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Em 2010 um acidente no SeaWorld envolvendo a treinadora Dawn Brancheu, atacada e morta por uma Baleia Orca com quem realizava um show, trouxe à mídia a escandalosa e chocante notícia... Após o burburinho e sensacionalismo da imprensa, a diretora Gabriela Cowperthwaite resolveu investigar melhor essa história, e nos relata de forma investigativa e documental em Black Fish. "Não é algo único, temos que voltar atrás para ver o que aconteceu", diz um ex funcionário do parque em depoimento frente a camera, e é isso que a diretora faz. 

O documentário mostra como as Orcas são capturadas ainda filhotes e separadas de suas mães. Depois são colocadas em tanques minúsculos (considerando o seu tamanho) junto de outras baleias vinda de diferentes lugares e sociedades. Sabe-se que as Orcas possuem um complexo sistema social, com "dialetos" e regras próprias que influenciam diretamente no convívio do grupo. Assim, a partir do momento que se faz essa mistura, num lugar onde os indivíduos são obrigados a conviver um com outro, muitas agressões acontecem entre os próprios animais. É nesse cenário que o filhote Tilikum é inserido, a partir de então sua vida e a de todos ao seu redor nunca mais será a mesma.

Percorrendo o trajeto de "Tili" que mais tarde seria a principal atração do SeaWorld, o documentário passa por outros acidentes envolvendo o próprio Tilikum e animais de outros parques. Desde a captura a traumática separação de mães e seus filhotes, escancarando o mercado valioso que essas espécies se transformam para a procriação em cativeiro, visando sempre o lucro e a manutenção do "Show". 

Tocante, intrigante e esclarecedor, num trabalho que investiga, informa e nos faz repensar nossa relação com o meio ambiente. Mostrando que o incidentes nos parques aquáticos na verdade eram como bombas relógio, crônicas de uma morte ou acidente anunciado.  


Já disponível no Netflix e no NOW
Veja também: O Homem Urso de Werner Herzog
Tudo por um Sonho narra a história do surfista Jay Moriarty que aos 15 anos fica obcecado pelas Mavericks, ondas gigantescas do litoral da Califórnia e treinado pela lenda do surf  Ricky "Frosty" Hesson   parte de encontro a esse sonho e desafio que pelo menor vacilo pode se tornar mortal. Para isso Jay treina e estuda duro, e em qualquer erro que cometa Ricky, um tutor experiente e bastante exigente está ali para repreende-lo duramente e lembrá-lo sempre do perigo à frente.

Jonny Weston é uma boa surpresa no elenco que conta com Elisabeth Shue, numa atuação mal explorada e Gerard Butler, num personagem confuso que o ator não consegue traduzir quais são seus verdadeiros dramas e motivações. Já Jonny parece a vontade interpretando com tranquilidade o pacato e bondoso Jay Moriarty, sem com um sorriso no rosto, coragem e determinação em suas tarefas, mesmo num papel tão "simples" propenso ao lugar comum o ator consegue manter-se com naturalidade na abordagem que faz do simpático Jay Moriarty.


A direção de Michael Apted e Curtis Hanson se não é um problema para o longa, acrescenta pouco, mantem-se escondida por de trás de uma boa história apenas contando-a. A empatia com o longa e principalmente com o personagem principal, de certo existirá, mas não pela condução pouco inspirada de seus criadores. Mesmo quando acertaram na tentativa de inserir dramas externos, além do mar que cercam e influenciam os personagens, o fizeram de forma preguiçosa ou mal explorada. 

O Longa chegou ao Brasil direto para as locadoras em abril de 2013, e por algumas belas imagens e pelas história e feitos de Jay Moriarty vale sim a pena, ser assistido.    

Jay Moriarty e seu tutor Ricky Frosty 



Um caminhoneiro solitário e rabugento conhece um garoto alegre e bondoso com quem vai aprender coisas valiosas sobre a vida...

