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O frio que vem pela janela da sala
contrapõe-se com o despertar de misterioso e
imprevisto bem estar.
São os barulhos da janela,
e as contas atrasadas o anúncio da morte caseira,
pronta com temperos da cozinha,
morte que interrompe as conversas de janelas e
a alternância de canais na televisão.
Devo tomar a rua, alcançar as praças,
sentar-me aos bancos. Ouvir o som baixo e
fraco das coisas, apanhar jornais envelhecendo?
O caviar apodrece no refrigerador,
espera por outras ocasiões de consumo,
intransponível...
À luz da garagem acesa, a casa dorme....
Porcelana, louça, dinheiro,
chaves em locais fáceis.
Pintava-se assim com o brilhar dos cristais no armário
a hipocrisia burguesa de um anoitecer em família.
Sem que os burgueses saibam dos burgos,
nem das revoluções,
a enorme televisão ou os vinhos envelhecidos
denotavam a história.


Naquela noite teve um desses sonhos que parecem reais, muito reais. 
Em seu sonho permaneceria dormindo pra sempre, neste sonho, nesse lugar, nada acontecia, nem outros sonhos ou pesadelos. Tudo permanecia parado como em algum lugar do espaço onde nem estrelas ou qualquer outra coisa ofuscam a preseça do NADA.
Era perfeito viver nesse vácuo de existência onde as coisas são perfeitas justamente por não existirem. O mais absoluto Nirvana que de tão nada, nem deveria ser citado aqui.
Contudo, o digo porque era um sonho, lamentavelmente ele acordou, coberto da insistência da vida que se faz entre bilhões de coisas inúteis, mas que no entanto, existem, influenciam e lhe obrigam a lembrar que terá pela frente mais uma vez a miséria dos dias... 


Era uma vez um barquinho a vela.
Não era movimentado por motores, nem hélices.
Nem correntes ou ancoras podiam pará-lo.

Gostava de depender do vento.
Fazer de Icebergs playground,
de rochedos pequenas ilhas.
Poucos sabiam que o barquinho
já foi barco a vapor.
Truculento, pesado, cinza e barulhento
parecendo se arrastar pelas águas.

Mas aquele barquinho a vela,
queria ser bem menos do que isso.
Pois, sabe que em certas coisas, menos é mais.

De barco a vela queria se transformar em jangada, 
caiaque, standup-paddle.
Qualquer coisa sem amarras, 
até mesmo jacaré sobr eas ondas lhe serve.

Leve... leve como espuma, 
belo como horizontes, livre como pássaros...
O barquinho a vela, quer ser o próprio vento...


SIM!
Acreditou que estava imune
às boas ou más notícias.
Mas na verdade não suspeitava
e não suportaria a presença das tragédias
que espreitavam seus caminhos de lascívia.
Com deslisura decretou que nem mesmo
os próximos contentamentos lhe causariam maior euforia.
Presunçosamente julgava-se intangível
por qualquer sentimento.

Pagar as contas
revisar os contos
limpar os cantos 
ouvir o canto.


Necessidade urgente de valores
pungecia de perícia
limpidez iminente
som premente.

Num exercício proposto na Clipe - Casa das Rosas, a idéia era comparar a construção de um poema a alguma tarefa qualquer, algum ato rotineiro, como o celebre Catar Feijão de João Cabral de Melo Neto.

Minha comparação foi o quebra cabeça, a escolha de uma peça pra cada espaço, da mesma forma que o poema precisa de cada palavra no espaço, no ritmo na sequência certa, apesar do certo e errado, ideal ou não na escolha das palavras ser algo muito subjetivo e limitado ao poder de cada autor. Existe sim sempre a procura para ocupar aquele vazio. 

Mãos estáticas diante do vazio,
Infinito em centímetros onde dormem mil possibilidades,
Vácuo que reclama a coisa que lhe falta, 
sem saber o que lhe caberá.
No entanto, já existe o espaço do incompleto,
Já existe a ausência que não dói nem corrói,
Ausência branda de elemento, física, 
intransponível, suportável.
Paralelo o poema permanece estático,
Vai se construindo de cada resto do nada,
Se incorporando de cada espaço vazio do quebra cabeça.

