Mostrando postagens com marcador Cinema Nacional. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cinema Nacional. Mostrar todas as postagens

Seria errado dizer que o fato de um filme brasileiro ter muitos “atores” brasileiros o torna menor? Seria então também errado afirmar que uma qualidade desse mesmo filme é ele não parecer com os demais filmes nacionais?
Pois Mato Sem Cachorro do diretor Pedro Amorim mostra que tais afirmações “bestiais” podem sim ter certa razão. Leia a crítica completa no ótimo O Cinemista, site parceiro de cinema.


Um caminhoneiro solitário e rabugento conhece um garoto alegre e bondoso com quem vai aprender coisas valiosas sobre a vida...

Não poderia haver tema e contexto mais clichê no cinema certo? No entanto, “À Beira do Caminho” novo filme do diretor Brenno Silveira de “Gonzaga – de Pai pra Filho” (2011) e “2 Filhos de Francisco” (2005), arrisca-se bem próximo ao lugar comum de um tema bastante repetido, em outros momentos abusa de sentimentalismos, mas com atuações pontuais e convincentes do ótimo João Miguel e do garoto Vinicius Nascimento, não se queima por completo e sobrevive como um bom título agora disponível nas locadoras.

Após contar a história da dupla sertaneja Zezé Di Carmago e Luciano (2005) e de Luiz Gonazaga (2011) em seus filmes anteriores, o diretor Brenno Silveira conta-nos a história de João (João Miguel) e suas viagens pelas estradas brasileiras. Se nos longas anteriores os personagens eram músicos famosos, dessa vez o personagem é um homem comum, mas a MPB está presente no novo filme do diretor, as canções de Roberto Carlos são em “A Beira do Caminho” quase um personagem, ao lado da belíssima fotografia do filme, grandes planos que mostram a solidão do sertão e das estradas, pontuam o ar melancólico que os personagens carregam.

A história tem início quando certo dia enquanto João escuta barulhos na caçamba de seu caminhão, enquanto atravessa uma estrada deserta. Com uma arma na mão vai averiguar quando assustado se depara com um garoto escondido no veículo. Assustado o menino pede à João que não atire e nem o deixe no meio daquele nada. Piedoso ainda que bastante relutante João aceita a situação e decide levar o menino até a próxima base militar, porém, quando chega no lugar o guarda de plantão não permite que ele deixe o garoto por ali e o instruí a leva-lo até a delegacia numa próxima cidade. Chegando lá o delegado da cidade está de férias e mais uma vez o garoto volta para a cabine do caminhão. Assim o que era uma carona curta se transforma numa longa viagem à São Paulo onde João vai fazer um entrega e Duda vai tentar encontrar o pai de quem sabe muito pouco, apenas o que diz o endereço numa foto antiga.

Nessa viagem o que era mais do que previsível se cumpre, aos poucos surge entre os dois uma cumplicidade que derruba o que antes era distância e aversão. Essa transformação porém, é demonstrada através de várias cenas clichês e em certos momentos até piegas, em contrapartida mesmo tendo nas mãos um texto raso, a dupla de atores consegue evitar que o longa caia numa mesmice desinteressante. Escolhido entre mais de 800 garotos Vinicius Nascimento consegue dar o tom de doçura, rebeldia e tristeza que seu personagem pede, sem torná-lo caricato ou mesmo chato. Já João Miguel depois de suas várias e ótimas atuações desde “Estômago” (2007) e “Cinema, Aspirinas e Urubu” (2004) aos recentes “Xingu” (2012) e “Gonzaga de Pai pra Filho” (2011), repete em “A Beira do Caminho”, mais uma atuação convincente, principalmente por nunca haver força demais em seus gestos e expressões, a força que caracteriza seus personagens vem da simplicidade daquilo que é natural e verdadeiro. Completando o elenco; Dira Paes e Ângelo Antônio tem passagens curtas e boas.

Quanto a direção, diante do enredo previsível, Brenno Silveira não se esforçou para esconder isso, acertadamente diga-se de passagem, pois trabalhando com o que tinha em mãos conseguiu bons resultados; inserindo flash–backs sobre o passado de João que deram mais vida a história “meio manjada”, por outro lado como se fossem vinhetas surgem de tempo em tempo frases de rabeiras de caminhão e noutros momentos as cenas são mais demoradas e lentas, o que neste caso é um acerto, pois condiz com o ritmo da história e o contexto em que estão os personagens.