Não poderia haver tema e contexto mais clichê no cinema certo? No entanto, “À Beira do Caminho” novo filme do diretor Brenno Silveira de “Gonzaga – de Pai pra Filho” (2011) e “2 Filhos de Francisco” (2005), arrisca-se bem próximo ao lugar comum de um tema bastante repetido, em outros momentos abusa de sentimentalismos, mas com atuações pontuais e convincentes do ótimo João Miguel e do garoto Vinicius Nascimento, não se queima por completo e sobrevive como um bom título agora disponível nas locadoras.

Após contar a história da dupla sertaneja Zezé Di Carmago e Luciano (2005) e de Luiz Gonazaga (2011) em seus filmes anteriores, o diretor Brenno Silveira conta-nos a história de João (João Miguel) e suas viagens pelas estradas brasileiras. Se nos longas anteriores os personagens eram músicos famosos, dessa vez o personagem é um homem comum, mas a MPB está presente no novo filme do diretor, as canções de Roberto Carlos são em “A Beira do Caminho” quase um personagem, ao lado da belíssima fotografia do filme, grandes planos que mostram a solidão do sertão e das estradas, pontuam o ar melancólico que os personagens carregam.

A história tem início quando certo dia enquanto João escuta barulhos na caçamba de seu caminhão, enquanto atravessa uma estrada deserta. Com uma arma na mão vai averiguar quando assustado se depara com um garoto escondido no veículo. Assustado o menino pede à João que não atire e nem o deixe no meio daquele nada. Piedoso ainda que bastante relutante João aceita a situação e decide levar o menino até a próxima base militar, porém, quando chega no lugar o guarda de plantão não permite que ele deixe o garoto por ali e o instruí a leva-lo até a delegacia numa próxima cidade. Chegando lá o delegado da cidade está de férias e mais uma vez o garoto volta para a cabine do caminhão. Assim o que era uma carona curta se transforma numa longa viagem à São Paulo onde João vai fazer um entrega e Duda vai tentar encontrar o pai de quem sabe muito pouco, apenas o que diz o endereço numa foto antiga.

Nessa viagem o que era mais do que previsível se cumpre, aos poucos surge entre os dois uma cumplicidade que derruba o que antes era distância e aversão. Essa transformação porém, é demonstrada através de várias cenas clichês e em certos momentos até piegas, em contrapartida mesmo tendo nas mãos um texto raso, a dupla de atores consegue evitar que o longa caia numa mesmice desinteressante. Escolhido entre mais de 800 garotos Vinicius Nascimento consegue dar o tom de doçura, rebeldia e tristeza que seu personagem pede, sem torná-lo caricato ou mesmo chato. Já João Miguel depois de suas várias e ótimas atuações desde “Estômago” (2007) e “Cinema, Aspirinas e Urubu” (2004) aos recentes “Xingu” (2012) e “Gonzaga de Pai pra Filho” (2011), repete em “A Beira do Caminho”, mais uma atuação convincente, principalmente por nunca haver força demais em seus gestos e expressões, a força que caracteriza seus personagens vem da simplicidade daquilo que é natural e verdadeiro. Completando o elenco; Dira Paes e Ângelo Antônio tem passagens curtas e boas.

Quanto a direção, diante do enredo previsível, Brenno Silveira não se esforçou para esconder isso, acertadamente diga-se de passagem, pois trabalhando com o que tinha em mãos conseguiu bons resultados; inserindo flash–backs sobre o passado de João que deram mais vida a história “meio manjada”, por outro lado como se fossem vinhetas surgem de tempo em tempo frases de rabeiras de caminhão e noutros momentos as cenas são mais demoradas e lentas, o que neste caso é um acerto, pois condiz com o ritmo da história e o contexto em que estão os personagens.

