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Continuando a divulgar e resgatar os textos do O Cinemista, coluna cinecult onde escrevi até o ano passado. Dessa vez crítica do longa de animação Valsa com Bashir.

Durante as primeiras cenas de Valsa com Bashir, animação israelense que concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro, é impossível, ou ao menos de grande dificuldade, não permanecer impressionado e perplexo com as deslumbrantes imagens do longa. Uma mistura de desenhos 2D com traços grossos e tremidos, junto a movimentos em 3D, que chegam a assustar tamanho o realismo alcançado.


Passados essas primeira impressões, que ao longo do filme voltaram a deslumbrar os olhos do público, Valsa com Bashir mostra a tentativa angustiada de Ari Folman (Diretor e roteirista do filme, também soldado das forças de Israel) de reconstruir sua memória sobre o tempo da guerra civil Libanesa e do massacre de Sabra e Shatila. Tal viagem de reconstrução terá inicio quando Folman ouve o relato de um amigo sobre os pesadelos que o perseguem desde o tempo do exército, intrigado com a sua falta de lembranças daqueles tempos, o diretor, roteirista e personagem do filme dá inicio a busca por suas memórias perdidas.

Nesse caminho o longa ganha um “ar” documental que intercala os dramas das pessoas envolvidas na guerra chegando a momentos de pura vertigem, onde realidade e alucinações mal podem ser distinguidas. Como não poderia ser diferente de uma história sobre guerra e mais, sobre os conflitos do oriente médio, Valsa com Bashir toca sim em questões políticas, mostra os absurdo cometidos e deixa claro sua critica, no entanto, sem deixar-se levar por uma postura panfletária, sendo mais pacifista do que partidário.


Baseado no livro escrito pelo próprio Chris Kyle, o diretor Clint Eastwood reconta em “Sniper Americano”, a trajetória do atirador de elite em 4 temporadas no Iraque. Temporadas que deram a Kyle o título de lenda do exército americano, responsável por mais de 100 terroristas abatidos.

Nas mãos de Eastwood a biografia teve preservada toda a complexidade do personagem e os diversos temas presentes na história, não se limitando a tiros e “fogos de artificio”. Nessa mesma toada o ator Bradley Cooper que também produz o longa, tem mais uma boa aparição na telona, mais uma vez incorporando física e gestualmente o personagem.

A temática do longa, vai além da guerra, questões políticas ou simplesmente o retrato da ação e dos acontecimentos. Foca muito mais na trajetória do homem e na construção do mito ao passo que indivíduo vai se desintegrando, fomentando a luta “marido e pai”, travam para coabitar o mesmo lugar com o “soldado e herói” de guerra.

No entanto a questão mergulha um pouco mais a fundo, pois Kyle, não se vê como herói, e muito menos como um privilégio seu status e poder. Em sua visão tudo não passa de obrigação que ele tem não só com o país que aprendeu a amar desde criança, mas com seus compatriotas, cidadãos americanos e principalmente seus irmãos de guerra.

Para distorcer essa estátua de semideus quase patética de um estereotipado herói americano, a premissa do roteiro de Jason Hall, parte do princípio de que é impossível deixar a guerra e as atrocidades vividas em campo de batalha sem nenhum arranhão. Dessa forma observamos que mesmo na segurança de seu lar, entre familiares, Chris Kyle jamais deixou a guerra e por conseguinte nunca foi abandonado por aqueles fantasmas e sombras.



É nesse momento em que Sniper Americano ganha força, diferente das produções que detratavam os horrores e errôneos motivos da guerra do Vietnã, os longas produzidos a partir do 11 de setembro vão de encontro a cena macro do ser, muito menos o soldado e mais o ser humano, lembrando rapidamente; “Guerra ao Terror” 2008 e a “A Hora mais Escura” 2012.
No elenco podemos nos ater a dupla Bradley Cooper (Chris Kyle) e Sienna Miller (Taya Kyle sua esposa).  Que guardadas as devidas proporções rumam para direções opostas. Quando o que há de humano e sensível em um vai desaparecendo, no outro vai florescer a força e o sofrimento da mulher e mãe que se vê a maior parte do tempo sozinha com os filhos, chegando ao ponto de em dado momento suplicar a Chris: “volte a ser um humano”.