Por fim, nota-se que ao depara-se com uma história de ficção, onde as possibilidades eram maiores, o diretor Brenno Silveira demonstra ainda algumas manias ou resquícios de características das outras produções, ao mesmo tempo, parece já anunciar algum crescimento deixa boa expectativas para seus próximos trabalhos.


capa da última edição da revista

Após análise de seu portfólio a editora Abril anuncia o fim das revistas Alfa e Bravo. Basicamente pela baixa venda de exemplares e pouco interesse dos grandes anunciantes lá se vão dois ótimos veículos de informação, bons textos e conteúdo diferenciado e acessível.

Bravo lançada em 1997 se propunha a ser um radar do mundo cultural e artístico, trazia o que havia de melhor no mês. Cinema, literatura, artes plásticas, teatro e dança e música. Sempre com ótimos textos que sem o bla bla bla acadêmico tornava o mundo das artes mais instigante. Dando espaço para o novo, o alternativo sem esquecer dos clássicos ou tradicionais. 

A revista lançou periodicamente numeros especiais como "100 Livros Essenciais", "100 Contos Essenciais", "100 Filmes Essenciais", além de números homenageando nomes do cinema e das artes em geral e cidades do brasil, como Bahia e Ceará.

Além de um conteúdo de qualidade, graficamente a revista também era bastante diferenciada, com um design limpo e belo, ótima diagramação de textos e fotos sempre bem exploradas, a revista servia tanto para informar quanto para inspirar.

Particularmente, pra mim a revista sempre foi um parâmetro do que há de melhor para ser ver nos cinemas, nas livrarias, palcos, teatros e museus. Freqüentemente Bravo apresentava um novo artista, saía do obvio que era reproduzido e repetido na mídia de forma geral. Espaços como "Primeira Fila" ou "Apostas de Bravo" focavam o que havia de novo na cena cultural.

Com um texto sempre rico e prático, simples e bem escrito Bravo era única no mercado nacional, nunca elitista e jamais vazia ou superficial, mais do que uma revista, um radar, um incentivador, propulsor da cultura no país.

O Moviemento lamenta essa perda e agrade por todos esses anos de inspiração e informação, mais do que uma salva interminável de palmas... a Revista merece gritos e mais gritos de: Bravo! Bravo! Bravo!

Abaixo algumas capas da revista e um número em especial onde uma carta minha foi publicada.



Carta que enviei à Revista reclamando do corte de uma seção de ficção e de novos talentos, na mesma carta (que foi editada) elogiava o novo design da revista que sempre se manteve linda.

Leio Bravo desde a minha adolescência, foi Bravo quem me fez buscar novos diretores de cinema, novos livros, exposições. Bravo era aquela amigo com quem se podia falar sobre cultura, cinema e literatura... Pode parecer exagero, mas fará falta, muita falta...

Deixe seu comentário:

Finalmente uma parte importante da música brasileira será mostrada no cinema, depois de Cazuza, agora é a vez de Renato Russo e a Legião Urbana. Com direção de Antonio Carlos da Fontoura e roteiro de Marcos Bernstein, o longa que estréia amanha dia 03 de maio apresentará os primeiros acordes, primeiros passos de Renato Russo primeiramente a frente do Aborto Elétrico e depois na Legião Urbana. No papel principal Thiago Medeiros.


Veja o clipe da música Tempo Perdido de onde foi retirado o título do filme.




Depois da “Estética da Fome” vinda lá atrás com Glauber Rocha e cia. ou o “Glamour da Violência” com os mais recentes “Cidade de Deus” e “Tropa de Elite”, chegou a hora de rir de si mesmo (cinematograficamente falando). Como diria o poeta Drummond: “…por que seremos mais castos que o nosso avô português?…”.


Essa é a proposta de Totalmente Inocentes em cartaz nos cinemas. Dirigido por Rodrigo Bittencourt, com Lucas D´Jesus, Fábio Porchart e Mariana Rios nos personagens principais e Fábio Assunção, Ingrid Guimarães e Kiko Mascarenhas como suporte à produção.

