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Ótima notícia para o leitores de Saramago, nesse mês de outubro será lançado o livro póstumo do autor português, "Alabardas Alabardas Espingardas Espingardas". Saramago começou a escrever o livro em 2009 e retomou mais tarde em 2010, porém quatro meses depois faleceu aos 87 anos na Ilha de Lanzarote.

Segundo Pilar Del Rio o livro é um tratado contra a guerra, violência e a bárbarie. Lançado pela Cia das Letras  a trama gira em torno de um casal funcionário de uma grande empresa fabricante de armas, enquanto o marido se orgulha de fazer parte daquele cenário, a mulher pacifista discorda da opção do marido. 

Este na verdade é uma constante nas obras do autor, colocando a mulher como um ponto de lucidez mesmo em frente ao caos das cidades e sociedade, como por exemplo em Ensaio Sobre a Cegueira, onde apenas a mulher do médico que continuava a enxergar e no Conto da Ilha Desconhecida que em também a figura da mulher a indagar e observar as coisas de uma forma mais sensata.



Alabardas Alabardas, Espingardas Espingardas!
José Saramago
Cia das Letras
112 páginas

Depois dos ótimos “Incêncios” (2010) e “Os Suspeitos” (2013), o diretor canadense Denis Villeneuve, traz as telas a adaptação do romance Homonimo de José Saramago, O Homem Duplicado, com Jake Gyllenhaal e Isabella Rossellini no elenco.

Adam Bell (Jake), é um desanimado professor de história que leva uma vida pacata e sem grandes motivações, trabalho-casa-casa-trabalho, como um padrão que sempre se repete ao longo da história. É o que ele ensina em sua aula sobre as grandes ditaduras e o que de forma implícita será o mote de toda essa trama.

Leia o texto na integra em nosso parceiro O Cinemista.


Do diretor canadense Denis Villeneuve de Os Suspeitos (2013) e Incêndios(2010) chega aos cinemas dia 19 de junho a adaptação do romance de José Saramago "O Homem Duplicado" com Jake Gyllenhaal, Mélanie Laurent, Isabella Rossellini e Sarah Gadon

Conta a história de um homem simples que descobre um sósia, um duplo seu e parte para ma misteriosa jornada para desvendar esse mistério, vea o trailer.



Poema à boca fechada

Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.

Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.

Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.

Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais bóiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.

Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.

José Saramago