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Restrepo é o nome de um soldado morto no Afeganistão, Tim Hetherington e Sebastian Juger poderiam em seu documentário ter contado essa história, no entanto, contam a história das operações de um batalhão do exército americano no vale Korengal, diz-se um dos lugares mais inóspitos daquele pais e de extrema importância tática para o combate.

Em uma homenagem ao companheiro, os soldados dão o nome de Restrepo ao posto mais avançado e mais difícil de ser defendido, sob ataque constante do inimigo. O documentário mostra essa rotina, intercala depoimentos dos soldados, reuniões do capitão norte americano com os lideres das aldeias e momentos difíceis de ataques e vigílias.

“Restrepo” consegue manter-se desvinculado de qualquer partido ou visão política, mesmo tratando de um tema tão complicado, e justamente por isso, parece “apenas” documentar parte de uma guerra em que é difícil denominar mocinhos e bandidos...

Ygor MF



Ficha Técnica:
título original:Restrepo
gênero:Documentário
duração:1 hr 34 min
ano de lançamento: 2010
site oficial: http://restrepothemovie.com
direção: Tim Hetherington, Sebastian Junger
Hiroshima Mon Amour –
Prisão do Esquecimento

O diálogo do incomunicável, a expressão do inexpressível, compreender e se livrar do passado que não se entende e não se liberta. Essas são tentativas frustradas dos personagens de “Hiroshima Meu Amor”, uma atriz francesa de passagem pelo Japão para gravar um filme contra a guerra se encontra com um arquiteto japonês, ambos perdidos de seus relacionamentos conjugais se encontram em uma país que tenta ainda se reencontrar emocionalmente numa pós catástrofe atômica.

O diretor francês Alain Resnais tenta contar a história do incontável, em diálogos desconexos, distantes, sozinhos. O início do filme é composto de longos momentos de silêncio, contemplação do nada, imagens fortes do bombardeio do qual a cidade de Hiroshima foi alvo.

A trilha sonora melancólica acentua o clima e cada sentimento dos personagens, enquanto estes são a justa contraposição de sentimentos e caminhos a ser percorrido. Elle (Emmanuelle Riva) é uma bela e sensível atriz, no entanto atormentada por um amor do passado que a mantém inerte, como se perambulasse através dos dias e pessoas. O olhar sempre angustiado parece buscar a visão daqueles dias perdidos. Lui (Eiji Okada), ao contrário, quer fugir dos dias passados, e do atual momento de sua vida com um casamento fracassado sem amor, para isso o arquiteto encontrará em Elle o caminho para sua fuga ou sua redenção. Nesse romance intenso e descompassado Hiroshima meu Amor alcança maiores vôos do que somente um relacionamento entre duas pessoas, segue inerente, toda uma carga política, e filosófica por trás de todo gesto que se vê na tela.

Sendo um dos precursores da Nouvelle Vague o diretor Resnais conta uma história densa, utilizando e misturando a linguagem literária à cinematográfica, formatando uma história quase estática, mas ainda sim não linear.
















Sem dúvida que Hiroshima Mon Amour não é um filme fácil, já que os cineastas da “nova onda” buscavam justamente o distanciamento de produções comerciais, buscando o conflito da imoralidade antes escondida.

Por fim, cabe se dizer que: Para se ver livre do passado há de se entregar a prisão do esquecimento...

Ygor Moretti


FICHA TÉCNICA
Diretor: Alain Resnais
Elenco: Emmanuelle Riva, Bernard Fresson, Eiji Okada, Stella Dassas, Pierre Barbaud.
Roteiro: Marguerite Duras
Fotografia: Michio Takahashi, Sacha Vierny
Trilha Sonora: Georges Delerue, Giovanni Fusco
Duração: 90 min.
Ano: 1959
País: França/ Japão
Gênero: Drama
Cor: Preto e Branco
Estúdio: Argos Films
Classificação: 18 anos


Operação Valkiria

Após dirigir dois longas de super-heróis, o diretor Bryan Singer (X-men 1 e 2 e Super-man o Retorno) volta ao tema da segunda guerra, como em “O Aprendiz” de 1998, focando o fascínio e os bastidores do regime nazista.