A história gira em torno do amor de Da Fé (Lucas D´Jesus) por Gildinha (Mariana Rios). Entre essa paixão quase platônica está Do Morro, personagem de Fábio Porchart que, bem menos romântico, também está interessado na moça.
Para impressionar a amada, Da Fé acredita que tem que entrar no mundo do crime e parte numa desastrosa e cômica carreira criminosa. Enquanto isso, após ter tomado o DDC entregando a Diaba Loira (Kiko Mascarenhas) para a polícia, Do Morro quer aproveitar a situação e a oportunidade para ser capa da revista Taras e Tiros. Gildinha tenta conseguir uma entrevista com ele para Wanderlei (Fábio Assunção), que por sua vez quer impressionar a chefe (Ingrid Guimarães) e sair de férias.



Assim, motivadas por interesses próprios e pequenos, as ações dos personagens farão com que essas e outras histórias entrem em conflito, ora convergindo, ora se espalhando em outras diversas situações.

Com um público alvo bem definido pelo diretor, muito voltado para os adolescentes e usuários de internet, Totalmente Inocentes cumpre aquilo que propõe: o riso fácil ao adotar caminhos iguais a paródias como “Todo Mundo em Pânico” e “Corra que a Polícia vem ai”. Embora em alguns momentos o riso fácil seja pobre por demais, valem as diversas referências como a animação de Kill Bill ou a rotação da câmera de Cidade de Deus, entre outras.

Originalmente publicado no Cenas de Cinema
Ygor MF
Assista aos Curtas que concorrem ao prêmio Porta Curtas e deixe seu voto!



Realejo

Assista ao filme, leia o roteiro, comente 0, publique, Animação, de Marcus Vinícius Vasconcelos, Duração: 12 min, Plays 0

Vote!


Gênero: Animação 
Subgênero: Prêmio Porta Curtas 
Duração: 12 min     Ano: 2011     Bitola: Digital 
País: Brasil     Local de Produção: SP 
Cor: Indisponível 
Sinopse: Narigudo vive em um universo próprio onde a cada Lua Cheia, todos se aglomeram ao redor de uma Grande Árvore milenar para retirar cartões que trazem a função a ser desempenhada no mundo. Com o tempo, Narigudo acaba descobrindo que pode ir muito alémdo que imaginava ser possível. 




O Colecionador

Assista ao filme, leia o roteiro, comente 0, publique, Ficção, de Gunter Sarfert, Duração: 15 min, Plays 0

Vote!


Gênero: Ficção 
Subgênero: Prêmio Porta Curtas 
Diretor: Gunter Sarfert 
Elenco: Álamo FacóMaria Flor 
Duração: 15 min     Ano: 2012     Bitola: Digital 
País: Brasil     Local de Produção: SP 
Cor: Colorido 
Sinopse: Lucas, um colecionador de objetos de empresas falidas e tecnologias mortas, apaixona-se por Anna, a dona de uma loja de artigos fotográficos que está prestes a falir. Lucas precisa então decidir se a ama ou se Anna é apenas mais um item para sua coleção. 

Para assistir a outros curtas acesse:

Finalmente após uma longa história de tentativas e frustrações o romance de Jack Kerouac será finalmente adaptado para o cinema, orgulho para nós brasileiros é ver mais um ícone da literatura nas mãos de um brasileiro assim como Fernando Meirelles e "Ensaio sobre a Cegueira" de José Saramago, que por sinal teve diversos problemas até ir de fato para as telonas. Conta-se que Francis Ford Coppola (detentor dos direitos do livro) teria escolhido Walter após assistir "Diário de Motocicleta" outro road movie. 


O longa conta com a presença de Kirsten Dunst e Kristen Stewart, além do talentoso Sam Riley do ótimo "Control". Estréia prevista para esse mês

Kristen Stewart


Com estréia prevista para este mês de Maio o documentário Uma Longa Viagem da diretora Lúcia Murat revisita o tema da ditadura através das lembranças, documentos, fotos e vídeos da própria diretora que foca principalmente na vida do irmão um andarilho experimentando a contra cultura por todo o mundo.






















Mais um filme sobre o período militar? É uma pergunta que alguns mais ariscos farão já se distanciando e dando menos chances ao filme. E a resposta é sim! “Cabra Cega” é mais um filme sobre o período em que o Brasil viveu sobre o regime militar, e sobre a resistência armada e ideológica que alguns brasileiros praticaram contra o regime.

Seguindo uma visão minimalista, humana e particular, o longa se concentra no drama de Tiago, em mais uma grande atuação de Leonardo Medeiros ao invés de traçar um olhar panorâmico sobre o contexto. Se não fala de um assunto novo o aborda de uma maneira diferente.

