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Continuando a divulgar o livro Do Som ao Impacto, lançado pela editora Multifoco, convido a todos agora para participar de algo diferente. Trate-se do vídeo-conto My Funny Valentine, um dos contos do livro, que disponibilizo aqui e convido leitores, blogueiros e curiosos a fazer a leitura em conjunto desse texto.

O conto está separado por parágrafos, que deve ser escolhido e gravado em áudio e vídeo, envie para a página do Moviemento no Facebook, (não esqueça de salvar o arquivo ou vídeo, ou link com o nome do conto e parágrafo escolhido) os mais criativos serão escolhidos e então incluído no "longa" de leitura vídeo e áudio do vídeo conto My Funny Valentine. 

Abaixo link para inspiração da música que inspirou o nome do conto, e acima, ilustração sugestiva sobre a personagem Helena... Um imã para cafajestes...



My Funny Valentine

Parágrafo 1

Os carros iam passando diante de seus olhos calmos, curiosos. Debruçada no banco traseiro, ignorava mais uma advertência de sua mãe a respeito de sua postura dentro do veículo. A menina observava os diferentes carros e pessoas que se aproximavam do automóvel de seu pai. Tinha enjoado de perguntar quanto do percurso ainda tinha de ser percorrido.

Procurou outras coisas merecedoras de sua atenção.As mãos apoiadas no queixo, de tempo em tempo, soltavam-se explodindo um sincero aceno em direção aos passageiros dos outros carros. Com o balanço de suas mãozinhas, seus lábios formavam sem emitir som a palavra “tchau”. Virou-se! Permaneceu sentada corretamente no banco de passageiro, do jeito que sua mãe queria que fosse. Decidiu que mais nada merecia sua atenção. Observando aquela natureza
patética do interior de um automóvel, adormeceu.


Parágrafo 2

Em seu sonho o carro de seu pai deslizava sutilmente pela estrada, não havia outros carros e podia se ver lá na frente a praia, não havia em sua mente a complexidade da arquitetura das cidades. Para entrar na água, que ela não mais temia, era só descer do carro e pronto, de encontro às primeiras ondas, que em seus sonhos eram sempre pequenas.

Quinze anos se passaram. Ela tem agora o andar de uma mulher. Se os seus 24 anos não a tornavam mulher por completo, intelectualmente ela estava emancipada, diferente de outras moças de sua idade. Conseguia compreender os filmes daquele diretor, entendera que para certas artes precisamos estar prontos, aptos, merecedores de seu entendimento. Uma menina mulher, uma mulher ainda menina, com busto, coxas, cabelos, cintura e olhos pretenciosos sobre os homens ao seu redor e complexos para as mulheres que o confrontavam.


Parágrafo 3

Descia a rua Augusta rumo ao Espaço Unibanco. “Curta as Seis”. Filme Europeu! Assim Helena era mais Helena!
Discreta e elegante, dava margem para a suspeita de ser uma prostituta. Mantinha um sorriso entreaberto no rosto, como quem cumprimenta a noite que se aproxima; e todos os homens como possiveis clientes. Num modo pessoal de crueldade misturado a um humor requintado que só mesmo ela achava graça.

As luzes no cabelo iam se apagando, era preciso voltar ao salão de beleza, porém era preciso esperar para ter dinheiro e voltar ÀQUELE salão. Os seus lábios estavam um pouco ressecados, tinha visto numa revista a receita de uma mistura de frutas para hidratá-lo. O seu rosto estava perfeito, a mudança de alimentação desde o mês passado fizera efeito de fato. Com algumas roupas ainda se achava um pouco gorda. Outras, porém, davam-lhe a cintura perfeita
e a aparência de estar dois quilos acima do peso.
De acordo com o que ouvira de um amigo, era a
perfeição física de uma mulher segundo os homens,
ou segundo as bichas como ele. 