Ygor Moretti

Catar Feijão

Catar feijão se limita com escrever:
joga-se os grãos na água do alguidar
e as palavras na folha de papel;
e depois, joga-se fora o que boiar.
Certo, toda palavra boiará no papel,
água congelada, por chumbo seu verbo:
pois para catar esse feijão, soprar nele,
e jogar fora o leve e oco, palha e eco.

Ora, nesse catar feijão entra um risco:
o de que entre os grãos pesados entre
um grão qualquer, pedra ou indigesto,
um grão imastigável, de quebrar dente.
Certo não, quando ao catar palavras:
a pedra dá à frase seu grão mais vivo:
obstrui a leitura fluviante, flutual,
açula a atenção, isca-a como o risco.

João Cabral de Melo Neto
Ilustração de Leandro Bulkool

Não Alcalóide


Sem saber da existência do fantasma
de Gene Kelly, permaneço abaixo de gotas
que nem desconfiam de ritmo ao cair e explodir
na testa franzida.

O escuro, o silêncio, são todas formas,
são vidas esquecidas.
Uma mulher esperava na sala,
roubava-me a paciência,
mastigava consciências e fazia bolas azuis de chicletes.

Um abajur a olhava, a luz tinha gosto de hortelã.
Alguns quadros eram pintados,
e visões mudas eram ignoradas,
um grito necessitava ser gritado,
ganhava uma complexidade orgânica,
e tinha a altura como fundamento.

Noutro canto a alegria temia sua denúncia,
mas os tecidos mais que células,
evoluções menores que os órgãos esperavam,
esperavam as conquistas humanas,
o estigma das máquinas.

Mas a noite chegava, jamais faltava,
rios de culturas gastronômicas nos ligavam
ao oriente, gotas de Samurai despencavam do ar.
Cada susto aguardava por de trás da porta.

Mais um projeto concluído pela Capitular Design, Projeto Gráfico da capa e contracapa do livro Símbolos da Essência e do Caminho de Jefferson J. JR.
A idéia era alcançar algo que fosse limpo mas ousado ao mesmo tempo, que uni-se o clássico com o moderno, e que de  uma forma bem importante deixasse a mensagem de diferentes caminhos de diferentes oportunidades e escolhas, camadas, imagem por de trás da imagem, contextos inerentes e implícitos em outros contextos.

Sendo assim foi utilizado apenas uma pequena parte da imagem, limitando essa a moldura numa parede branca, lisa, junto de fontes levemente serifadas que remetem a elegância e ao clássico ao mesmo tempo.

O livro pode ser encontrado no Amazon, Abaixo resenha do livro:

Pode-se dizer que este livro é de prosa em verso. O que há em si de poesia se une à filosofia, à transcendentalidade, ao autoconhecimento.
Às vezes, partindo de pequenos eventos cotidianos, se chega a noções e entendimentos amplos sobre aspectos: da psicologia humana; das leis da natureza; de fagulhas da lógica que conduz a vida.
Essa compreensão não é forçada nem resultado de um ramo do saber específico, especializado. A captação do incomum, de um significado por trás dos eventos, surge justamente no momento em que áreas distintas do conhecimento são sobrepostas.
São símbolos sutis, que vamos aprendendo a enxergar à medida que alguns deles nos são apresentados e, principalmente, a partir do instante que começamos a nos interessar em percorrer este caminho.
Sketchbook de quem não sabe desenhar

Deu uma passadela com os olhos na manchete porque a matéria era muito longa. 
Preferiu o resumo e antes a resenha porque a obra era longa demais.

Tomou veneno, porque subir ao 30º andar demoraria demais, porém, enquanto engasgava com o líquido, sentia falta de ar, espasmos e dores pelo corpo, arrependeu-se, pois a queda seria de fato, muito mais rápida.
Correu 5 KM porque não cabia em sua rotina treino pra maratona.