O roteiro desde o início deixa claro toda essa complexidade de personagens e trama, logo de cara vemos Kyle em ação com uma mulher e um menino em sua mira de seu rifle, eles carregam uma espécie de granada e partem em direção a um grupo de soldados norte-americanos. Já nesse clímax inicial há um corte para a infância do atirador quando ele aprendeu a dar seus primeiros tiros, sob supervisão do pai que desde aquele tempo inseria na mente de seus filhos a teoria sobre os três tipos de pessoas, os lobos, que fazem mal o mal, os cordeiros, que sofrem esse mal sem poder fazer nada e os cães pastores que cuidam dessas pessoas? Dessa maneira entre as idas e vindas do personagem à zona de guerra, o roteiro contrapõe esses dois espaços distintos que no entanto, tentam a impossível tarefa de coexistir ao mesmo tempo e com a mesma importância.

Mas nem só dessas locomoções é que o roteiro se serve para percorrer toda a história, assim como no primeiro exemplo da infância de Kyle, outros flashbacks são interpolados para de certa forma ajudar na construção do personagem.

Chris Kyle na vida real

A direção de arte e fotografia faz uso de grandes planos e tomadas aéreas, tons claros entre um céu azul e limpo contrapõe-se ao clima seco arenoso dos desertos e das locações no oriente médio, onde acontece todas as cenas de ação.


Com esses atributos e escolhas técnicas Sniper Americano teve 6 indicações ao Oscar 2015 e superou todas as bilheterias de 2014. Trata-se por fim de um interessante trabalho do experiente diretor Clint Eastwood e do ator Bradley Cooper que se mostra cada vez mais seguro com personagens densos e complexos. Fica no entanto, um alerta sobre a produção, principalmente nos momentos em que o discurso de heroísmo acima das polemicas discussões sobre o indivíduo e a guerra, como se uma espessa nuvem pairasse no ar sem ter coragem de tachar ou mesmo discutir o heroísmo e nobreza do personagem principal versos patriotismo e cegueira ideológica pouco abordada como se nem mesmo fosse uma opção de interpretação para o público.



Em seu terceiro longa o diretor Andrew Dominik continua a perambular pelo mundo dos assassinos e criminosos. Desta vez em "O Homem da Máfia" com Brad Pitt, o diretor conta a história desse homem (Jackie - Brad Pitt) responsável por solucionar alguns dos problemas de mafiosos de Boston.

Em verdade não é muito a história de Jackie que vamos acompanhar e sim o seu trajeto ou "turno" enquanto trabalha. Depois de um roubo a uma casa de jogos, a mafia que controlava o lugar contrata Jackie para achar os criminosos. Assim de forma sutil e letal Jackie inicia a sua busca.
Paralelo a suas andanças vamos acompanhando através de cartazes, rádio e televisores a campanha de Barack Obama a presidência dos Estados Unidos em 2008, entre promessas e propostas para solucionar os problemas da nação em meio a uma forte crise financeira, o longa faz um paralelo entre esses dois homens que de forma diferente estão ali para resolver os problemas dos outros, é para isso que de um jeito ou de outro foram eleitos.
Num cenário desolador, de ruas vazias e uma Boston que parece abandonada, Andrew repete o ritmo lento, quase irritante de "O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford", porém se o longa parece arrastado, nos diálogos há conteúdo para diminuir esse inconveniente. Até mesmo nas pouquíssimas cenas de ação do filme o diretor opta por sequências em camera lenta, ironicamente acompanhadas por melodias que em nada tem a ver com as cenas de violência que se vê ali.


O elenco está muito bom, não só em nomes como Brad Pitt e Ray Liotta, além de Pitt num lugar incomum mas bastante a vontade como "vilão" as participações de Scoot McNairy e Ben Mendelsohn como ladrões inexperientes e principalmente James Gandolfini como um matador profissional com crises sentimentais é que rouba a cena.
Veja o trailer do filme:























George Cloney é Jack, um sujeito calado, pouco expressivo que faz jus ao título do filme revelando pouco de sua personalidade. O que se sabe é que Jack trabalha construindo armas letais e esse serviço não lhe rende muitos admiradores. E quando é descoberto e perseguido Jack decide fugir para Roma e em seguida para uma pequena cidade italiana. Lá tentará manter-se vivo e em sigilo. Flertando com a dúvida e com a vontade de ter uma vida normal Jack conhecerá Pavel uma prostituta, o que a principio seria uma parceira ideal para um relacionamento informal passa a ser algo novo e também misterioso.

Pouco exigido no papel, Cloney parece econômico, o que em verdade corresponde muito com o ritmo e a frieza do personagem, mas há um momento em que essa frieza é rompida e vencida, surge uma comoção rápida, silenciosa, os créditos aparecem, permanece um mistério pouco inquietante e um suspense tranqüilo...