Parágrafo 4

Estava satisfeita consigo, com o que via no reflexo dos vidros dos carros e lojas, um sorriso ameaçava tomar seu rosto tamanho era o orgulho dela mesma. Saindo do cinema, um tour pelo centro. Fazia questão de pegar o “Avenidas”, adorava o trajeto daquele ônibus por mais que levasse maior tempo até o apartamento. Helena era um ímã para cafajestes...
- Alo!? Alo! O telefone a acordara logo pela manha.
- Oi, é você, por que ligou tão cedo?! Ok, estou a caminho. Só me dê um tempo para tomar uma ducha, e me aprontar.
Normalmente acordava com o despertar de seu estéreo programado para tocar a música 10 do CD, aquela música que lhe deixava tanto triste quanto alegre, que lhe fazia atingir um sublime sentido. My Funny Valentine, uma canção que dava a tudo razão, talvez por aguçar ao máximo seus sentimentos, só mesmo um despertar surpreso despreparado não fazia sentido. Um ímã para cafajestes...


Parágrafo 5

Aprontou-se! Aquele vestido florido a deixava divina, as pontas engomadas, o busto justo, bem apertado, ela ficaria por se admirar a tarde inteira. O batom, no entanto, não lhe agradava, mas sendo quase uma exigência de Tadeu ela achava que valia o esforço de aturar o acessório.
No caminho suspiros e assobios. Ela não olhava, nem um sorriso soltava, não se empolgava, direcionava essa “energia” vinda de fora para sua autoestima, não deixava transparecer o seu não-ligar. 
Lembrou-se de um poema de seu admirador secreto, não era de todo ruim, pretensioso, mas de algum valor:
“Eu te resgataria Helena Troiana, faria, mitologia onírica. Desta realidade que sem tu, Configura-se aterradora! Caminho único para o sepulcro...”


Parágrafo 6

Chegando à casa de Tadeu, deparou-se com os amigos dele que lá estavam, e eles, com suas coxas. Não teve, entretanto, tempo para se sentir mal, puxada pelo punho foi levada para dentro da casa. Com os pés, Tadeu abriu e fechou a porta do quarto, deitou-a na cama ainda com lençóis e cobertores desarrumados, e com uma mão de cada lado de sua cintura foi puxando sua calcinha, certificou-se da
porta encostada.
- Como adoro esse seu vestido. Murmurou com o rosto colado ao de Helena. Permaneceu estática, olhando para o teto. Impossível partilhar do prazer que ele encontrava ou propunha, em dado momento quase adormeceu, conseguia por fim dominar a repulsa àquele momento. Afinal de contas, depois alcançava certo deleite enquanto dormia.


Parágrafo 7

Quando acordou encontrou um rosto sereno lhe esperando, era Tadeu com um sorriso amarelo, desviou o olhar pela janela onde pode ver que já era noite. Tadeu disse algo, ela pouco se importou.
Fechou os olhos. Odiou aquele olhar falso simulando carinho, o rosto ardia, sabia que estava vermelho por causa da barba cerrada dele. Sem responder, levantou-se e foi direto ao banheiro, sonolenta, permaneceu debaixo do chuveiro. Tentava se lembrar de algum filme no cinema. Pensava na nova fase do cinema francês e na exposição, que só iria até este fim de semana das fotos na noite clandestina de Paris. Aquela reportagem da revista sobre a vida de garotas brasileiras que faziam programas na
“Cidade Luz”, tinha mesmo lhe chamado a atenção.
A voz de Tadeu atravessava seus pensamentos de forma irritante. Parou de pensar e continuou apenas debaixo do chuveiro...


Parágrafo 8

Saindo do banheiro, viu Tadeu dormindo nu na cama, boca e pernas abertas, satisfeito e indiferente a tudo. Vestiu-se. Arrumou o decote do vestido, não precisava mais do batom. Na rua parou o primeiro taxi que atravessou seu caminho. Dentro do carro aproximava-se de sua mente uma clareza, seguida de alguma confusão, eram flashs da rua Augusta e
das ruas de Paris, letreiros e anúncios de cinema, a música no rádio atrapalhava sua tentativa de assoviar baixinho: “My Funny Valentine”. 
Ela disse NÃO às lágrimas que se aprontavam nos olhos, pensava na menina que fora e na mulher que se tornara. Uma última olhada para trás, entre possíveis destinos apenas pediu ao motorista que seguisse em frente.