Contudo, diante de todos os tropeços e fracassos, não explodiu, embora quissesse ser uma granada em fagulhas. Outro dia com o humor um pouco mais afetado, desejou ser uma bomba de Napalm ou nitroglicerina líquida distribuída nos rios da cidade. Independente do que fosse, não teria tempo pra juntar os cacos e por isso, preferiu ficar avançar ao estágio de zumbi, porque não tinha tempo para o velório nem as burocracias do necrotério.

Escreveu um haicai porque nem poesia ou soneto tinha tempo, nenhuma rima em suas frases a não ser as acidentais, nem conto, nenhuma história para contar, nem romances ou enlaces eram comportados pelas horas daqueles dias.

Porque estou enamorado...
e a vida ciumenta possessiva 
não quer desgrudar de mim, 
me cobra me empurra a frente de tudo
em todas as estradas e direções.

Ahhh essa vida que nem mais
me deixa respirar ou parar frente um quadro.
Essa vida coisa apaixonada por todos os meus minutos
que nem meus são mais.

É por tanta alegria e tanta benção
que mal o oxigênio para por essas bandas,
tão ralinho que
suspeito nem estar respirando mais.

E devo viver, viver outra vez, 
ao mesmo tempo em diferentes partes,
e a impaciente da vida
nem me dá tempo para escrever Aquele Poema...


Leia outras tentativas de Victor Camundongo de escrever Aquele Poema


Lançado pela editora Patuá o livro “O Trato de Levante” de Bellé Jr, tráz a poesia das junções “impossíveis”que para tal, contou com a habilidade do autor, evocando “espíritos” ou figuras da cultura brasileira, junto a um lirismo sutil e delicado num ritmo a lá beatniks. Ainda observando as justaposições, há uma unidade no livro que unifica todos os poemas e em contrapartida deixa escapar uma pluralidade maior e diversa em cada estrofe.

Leia abaixo a entrevista que o autor Bellé Jr. cedeu exclusivamente ao Moviemento:

Olá Bellé Jr, seja bem vindo ao Moviemento e ao espaço Entrevista com o Autor, desde já agradecemos sua participação.

Diga a nossos leitores quem é Belle Jr, e como surgiu sua paixão pela literatura:
Eu que agradeço o espaço que você, Ygor, e o Moviemento dão à poesia. Sou jornalista por ofício, e também pela paixão por histórias e por contá-las. Isso também se mostrou nesse livro, que foi escrito em forma narrativa. A literatura simplesmente aconteceu na minha vida. Lembro dos livros do Pedro Bandeira, devorei-os quando era bem novinho. Esse foi o primeiro estalo.

E de uma leitor para escritor, como se deu essa transformação?
Escrevo poesia desde os 13, 14 anos, mas só mostrava para minha mãe e alguns amigos mais próximos. Assim foi até a universidade, quando escrever se tornou uma rotina que sigo até hoje. Venho do Paraná e lembro bem de um dia, quando já estava morando em São Paulo e visitei minha irmã em Curitiba. Ela estava limpando as tralhas da casa e me entregou um envelope enorme e um LP do segundo disco do Legião Urbana. Dentro de ambos havia uma infinidade de poesias. Comecei a ler e percebi que o hábito de escrever era mais antigo do que parecia. Mas começou a ficar sério mesmo em 2010, quando publiquei meu primeiro livro de poesia e um livro reportagem.

Você está lançando “O Trato de Levante” pela Editora Patuá, do que se trata o livro na sua opinião?
É uma história de amor e revolução, dois temas quase obsessivos para mim. É também um livro com forte tendência pornográfica e alma anarquista, característica que muito me orgulha. Há muito de mim nele, um dos protagonistas leva meu nome, ainda que seja um personagem ficcional, é uma metalinguagem que muitas vezes escapa do meu controle.

Trecho do livro:

“Acho que sou pólen. Ou anúncio de flor.”

“A cada estação. Fui embora. De alguém.

