles que nos surpreendem ou mostram algo novo, mas sim que nos permitem reviver aquela história sem grande, ou nenhuma estranheza, e nisso o longa “A Culpa é das Estrelas” cumpre com o esperado, pois através dele conseguimos mais do que reconhecer personagens e a história, conseguimos nos reconhecer como leitores que outrora fomos. 

A nova versão de Godzilla do diretor Gareth Edwards segue a premissa e influência dos clássicos filmes da década de 50 que mostram “Gojira” em lutas contra outros monstros. Bebendo ainda da influência e do trauma da bomba atômica, seguindo o caminho que deu origem aos seriados japoneses como Ultraman, Jaspion e outros. O Longa de Gareth opta por “justificar” a história muito mais pelo viés Sci-Fi do que por motivos científico como fez Spilberg em sua versão.

No entanto, o que parecia ser um caminho interessante a seguir, esbarra num roteiro mal planejado, que deixa o Monstro como segundo plano em toda a história. Tudo bem com o fato de perceber a trama e o colossal Godzilla aos poucos, contudo, o que seria um suspense, nas mãos de Gareth Edwards se torna uma cansativa e frustrante espera. 

Após um misterioso acidente numa usina no Japão, o engenheiro Joe Brody (Bryan Cranston) perde sua mulher e de agora em diante deverá criar seu filho sozinho. Porém Joe não aceitou as explicações dadas pelas autoridades a respeito daquela catástrofe e permanece angustiado tentando descobrir a verdade. Quinze anos se passam e seu filho Ford Brody ingressou no exército americano enquanto o pai distante, ainda persiste com os fatos de 15 anos atrás. 

Quando Ford recebe uma ligação do Japão dizendo que seu pai fora preso mais uma vez tentando invadir áreas proibidas ao acesso de civis, parte para reencontrar com a história de sua família deixada para trás, e terá um encontro não só com seu passado mas com um fenômeno gigantesco capas de mudar o futuro de toda a civilização mundial.


Criado pela Legendary, realizadora de “300”, “Homem de Aço” “Circulo de Fogo”, “Fúria de Titãs II” entre outros, os efeitos especiais são incríveis (quando resolvem mostrar o bichão), um Godzilla realmente gigantesco que caminha diante de prédios como se esses fossem pequenos obstáculos ao seu redor, bem maior que a versão de Spilberg que acabou prendendo o monstro nos cabos de uma ponte de Nova York. De qualquer forma nem uma característica nem outra atrapalham qualquer um dos longas, nem o elenco que apesar de inocente, não alcança o público com empatia e tão pouco dá espaço para que o verdadeiro protagonista apareça.

A própria direção não interfere na qualidade da “fita”, aliás entrega bons (e raros) momentos de ação, apesar de exagerar na escuridão das cenas, quando finalmente foca o Monstro, o mostra com magnitude que um gigante merece diante de outros reles mortais.

Em tempo, vale dizer que o incomodo em Godzilla não é a falta de ação, mas a sensação de uma propaganda enganosa na qual se promete uma coisa e se mostra outra. Fato igual ocorreu com “Círculo de Fogo” (já citado aqui) e a franquia “Transformers” de Michael Bay, que preferiu em função dum roteiro desacertado, focar humanos e seus exércitos ao invés de incríveis robôs transformados em automóveis. Sendo que são ESSAS incríveis criaturas que arrastam multidões de fãs aos cinemas... 

Por fim, nem tamanha atrapalhada consegue derrotar por completo o longa, pois quando Godzilla está em cena é pura diversão, e diante desses momentos fica bem difícil não se instalar certa empatia entre monstrengo e público. Mas o espectador precisará passar por uma série de diálogos e suspenses desnecessários, que podem cansá-lo e tornar o a experiência bem menos interessante.