Helena... Era um imã para cafajestes...

Fechando um ano maravilhoso com chave de ouro... Depois de lançar o livro “Do Som ao Impacto” em publicação independente, pela editora Incomum, agora a Editora Multifoco, comprou a idéia e o livro teve uma segunda edição, com lançamento no último dia 9 de dezembro, no bar Exquisito, na Bela Cintra, Consolação. Disponível para venda no site da editora e em breve no site das principais livrarias.

Trata-se de um livro de contos, o primeiro do autor Ygor Moretti, que ao longo de dez anos trabalhou no texto como uma espécie de laboratório literário. Entre revisões, edições, junção de umas e exclusão de outras histórias, o livro contém 9 contos, independentes mas que também se entrelaçam, antecedem ou completam-se.

Tudo gira em torno de uma cena de violência, um velho baleado em frente a sua casa, aparentemente sem maiores motivos, a violência da cidade e os seus bastidores são tratados em alguns dos contos. Noutros a dor da perda, rusgas familiares e diferenças nos relacionamentos são vistas bem de perto pelos narradores, ora em primeira pessoa, ora pelo viés de um narrador que tudo conhece sobre as motivações dos personagens, desejos e intenções, no entanto, não torna esses acontecimentos explícitos, cabendo ao leitor alcançá-los por meio de conjecturas que se pode fazer entre a seqüência de uma história e outra.

No préfácio o jornalista Marcelo Andrade diz:

Espírito criativo! Ygor Moretti Fiorante utiliza todos os recursos da imaginação na sua obra. Descrevendo pequenos detalhes de cada cena, o livro Do Som ao Impacto deveria ser lido nas telas do cinema devido à leveza na descrição das imagens.

Os diversos contos, marcados por um fino suspense e uma boa dose de sentimento humano, conquistam o leitor, que durante a leitura, começa a interagir em busca de um espaço na história, para vivenciar a cena de perto, sentir o som e esperar pelo impacto que está para acontecer.

Do Som ao Impacto revela o talento de quem estudou e conhece o sentido de cada palavra. Embarque nesta viagem. 

e no site Indicando livros foi publicado uma crítica sobre o livro:
Trecho crítica Indiecando livros.

Tudo o que comecei a rabiscar no meu caderno para criticar em Do Som ao Impacto acabei riscando. Ele foi oferecendo cada vez mais, e no final, colocou um sorriso no meu rosto. Pensei: “Puta que pariu, Ygor Moretti é um ótimo, ótimo escritor”. Você já me ouvir falar isso antes, neste site? Não, né?

Do Som ao Impacto é uma obra curta, apresentando diversos contos entre três e sete páginas, mais ou menos, não completamente interligados, mas que se tocam em diversos momentos. Confesso que minha expectativa era de mais sexo e sangue, e me surpreendi com a certa delicadeza e poesia da obra. Não me entendam errado: Do Som Ao Impacto é forte, robusto, denso, e estranhamente belo. Me deu uma sensação familiar de nostalgia, como se falasse à um momento do meu passado, de imagens e sons de infância, sem nada que eu pudesse identificar como causador de tal sentimento.

Trecho de alguns contos:

My Funny Valentine

Os carros iam passando diante de seus olhos calmos, curiosos. Debruçada no banco traseiro, ignorava mais uma 
advertência de sua mãe a respeito de sua postura dentro do veículo. A menina observava os diferentes carros e pessoas que se aproximavam do automóvel de seu pai. Tinha enjoado de perguntar quanto do percurso ainda tinha de ser percorrido. 

