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Assistindo o programa Sr.Brasil, da TV Cultura, apresentado por Rolando Boldrin, conheci a história do artesão Zé Monteiro, que descobriu a arte na terceira idade, e hoje compartilho com você um pouco dessa transformação que a arte realizou. 

Em 2004, problemas cardíacos deixaram o caminhoneiro de Arcoverde desenganado pelos médicos. Mas com fé, ele recuperou a saúde e o contato com o artesanato foi o “remédio” encontrado pela família para que ele ocupasse o seu tempo, já que dirigir ele não poderia mais. Foi lapidando madeiras que Zé Monteiro reviveu a infância do Sertão. Criando quadros de forma bem primitiva, sem técnica e recheado de cores, ele deu vida aos retirantes e personagens do interior pernambucano. E foi o seu traço simples que encantou Roberto Rugiero, pesquisador e especialista em arte popular brasileira, que levou boa parte das suas peças para a Galeria Brasiliana, em São Paulo. "A arte de Zé Monteiro é inspirada na vida do povo nordestino.

É a história dele. E era isso que o Rugiero estava procurando. Assim que ele viu as peças de papai, comprou todos os quadros. Até então, todas as suas pinturas ficavam em casa", explica Lúcia Monteiro, artesã e filha do artista plástico. Da sua produção local, num simples ateliê em Arcoverde, a arte de Zé Monteiro chegou a exposições no exterior, em países como França, Alemanha, Estados Unidos e tambémfoi contada no documentário Zé Monteiro, o homem que venceu cinco mortes, do cineasta Wilson Freire. O interesse pelo tema, somado ao desejo da família em expor o legado do pai, foram essenciais para a produção do documentário de 20 minutos. "Gosto muito de fazer os meus bonecos.

Agora mesmo fiz uns dez São Franciscos. E me senti bem, muito satisfeito, ao ver o filme que fizeram", canta Zé Monteiro. O documentário é narrado em cordel, com textos de Wilson
Freire, e usa as imagens do artesão na Fazenda Dezerto e de suas inúmeras obras, misturando o que há de mais tradicional na literatura pernambucana. "O tempo que Zé
Monteiro retrata não é o presente, mas o passado. O cangaço, a seca, Luiz Gonzaga. Não tínhamos imagens animadas, vivas, documentais sobre isso. Veio a ideia: ele próprio vai ser o fotógrafo e o cineasta das suas próprias imagens", afirmou Wilson Freire. 

Marcelo Andrade é jornalista na produtoramc e escreve sobre arte e cultura no portal artenomovimento.com.br e colabora com o Moviemento.
Trecho da entrevista de Haroldo de campos no Roda Viva da TV Cultura



No site http://www.poesiaconcreta.com/ muito material sobre a poesia concreta.



Poema concreto e cartazes tipográficos

Trecho do Manifesto Concretista 

poesia concreta: um manifesto

- a poesia concreta começa por assumir uma responsabilidade total perante a linguagem: aceitando o pressuposto do idioma histórico como núcleo indispensável de comunicação, recusa-se a absorver as palavras com meros veículos indiferentes, sem vida sem personalidade sem história - túmulos-tabu com que a convenção insiste em sepultar a idéia.

- o poeta concreto não volta a face às palavras, não lhes lança olhares oblíquos: vai direto ao seu centro, para viver e vivificar a sua facticidade.

- o poeta concreto vê a palavra em si mesma - campo magnético de possibilidades - como um objeto dinâmico, uma célula viva, um organismo completo, com propriedades psicofisicoquímicas tacto antenas circulação coraação: viva.

- longe de procurar evadir-se da realidade ou iludí-la, pretende a poesia concreta, contra a introspecção autodebilitante e contra o realismo simplista e simplório, situar-se de frente para as coisas, aberta, em posição de realismo absoluto...

...- mallarmé (un coup de dés-1897), joyce (finnegans wake), pound (cantos-ideograma), cummings e, num segundo plano, apollinaire (calligrammes) e as tentativas experimentais futuristasdadaistas estão na raíz do novo procedimento poético, que tende a imporse à organização convencional cuja unidade formal é o verso (livre inclusive)...

- POESIA-CONCRETA: TENSÃO DE PALAVRAS-COISAS NO ESPAÇO-TEMPO.
(publicado originalmente na revista ad - arquitetura e decoração, são paulo, novembro/dezembro de 1956, n° 20)