Embora. A cada estação. Em alguém. Eu aportasse.”

Em seu texto aparecem muitas citações de autores, quais seus autores favoritos e aqueles que lhe inspiram ou lhe servem como referência?
Há inúmeros, mas o Benedetti, Neruda, Torquato Neto e o Thomas Mann, de certa forma, foram mais impactantes. Recomendo demais a leitura de todos eles, a começar pelo primeiro citado, esse uruguaio muito louco.

E quanto ao seu processo criativo, como se dá, alguma particularidade?
Levei mais de três anos para terminar o livro. Escrevia sempre que possível, nos finais de semana, de manhãzinha, de madrugada, sempre que o capitalismo me dava um refresco. Mas sentia que jamais finalizaria a obra nesse ritmo. Então, no final de 2012 me inscrevi para algumas residências artísticas, fui aprovado em duas nos EUA, raspei as economias e me isolei por quatro meses. Só assim o desfecho saiu.

Novos projetos em vista pode nos adiantar algo?
Sempre há algo fermentando nas ideias. No momento estou matutando um roteiro baseado em um dos contos do livro Sísifo Desatento, de um jovem e fodástico escritor curitibano chamado Homero Gomes. Mas pretendo me embrenhar num novo livro de poesia em breve, já tenho algumas premissas deitadas, mas elas exigem um tempo de maturação.


Por fim agradecemos sua atenção e participação aqui no Moviemento, deixe um recado para seus leitores ou para outros autores que estão buscando seu espaço.
Todos nós estamos buscando nosso espaço, escrevemos em tempos imagéticos, no império do visual, o que torna tudo mais complicado. Além, é claro, do fato de estarmos num país cujos habitantes ainda aprendem o prazer da leitura. Isso, por um lado e ótimo, pois há potencias leitores a serem descobertos e conquistados. Por outro, é uma merda, pois muitas vezes escrevemos para ninguém além de nosso comparsas. Mas como o rock, a poesia é para um e para um milhão.

O livro Um Objeto Quando Esquece, disponivel para download ou leitura online!!! 
Leia abaixo ou acesse o LINK


Post Coitum – Animal Triste

Câmera lenta, foco, luz , corredor.
Andar entre paredes não ousando derruba-las,
nem ultrapassa-las ou transpo-las fisicamente fazendo parte
de sua existência branca.

Aquário, remédio, flash back.
Descobrir cartas tímidas entre outras,
as minhas chegam sempre assim,
ser assim, ter assim as palavras,
em bloco entre outras.

Cenário, nu, preto e branco.
Caminhar para aquele lugar,
um lago de mármore,
oxigênio sintético.
Simetria, sinistro.

Todos os objetos do cômodo
são muralhas cinzentas de aprisionamento.
Um vaso faz chorar,
lençol, camisa de força.
A tristeza pesa no corpo,

Conspiração gravitacional.
Tu tens a tristeza num terno
que permite o abraço material,
o tapa que desmoraliza,
o murro na boca do estômago.
O teu chinelo foi roubado,
A tua cama desfeita,
Os cabelos crescem e lhe personificam, lunático.

Impossível fugir dos espelhos,
A voz alta.
O toque do telefone, o frio na espinha.
Raiva...Raiva por sentir raiva,
Por ter sido triste no ultimo instante,
Por não ter quebrado aquela vidraça.

Tomada final, take, destino.
Traição de mentira, vida de plástico,
Interpretar a si mesmo.
Não se saber personagem,
não reconhecer tua ultima conquista.

Correio, coito, canção.
Não entender o fim da historia,
claustrofobia, medo de gente, de rua vazia.
Tu tens a doença da noite mal dormida,
morte homeopática,
sem rimas, sem “casting”,

triste sem querer

Poema do livro "Um Objeto Quando Esquece", ainda inédito.



Foi-se a Copa? Não faz mal. 
Adeus chutes e sistemas. 
A gente pode, afinal, 
cuidar de nossos problemas.

Faltou inflação de pontos? 
Perdura a inflação de fato. 
Deixaremos de ser tontos 
se chutarmos no alvo exato.