Procurou outras coisas merecedoras de sua atenção.
As mãos apoiadas no queixo, de tempo em tempo, soltavam-se explodindo um sincero aceno em direção aos passageiros dos outros carros. Com o balanço de suas pequenas “mãozinhas”, seus lábios formavam sem emitir som a palavra “tchau”. Virou-se! Permaneceu sentada corretamente no banco de passageiro, do jeito que sua mãe queria que fosse. Decidiu que mais nada merecia sua atenção. Observando aquela natureza patética do interior de um automóvel adormeceu. 

Arqueiros imóveis, após a bola na trave!

Na bagunça costumeira do quarto tentava imaginar quantas daquelas roupas eu ainda usava... Quantos daqueles discos eu ainda ouvia, e qual livro na estante eu tinha lido. Impressionante como os fatos se unem, e os objetos tomam suas posições estratégicas, arriscando a construção de um resumo da vida. Quanto mais remexo nas coisas, sinto fremir o som da minha respiração ofegante, remexendo caixas num estado absoluto de ansiedade procurando por algo.

Encontro as diferentes épocas nos objetos que se mostram cheios de um significado implícito, subliminar. Medalhas antigas, canetas vazias, extratos, moedas... Em cada objeto, moram recônditos, “lembranças-esquecidas”.

Catorze Palavras Contadas

Escrever uma carta para minha família era apenas a transposição de algum texto para o papel. Aquela próxima mensagem tinha por objetivo ser enxuta e direta, ainda mais por tratar-se da morte de meu pai. 

Há tempos eu não o via, um tanto culpado e ferido, mas, no final, achava alguma justificativa para minha distância. 

Os meus erros e medos eram todos causadores deste vazio dos últimos três anos. Portanto, a manifestação mais viva de sua presença foi a carta anunciando sua morte. 

O Salto

No momento em que via aquele salto do alto da ponte... Durante o voo daquele desconhecido, lembrou-se de outro momento em sua vida, alguns meses antes, com movimentos menos ásperos ou plásticos, mas com a mesma finalidade pressionando enquanto pressionava e deslizava uma gilete sobre o punho.


Acompanhem na página do Moviemento ou na página do autor Ygor Moretti Fiorante do Facebook, novidades sobre o livro, book tour, sorteios e outros projetos...

Com lançamento marcado para dezembro de 2014, Do Som ao Impacto terá uma nova edição lançado pela editora Multifoco a quem agradeço muito por essa nova oportunidade.

Depois de lança-lo através de publicação independente pela Editora Incomum, o livro de contos ganha nova capa, revisão e edição, que a editora Multifoco resolveu apostar.

Antes mesmo de chegar as livrarias e do lançamento propriamente dito conseguimos um primeiro bom resultado com a resenha critica do Site Indiecando Livros que deixo o link e também agradeço e indico a autores e leitores em busca de algo novo, que no entanto, sem sempre chega a grande mídia.

Abaixo trecho da crítica do Indiecando Livros, escrita por Lady Quiil:

...Tudo o que comecei a rabiscar no meu caderno para criticar em Do Som ao Impacto acabei riscando. Ele foi oferecendo cada vez mais, e no final, colocou um sorriso no meu rosto. Pensei: “Puta que pariu, Ygor Moretti é um ótimo, ótimo escritor”. Você já me ouvir falar isso antes, neste site? Não, né?...

Livro Do Som ao Impacto com resenha crítica no blog Atelie dos Livros.

Abaixo segue trecho da resenha:
 
...Todo mundo que me acompanha aqui no blog e lê as minhas resenhas, sabe que eu amo, adoro livros de contos, mas, confesso que me senti meio confusa lendo esse livro, algumas vezes em meio a escrita do autor, e outras muitas vezes eu me pegava indagando o porque daquele fato ter acontecido, e o porque do conto ter começado daquela forma feliz e infantil e em menos de duas linhas , ter pulado para uma outra história triste, confusa e nada feliz.

Não gosto, fico bem triste quando leio um livro e ele não me traz coisas boas, e nem a expectativa de reler todo ele mais uma vez, mas como trabalho com a verdade com meus leitores, tenho que dizer que, esse livro não me conquistou. 