Por fim, nota-se que ao depara-se com uma história de ficção, onde as possibilidades eram maiores, o diretor Brenno Silveira demonstra ainda algumas manias ou resquícios de características das outras produções, ao mesmo tempo, parece já anunciar algum crescimento deixa boa expectativas para seus próximos trabalhos.



Com "Turbo", lançamento da DreamWorks o diretor David Soren vem contar mais uma história de superação, baseado no lema: Nenhum sonho é grande demais e nenhum sonhador é pequeno demais. Esse tema já foi visto tanto no cinema como na literatura, a transformação do ordinário para o extraordinário; Wall E, Formiguinha Z e Fernão Capelo Gaivota só para citar alguns exemplos. No entanto, em Turbo essa saga é vivida por um caracol fascinado pelo mundo das corridas e velocidade. E é nesta ironia (Caracol x Velocidade) que o longa aposta para cativar o publico, tendo ainda uma bonita mensagem que "surge" em meio a graça e o bom humor. 

Quando o dia amanhece num canteiro do jardim, o som de um bule na janela é para uma colonia de caracóis o som que determina o início de mais um dia de trabalho. Pegar tomates maduros, escapar dos ataques das aves e seguir a instrução mais importante: Entoca e rola... Assim segue os dias de centenas de caracóis exceto o de Theo que está mais preocupado em alcançar novas velocidades e derrubar antigos recordes de velocidade. No entanto, isso é visto com maus olhos por todos os outros caracóis e principalmente por seu irmão Chet, que sendo um dos líderes do grupo preza pelo cuidado e ordem de todos.

Em meio a esse impasse de não se enxergar entre os outros indivíduos do grupo e estar perdido em uma vida que parece não fazer sentido. Theo caminha desolado por um viaduto, quando acidentalmente cai dentro do motor de uma carro de corrida e nisso seu corpo passa por uma espécie de mutação que lhe dá uma super velocidade. A partir daí a saga de Theo, ou melhor Turbo (como se autodenomina) tem início, é quando ele e seu irmão Chet entram no caminho de Tito, um frustrado vendedor de comida mexicana que até ali também não havia encontrado motivação maior para sua vida, nem meios para realizar seus sonhos. Mas agora com Turbo, seu "amiguito", como é carinhosamente chamado os dois encontrarão meios para levarem seus sonhos adiante e a audácia ou irresponsabilidade dessa dupla os levará às 500 Milhas de Indianápolis.





No elenco um time de respeito faz as vozes dos personagens; Ryan Reynolds(Turbo), Paul Giamatti(Chet), Snoop Dogg, Luiz Guzman, Michelle Rodriguez e Samuel Le Jackson. A animação, cor e os detalhes do longa são lindos, capazes de dar doçura a criaturinhas tão gosmentas como os caracóis. As cenas de corrida também são muito boas, realistas e empolgantes, cabendo até em dado momento uma nova versão de "Eye of the Tiger" para turbinar de vez a empolgação do personagem principal e por conseguinte do público.

É assim que o filme Turbo deve ganhar o espectador, que inicialmente enxergará apenas uma história meio absurda, mas depois verá que ali, em meio a caracóis e carros de corrida podem estar muito de nossas angustia e sonhos, no entanto como nos diz o "nosso amiguito": Não existe sonho grande demais, nem sonhador pequeno demais".

Veja o trailer abaixo:





Frank e o Robô vencedor do troféu Alfred P. Sloan no Sundance Filme Festival 2012, com Frank Langella, Liv Tyler e Susan Sarandon. Vejam o trailer e leiam a crítica que escrevi no Cinecult do nosso parceiro o Cinemista.
crítica do filme: Frank e o Robô .



A Pequena Loja de Suicídios, longa de animação numa co-produção de França, Bélgica e Canadá. Vejam o trailer e leiam a crítica escrita por mim no parceiro O Cinemista


 Publicado novo post no O Cinemista sobre o filme "Amor à Flor da Pele" Confira!!!