O povo, noutro torneio, 
havendo tenacidade, 
ganhará, rijo, e de cheio, 
A Copa da Liberdade.

Carlos Drummond de Andrade

UM TIME PACATO

A Copa vai começar,
e eu vou torcer!

Vou torcer,
por incompetência da razão,
e mérito total do coração.

Não sei se nasci assim,
genuinamente brasileiro,
acredito que o Senna me influenciou,
mas certamente as dificuldades ensinaram:
desistir nunca,
persistir sempre,
vibrando com cada jogada da vida.

Sociologicamente,
puta merda,
Desordem e Regresso,
Confesso, 
e rezo,nosso time não nasceu para perder.

Marcelo Andrade é Jornalista na produtoramc e autor do livro O Evangelho das Ruas, publicado pela Editora Incomum

MORANGOS

Nunca houve morangos
como os que tivemos
naquela tarde tórrida
sentados nos degraus
da porta-janela aberta
de frente um para o outro
seus joelhos encostados nos meus
os pratos azuis em nossos colos
os morangos brilhando
na luz quente do sol
nós os mergulhamos em açúcar
olhando um para o outro
sem apressar a festa
para chegar ao fim
os pratos vazios
deitados sobre a pedra juntos
com os dois garfos cruzados
e me aproximei de você
dócil naquele ar
nos meus braços
abandonado como uma criança
da sua boca ávida
o gosto de morangos
na minha memória
inclina-se de volta
deixe-me amá-lo
 deixe o sol bater
sobre o nosso esquecimento
uma hora de tudo
o calor intenso
e o relâmpago de verão
nas colinas de Kilpatrick
deixe a tempestade lavar os pratos.


Tradução de Virna Teixeira.
Indicação de nosso consultor, poeta e apaixonado por poesia Israel Azevedo

I.

Sou um homem apenas, preciso de sinais visíveis,
me canso logo construindo as escadas da abstração.
Pedi não raro, bem sabes, que a figura na igreja
erguesse a mão para mim, uma única vez.

Indicação de nosso consultor, poeta e apaixonado por poesia Israel Azevedo


Olá amigos da cultura! Algumas cenas que vivenciamos, no calor da nossa rotina, nos marcam e nos levam a longas reflexões. Recentemente, acompanhei duas histórias, dois extremos e decidi registrar em tom de poesia, principalmente para preservar a identidade dos envolvidos. Aprecie e boa reflexão. 

De um lado,
uma viciada em crack,
queimando a vida,
basicamente sem esperança.

Na outra ponta,
uma enfermeira que salva vidas,
hoje lutando por ela,
com a pílula da esperança.

Dois extremos,
dois seres,
por um milagre,
do único Deus!


Marcelo Andrade é Jornalista na produtoramc e autor do livro O Evangelho das Ruas, publicado pela Editora Incomum

I.

Ar puro os alvéolos aplaudem. Mas a malha era fina. O frio
tomou para si a carne qual bandeira desfraldada sem dó
nem piedade. A chuva e o vento aderiram à contenda
dedilhando a lira torácica. Corremos da varanda para junto
da lareira. Você queria ver a neve e olhou pela janela. As
horas passavam de esqui. Quem mais corria na imagem
verde-musgo do espelho frio de Lake Tahoe?

Indicação de nosso consultor, poeta e apaixonado por poesia Israel Azevedo

Krill (uma pérola)
  
No fundo
eu quis ser o galã de ultramar, cantando
no navio afundado – com os olhos

ardendo pelo gás verde
e o milagre do polvo. O balbucio
da descompressão
trocou minha sorte, minha habilidade

pelo pânico
das cenas finais. De nada

valeu
meu traje azul Varsóvia
meu penteado de franco-atirador. “Esta
canção – arraia
atravessando a penumbra – chama-se pérola
das profundezas, e diz 
assim.”-

Aníbal Cristobo

Indicação de nosso consultor, poeta e apaixonado por poesia Israel Azevedo