Estou muito triste, porque eu não gosto de fazer uma resenha assim, mas, nem todo livro é como queríamos que fosse.

Mas o indico sim, a leitura para quem como eu gosta de contos, e para aqueles que ficaram curiosos em saber o porque eu disse isso tudo nas minhas impressões...
 
Leia o texto completo: Atelie dos Livros.


Seguindo os passos ou melhor as passadas do autor e maratonista japonês Haruki Murakami, escrevo aqui mais uma crônica sobre o ato da corrida, posto que sem falsa modéstia sou um pouco menos escritor e muito menos corredor do que Murakami, já o autor de “Do que eu falo quando falo de corrida”, venceu vários prêmios literários, lançou dezenas de livros e completou várias Maratonas. 

Por outro lado, nesse abençoado ano de 2014 consegui lançar dois livros (Auto publicação) pela Editora Incomum, “Do Som ao Impacto” e “O Menino Susto”, enquanto isso escrevo outro livro de contos, visando um primeiro romance num futuro um pouco mais à frente.
No campo da corrida estou a um mês da prova de 16k do circuito Atenas que acontecerá no dia 27/07, aqui em São Paulo. Depois dessa vou rever meu tempo disponível, já que esse maravilhoso ano, além de muito trabalho, me reserva fortes emoções para o dia 18 de outubro, e para isso, para o “Futurinho” chegar, muitos detalhes e muitos outros cuidados são necessários. Assim sendo se a agenda permitir depois desses 16 quilômetro já inicío o treinamento para a Meia Maratona em Novembro, do contrário vou permanecer e focar na melhora nos 10K mesmo.

Falando de corrida, consegui estabelecer meu melhor tempo dos 5K, 26:40, o que é bom já que nem treino especificamente para essa distância e velocidade. Tenho feito três treinos,  velocidade, rodagem e longão, subindo esse longão até chegar aos 16K, alvo da prova, atualmente faço 13K além de outros dois dias de musculação. No começo do ano completei a São Silvestre(15KM), e essa prova agora funciona como um meio termo entre os 10 e os 21 quilômetros da Meia Maratona.

Consegui eliminar 3 kilos e atualmente me sinto mais leve, treinei algumas semanas na esteira,  fazendo 8 a 10 quilômetros, o que representa um tempo bem maior correndo já que a esteira nos segura, nos deixa mais lentos mesmo parecendo mais difícil manter certo ritmo em cima dela. Penso que isso ajudou bastante tanto na resistência física quanto na resistência mental. Continuar correndo, concentrado depois de 1 hora não é das coisas mais fáceis, ainda mais quando se está numa posição parecida a dos camundongos de laboratórios, correndo sem sair do lugar.

Agora são 4 semanas até o dia da prova, falhei na programação da semana passada que era 5k, 8k e 13k, mas acabei treinando três vezes na semana 5, 8 e 8k. Não foi de toda perdida. Para essa semana entre os dias 24/6 e 28/6 o cronograma é: 3ª Boxe – 4ª Corrida Tiro na esteira – 5ª Corrida rodagem na esteira – 6ª Musculação e Sábado 13k... Veremos...
Para quem me lê, se alguém me lê e por acaso estiver afim de dar os primeiros passos na corrida, aqui vai breve resumo dos primeiros passos à ser dado.


Não sou profissional, nem médico nem atleta, mas as dicas que seguem abaixo são de quem saiu do lugar, buscou informações e ajuda. Corri uma dezenas de provas além da São Silvestre e transcrevo mais ou menos o percurso que fiz até aqui...
Se você quer começar a correr a primeira coisa a fazer é começar a caminhar... Caminhe para um médico, faça um check-up geral e depois sim comece as atividades. Confesso que não fiz nessa ordem, mas o conselho é esse mesmo, principalmente se estiver um pouco acima do peso ou se já tiver chegado na faixa dos trinta e poucos bons anos de vida.