Operação Valkiria percorre um viés diferenciado dos demais filmes sobre a 2ª Guerra Mundial, pode se dizer que assim como “O Aprendiz”, “Operação” não é, ao menos em sua totalidade um filme sobre a guerra em si. Mas uma complicada e controversa tentativa de desmistificar nazistas, traidores e heróis dentro do 3º Reich.

Claus von Stauffenberg (Tom Cruise) e um grupo de oficiais descontentes com o rumo que Hitler deu à guerra e principalmente à Alemanha, planejam por em prática a Operação Valkiria, uma manobra militar que tem por objetivo controlar a Alemanha após a morte de Hitler. Para que tal aconteça, Stauffenberg é designado para matar o Fuher e assim a partir dali devolver a Alemanha a seu povo.


Essa é a história de “Operação Valkiria”, que mostra uma das mais de quinze tentativas de mudar a história e segundo o personagem de Kenneth Branagh; “mostrar ao mundo que não somos todos como ele”, se referindo a Adolf Hitler. No entanto é justamente essa afirmação que faz com que incertezas e desconfianças rodeiem a percepção do público mais atento. Afinal, por que entre tantos, tão poucas pessoas ousaram desafiar Hitler? E entre esses poucos, quais seus reais motivos? Tais perguntas denunciam uma certa tendência do longa em criar heróis mais aos moldes de Hollywood. Não que devamos duvidar da índole de todas as pessoas envolvidas naquele contexto, mas de certo a tentativa de impor uma candura aos personagens se aproxima mais de um pragmatismo cinematográfico do que de um relato histórico.

Por outro lado, e fazendo justiça ao que a história veio mais tarde confirmar, cerca de 200 pessoas envolvidas na operação foram executadas como traidores da nação, e mais tarde, por volta de 1950, foram designados heróis de guerra, mártires. Sendo que até os dias de hoje o golpe de 20 de julho é celebrado no Memorial da Resistência Alemã, como demonstração de respeito e dever com a história.

Tecnicamente o filme é brilhante, a trilha sonora atua como uma constante e presente pontuação do vários momentos de suspense e tensão. Bryan Singer, mesmo contando uma história sobre a qual já sabemos a conclusão, consegue construir uma ligeira esperança entrelaçada no suspense de como e por que as coisas acontecerão.

No mais, com um elenco de peso, compenetrado e sucinto, “Operação Valkiria” funciona como um entretenimento de ótima qualidade, se no que tenta afirmar provoca dúvidas, é nessa lacuna que pode promover valiosas discussões.

Ygor MF

Ficha Técnica:
Título Original: Valkyrie
Tempo de Duração: 121 minutos
Ano de Lançamento (EUA / Alemanha): 2008
Site Oficial: www.operacaovalquiria.com.br
Direção: Bryan Singer
Roteiro: Christopher McQuarrie e Nathan Alexander

Elenco:
Tom Cruise
(Coronel Claus von Stauffenberg)
Kenneth Branagh
(General Henning von Treschkow)
Bill Nighy
(General Friedrich Olbricht)
Tom Wilkinson
(General Friedrich Fromm)
Carice von Houten (Nina von Stauffenberg)
Thomas Kretschmann (Major Otto Ernst Remer)
Terence Stamp
(Ludwig Beck)
Eddie Izzard (General Erich Fellgiebel)
Kevin McNally (Dr. Carl Goerdeler)
Christian Berkel (Coronel Mertz von Quirnheim)
Jamie Parker (Tenente Werner von Haeften)
David Bamber (Adolf Hitler)
Tom Hollander (Coronel Heinz Brandt)
David Schofield (Erwin von Witzleben)
Halina Reijn (Margarethe von Oven)
Werner Daehn (Major Ernst John von Freyend)
Harvey Friedman (Joseph Goebbels)
Matthias Schweighöfer (Tenente Herber)
Ian McNeice (General)
Danny Webb (Capitão Haans)