Após ser baleado e ter visto a companheira capturada pela policia, Tiago é levado a um apartamento onde ficará “encarcerado” ou como se diz, como uma “Cabra Cega”, para recuperar suas forças, esperar que “baixe a poeira” e o comando lhe de novas missões.

Mateus(Jonas Bloch), um médico que de forma secreta participa dos movimentos de libertação, Pedro(Michel Bercovitch) um estudante de arquitetura simpatizante com a causa Rosa a enfermeira vivida por Débora Duboc, compõe o elo cada vez mais restrito e escasso de Tiago com o Mundo.

Tal enclausuramento também é sentido por nós, trancafiados juntos de Tiago, na mesma “brincadeira” de cabra cega. Toni Venturi utiliza muito bem todas as facetas da história que tem em mãos, o lado histórico e documental, dramático e passional e até mesmo uma visão lírica da eterna luta pela liberdade. Mas nada disso fica sobressaltado, é como se fossem visões ou informações subjacentes ainda que explicítas e chocantes como alguns trechos de cenas de tortura. De qualquer forma a direção bem controlada mantém o filme num ótimo caminho e ritmo.

O tema de “Cabra Cega” já foi por diversas vezes visto no cinema brasileiro, porém com passar do tempo e certo distanciamento daquele contexto é que vamos alcançando novas visões, menos viciadas, menos ingênuas e com maior força para refletir em novos pensamentos nos dias de hoje.

Ygor MF

Título Original: Cabra Cega
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 107 minutos
Ano de Lançamento (Brasil): 2005
Site Oficial: www.cabracega.com.br
Direção: Toni Venturi
Roteiro: Di Moretti, baseado em argumento de Fernando Bonassi, Roberto Moreira e Victor Navas
Elenco: Leonardo Medeiros (Thiago)
Débora Duboc (Rosa)
Jonas Bloch (Matheus)
Michel Bercovitch (Pedro)



Existe uma lista bem grande de pontos negativos a respeito de “Lula — O filho do Brasil”. Pode-se dizer que se trata de uma peça eleitoreira, que Rui Ricardo Dias não convence muito no papel de protagonista, que os R$ 12 milhões poderiam ter sido mais bem gastos, que os diálogos são repletos de clichês... Mas não se pode negar que a história a que Fábio Barreto se propõe a exibir merece — e muito! — ser contada.
Todos os brasileiros sabem um bocado da trajetória pessoal de Luiz Inácio Lula da Silva, mas, em geral, o filme é capaz de gerar consideráveis surpresas até mesmo naqueles que se dizem bem informados. Toda a construção da trama tem um quê de novela da Globo, mas nem por isso a obra deixa de informar, emocionar e entreter o público, seja ao retratar a miserável infância de Lula e sua família em Pernambuco, a viagem de 13 dias para São Paulo, a difícil relação com o pai, a formação do caráter do futuro presidente da República e, obviamente, a importância da figura de dona Lindú, sua mãe, interpretada por Gloria Pires.
Assim como em “Dois Filhos de Francisco” — no qual toda a trama é costurada a partir da obsessão do pai de Zezé di Camargo e Luciano pela música —, aqui, se existe algo dessa natureza, está concentrado no zelo de dona Lindú para com seus filhos, de modo a educá-los com correção e dentro dos valores considerados por ela como ideais para a formação de um homem: honestidade, respeito, dedicação ao trabalho e à família, bondade.
Dessa forma, cada pequena evolução da vida de Lula, desde sua infância até a ascensão no movimento sindical dos anos 70, é permeada pelos conselhos e direcionamentos de sua mãe. Fosse uma história fictícia, a personagem interpretada por Gloria Pires talvez soasse como inverossímil.  Como se trata de um retrato de quase três décadas do presidente mais popular da história do Brasil, torna-se necessário outro viés.
A imagem do presidente Lula, especialmente depois de sua posse, em 2003, é toda cercada de contradições: ora conservador, ora extremamente progressista; às vezes cercado pelas forças corretas da política, às vezes cercado por raposas maquiavélicas. No futuro, certamente sua complexa trajetória será motivo de estudos e mais estudos para que a história do Brasil seja mais bem compreendida. “Lula — o filho do Brasil” será, no mínimo, um instrumento a mais para essa análise.

Fernando Damasceno é colaborador do MOVIEMENTO, e mantém o JÁ REPAROU? . Fernando é jornalista, ganha a vida escrevendo sobre política, mas no fundo gosta de escrever sobre cinema, livros, música e esporte.
fldamasceno@hotmail.com