Ainda falando sobre o IDEAL, é importante ter um personal ou professor de academia por perto monitorando esses primeiros passos. Porém, como primeiros passos, entre exames, resultados e parecer médico. Você pode iniciar a caminhada na rua ou esteira, com um bom par de tênis próprio para caminhada ou corrida.
Acredito que nesse momento além da prevenção que você fará contatando seu médico ou profissional do esporte, é importante ter foco e motivação. Nós humanos somos sim movidos pelo desafio, além do desafio de nova jornada, vá mais longe! Inscreva-se de cara numa prova de 5K para daqui a 5, 6 meses, pague pela inscrição e divulgue isso em suas redes sociais. Além do compromisso particular seu com esse novo objetivo, você tem agora o compromisso financeiro, já que pagou por aquilo e não vai querer desperdiçar sua grana. Se isso não bastar,  o compromisso com seus amigos e secadores de plantão também pode-lhe impulsionar a continuar. Muitas pessoas vão lhe parabenizar e incentivar , algumas outras estarão em silêncio,  no aguardo, a espreita de seu fracasso ou desistência, em todos os campos da vida encontramos com esse tipo de pessoa. Mas amigo... Você não vai fracassar e dentro desses 6 meses é bem possível que estará concluindo sua primeira corrida de 5k (ainda que andando em alguns trechos).  

Por outro lado pode esquecer também esse desafio a terceiros ou inimigos e secadores imaginário, pois bem da verdade é que tanto faz você correr 5 ou 42 quilômetros. É bem provável que isso não mude nada na vida de ninguém, mas com certeza mudará e fará a diferença na sua vida, duma forma que só você entenda e que só a você fará sentido...
As corridas são ótimos lugares para conhecer pessoas, ver outros exemplos de superação e determinação. Além de toda a preparação, uniformes, organização de contagem de tempo, postos de hidratação e premiação, você encontrará uma atmosfera muito boa, de ajuda e incentivo dos corredores e do público que assiste a apóia do lado de fora. Nesse cenário todo é bem provável que você seja picado pelo bichinho da corrida, e rapidamente vai querer voltar para concluir aquela prova correndo por todo o percurso e depois refazê-la em menos tempo. 

Para esses novos desafios é muito interessante voltar aos passos iniciais, principalmente com um professor ou personal, pois agora seus objetivos são maiores e mais difíceis, antes você queria apenas começar a correr, agora, 6 a 12 meses depois você já é um corredor em busca de tempos menores ou distâncias maiores. Proteja-se, organize-se e vá em frente!!!

Segue abaixo uma propaganda muito legal da Olimpikus mas que serve muito mais como um video motivacional para corredores ou pretendentes a…


A Editora Incomum que faz parceria com blogs acaba de realizar mais uma parceria com o blog Vidas em Letras, e lá foi postado uma resenha sobre o livro "Do Som ao Impacto".

Trecho do texto: 

...Do Som ao Impacto é um livro relativamente pequeno com algumas histórias, algumas crônicas, é uma leitura leve, embora tenha o dom de prender o leitor, de fazer sentir, dar curiosidade de saber como termina a trama. Devo admitir que com alguns fiquei decepcionada, pois os personagens não fizeram o que eu esperava, ou o fim foi demasiado simples...




Eu que ando entrevistando autores por aqui fui entrevistado no Blog Vaquinha Gertrudes, falando sobre o lançamento do livro Do Som ao Impacto, mercado editorial e o exercício da escrita... Confiram está muito legal!!!

Hoje farei uma "auto-publicação-de-sí-mesmo" com todos os pleonasmos e espírito narcisista que for possível hehehe.

Estarei divulgando (gerúndios também uhuuuu) o meu livro "Do Som ao Impacto" lançado pela Editora Incomum e disponível para venda através do site da editora.  O preço do livro é totalmente inverso ao valor da venda, módicos R$9,90 que claro não alcançam nem representam toda a qualidade literária contida ali ou no meu ego gigantesco (rssssss).

