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Akasha

leva-me
ao profundo dos teus olhos
tentaculares, enfurecidos
resgata tua morte
porque são muitos os que a lembram
e jamais haverá glórias pelo teu reino
de cadáveres
no céu, o sol é frio
corada ainda tua pele
de mãos dadas, você e eu
juras, carícias, palavras
poupe-me, perdoe-me
pois é preciso negar-te
partir para que eu a traia
oh minha cara
para que privá-los
da luz, quando a treva
nos apetece?

Israel Azevedo


MEMÓRIAS DE UMA GUEIXA

Gueixa, olho-mar
Olhar, seda, seduz

Garras, cirúrgico aço
disputam a proteger
sua pele que é sol
guardada em sombra

Ideograma cifrado
Seu coração
Sua dança tem ritmo de chuva

Oriente melodia
meu pensamento

Cabelos negros, morte, presos
Soltos, se espalha
água escura
Ilha-me
O sangue arqueja
Suspiro mudo, flutuo

Gueixa, ser-segredo
Sem nós, temo.
 
Poema de Thiago Correa