Show de humildade a parte, este foi o meu primeiro livro de contos, escrito durante cerca de 10 anos, escrevendo, reescrevendo, mudando, cortando, acrescentando ou juntando. Inúmeras revisões e provavelmente algumas coisas poderiam ser melhoras ali, mas creio que bem ou mal o livro e as histórias já deram forma ao pequeno compendio de contos. Seria injusto continuar a mudá-los, creio que nesse caso era preciso "dar a cara a tapa", assumir as falhas, erros e partir para os próximos projetos.
A idéia do livro surgiu bastante inspirada na estrutura de narração do filme "Pulp Finction" de Quentin Tarantino, ou de Rashomon do Kurosawa de 1950 que vem bem antes de "Pulp". Existe uma história central e os diferentes pontos de vista das outras pessoas ligadas aquele acontecimento. Em "Do Som ao Impacto" fui um pouco além disso, as histórias possuem coisas em comum, o antes e depois mas de uma forma bem mais subjetiva que tornam as histórias quase que totalmente independentes.

Essa história "central" que dá nome ao livro, "Do Som ao Impacto", narra o cotidiano de um velho sem maiores pretensões na vida a não ser tomar seu banho de sol pela manhã. Quando sem maiores razões é atingido por uma bala. A partir desse fato giram as outras histórias, algumas bem próximas desses personagens ou acontecimentos e outras em outro tempo, num passado ou futuro distante dalí, com personagens ora bem próximos desse acontecimento e ora com personagens ligados indiretamente a essa trama.

A baixo segue o book trailer do livro, espero que gostem e se quiserem adquirir o livro eis o link para compra: Do Som ao Impacto

Capa do Livro Do Som ao IMpacto

Trecho do conto "Quatorze Palavras Contadas" do livro "Do Som ao Impacto", publicado no Clube de Autores.


Escrever uma carta para minha família era apenas a transposição de algum texto para o papel. Aquela próxima mensagem tinha por objetivo ser enxuta, direta, ainda mais por
tratar-se da morte de meu pai. Há tempos que eu não o via, um tanto culpado e ferido,
mas, no fnal, achava alguma justifcativa para minha distância. Os meus erros e medos eram todos causadores deste vazio dos últimos três anos. Portanto a manifestação mais viva de sua presença foi a carta de sua morte.

O velho estava morto, mas a sua influência ainda se fazia naquelas quatorze palavras, contando os artigos: “O Velho está morto. Seu enterro será amanhã no Araçá. Nós o velaremos hoje”. É triste não estar triste, é triste receber e compreender as
coisas como eu andava aceitando tudo, nenhuma reivindicação contra os adeuses, o impossível e incerto, eu nada sentia e estava triste por isso.

É por regras de não amar e naturezas agrestes que eu sou a antítese de tudo que esperam de minha família ou do que vem dela. Eu sou aquele emotivo bem próximo do bêbado, que tem o choro condicionado pelo choro alheio, ou por certas músicas e finais de filme, dono de um sentimentalismo barato, quase brega e em outros momentos nobre.
Diz-se que um abraço quebra barreiras, dá maior ênfase às mensagens quando as palavras ou qualquer outra manifestação são inoportunas, longa demais. Acredito no poder terapêutico deste acontecimento entre duas pessoas. Eu sou aquele que prolonga o ato e segura o outro um tempo a mais entre os braços, controlo também a intensidade, sou eu quem surpreende e ultrapassa o aperto de mão a união do peito, ao entrelaço.

Eu era particular de um amor circuncisado, que tinha como razão a persistência genética e tradicional. Arrumei minhas coisas. Eram já nove horas da noite, tempo frio e seco. A
tia Dora esperava-me e logo que me viu foi dizendo:
- Será amanhã às nove horas. Não podia deixá-lo sozinho. Aqui está a papelada. Tudo já foi providenciado. A família dos Teixeira nos cedeu um jazigo. Minhas costas doem e estou sem meu remédio, preciso ir...

Não precisei abrir a boca, apanhei a papelada. Naquela noite, pelo menos até ali, só mesmo meu pai resolveu morrer. Nos olhos de minha tia por trás de um cansaço imediatamente percebido, um alívio parecia brotar dependendo apenas da próxima noite de sono.
- Por que você não soube respeitar o fato de eu não ser a sua repetição - dizia eu agora debruçado sobre o corpo. A pele fria de um morto sempre assusta. É aquela temperatura desconhecida, inesperada, um frio úmido, os algodões em seu rosto espantavam qualquer lembrança ou persistência vital. Eu não tinha mesmo nenhuma dessas lembranças, a não ser aqueles abraços oblíquos e desconfortantes...
Trecho do conto My Funny Valentine e música que o inspirou...


Os carros iam passando diante de seus olhos calmos-curiosos. Debruçada no banco traseiro ignorava mais uma advertência de sua mãe a respeito de sua postura dentro do carro, a menina observava os diferentes carros e pessoas que se aproximavam do automóvel de seu pai. Tinha enjoado de perguntar quanto do percurso ainda tinha de ser percorrido. Procurou outras coisas merecedoras de sua atenção. As mãos apoiadas no queixo de tempo em tempo soltavam-se explodindo um sincero aceno em direção aos passageiros dos outros carros. Com o balanço de suas pequenas “mãozinhas” seus lábios formavam, sem emitir som a palavra: “tchau”. 

Virou-se. Permaneceu sentada corretamente no banco de passageiro, do jeito que sua mãe queria que fosse. Decidiu que mais nada merecia sua atenção. Observando aquela natureza patética do interior de um automóvel adormeceu. 
Em seu sonho o carro de seu pai deslizava sutil pela auto-estrada, não havia outros carros e podia se ver lá na frente a praia rente a estrada, não havia em sua mente a complexidade 
da arquitetura das cidades. Para entrar na água, a qual ela não mais temia, era só descer do carro e pronto, de encontro as primeiras ondas que em seus sonhos eram sempre pequenas. 

Quinze anos se passam. Ela tem agora o andar de uma mulher. Se os seus 24 anos não lhe tornava completa, intelectualmente ela estava emancipada, diferente de outras 
moças de sua idade. Conseguia compreender os filmes daquele diretor, entendera que para certas artes temos de estar prontos, aptos, merecedores de seu entendimento. Uma menina mulher, uma mulher ainda menina, busto, coxas, cabelos, cintura, olhos... coisas que construíam um olhar... 

Descia a rua Augusta rumo ao Espaço Unibanco. “Curta as Seis”. Filme Europeu, assim Helena era mais Helena. Discreta porém elegante, dava margem para a suspeita de ser 
uma prostituta. Mantinha um sorriso entre-aberto no rosto como quem cumprimenta a noite que se aproxima e todos os homens como supostos clientes. Num modo pessoal de 
crueldade, um humor requintado que só mesmo ela achava graça. As luzes no cabelo iam se apagando, era preciso voltar ao salão de beleza, porém era preciso esperar para ter dinheiro e voltar “Aquele” salão. Os seus lábios estavam um pouco ressecados, tinha visto numa revista a receita de uma mistura de frutas para hidratá-lo. O seu rosto estava perfeito, a mudança de alimentação desde o mês passado fizera efeito de fato. 

Com algumas roupas ainda se achava um pouco gorda, algumas outras porém lhe davam a cintura perfeita e a aparência de estar dois quilos acima do peso. De acordo com o que ouvira de um amigo; era a perfeição física de uma mulher segundo os homens ou as bichas como ele. Estava satisfeita consigo, com o que via no reflexo dos vidros dos carros e lojas, um sorriso ameaçava tomar seu rosto tamanho era o orgulho de sí mesma. Saindo do cinema, tour pelo centro, fazia questão de pegar o “Avenidas”, adorava o trajeto daquele ônibus por mais que levasse maior tempo até o apartamento. 

Helena era um ímã para cafajestes...



Texto completo no livro Do Som ao Impacto e Outras Histórias publicado