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Houve um tempo que desenhos eram somente para crianças, histórias ingênuas, personagens caricatos e músicas… Muitas músicas entre uma cena e outra. Mais tarde os produtores perceberam que ao fazer uma animação para toda a família, diminuindo cenas intermináveis de canções e com personagens mais complexos e divertidos, o sucesso seriam bem maior arrastando para os cinemas não só as criancinhas, mas os pais delas, irmãos mais velhos e até mesmo cinéfilos de carterinha que aguardam ansiosos tanto pelo novo filme de Almodovar quanto pela próximo lançamento da Pixar.

Assim, neste cenário o longa de animação “A Pequena Loja de Suicídios” mistura todas essas tendências sem abrir mão de longas canções caminhando no viés de tudo para ser um filme familiar mesmo tratando de um tema tão difícil.

Dirigido pelo francês Patrice Leconte numa co-produção de Bélgica, Canadá e França, o longa “A Pequena Loja de Suicídios” conta a história de uma cidade onde todos os moradores vivem como moribundos, tristes, sempre pensando na morte e principalmente no suicídio tendo esse como a única solução para suas vidas. Entre prédios, casas, ruas e comércios, uma pequena loja é a principal atração para esses infelizes. Trata-se de uma pequena loja especializada em artigos para o suicídio, ali todo tipo de produto para essa finalidade é encontrado. Cordas, armas, facas, venenos e muitos outros produtos. Administrada pelos Tuvache, prestam um serviço especializado e profissional com o lema: Morte ou reebolso. Mishima, o patriarca, é o principal responsável pela loja, ajudado pela mulher Lucrèce e os dois filhos mais novos – também obcecados pela morte – Marilyn e Vicent.


Tudo parece tranquilo, sob controle. Os clientes jamais voltam para reclamar dos serviços prestados pelos Tuvache e, como um total paradoxo à rotina da família, a vida segue. Lucrèce está grávida e dá a luz ao pequeno e sorridente Alain. É quando toda a confusão tem início. Alain sorri, canta, brinca, elogia e agrada seus familiares, para o espanto e desespero de seus pais, totalmente avessos a esse comportamento. Inconformado com o meio em que vive o garoto junto de amigos traça um grandioso plano para mudar toda a rotina de sua família e de todos daquela triste cidade.

A Pequena Loja de Suicídios trata de um tema bastante difícil e não o esconde em momento algum, no entanto, a habilidade de seus criadores o torna um longa divertido, agradável e porque não dizer inspirador. Os traços dos personagens e cenários são pesados e belíssimos, assim como as cores e todo o clima que cerca cada cena. O roteiro conta com diálogos inteligentíssimos e engraçados assim como as belas canções que compõe o longa. Sim, essa parece ser a principal característica da animação. Aqui as canções não são aquele momento em que queremos pular para a próxima cena, ao contrário, é o respiro e o que desperta, renova a atenção para a história e parece quase impossível não entrar no embalo, que mesmo em francês possuí um ritmo contagiante.

Assim num constante paradoxo o pequeno Alain segue sua missão de mudar para melhor a vida de seus parentes, mostrando-lhes o lado bom da vida, sendo que isso pode também representar a falência dos negócios da família. Ainda neste sentido, o diretor acerta em cheio na dose de criatividade, diversão e inteligência com que dirige a história. De forma até despretensiosa, ele detecta um problema crônico dos grandes centros urbanos e da mesma forma aponta para uma solução, cantando… C’est la vie.


Originalmente publicado no O Cinemista

Continuando a divulgar e resgatar os textos do O Cinemista, coluna cinecult onde escrevi até o ano passado. Dessa vez crítica do longa de animação Valsa com Bashir.

Durante as primeiras cenas de Valsa com Bashir, animação israelense que concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro, é impossível, ou ao menos de grande dificuldade, não permanecer impressionado e perplexo com as deslumbrantes imagens do longa. Uma mistura de desenhos 2D com traços grossos e tremidos, junto a movimentos em 3D, que chegam a assustar tamanho o realismo alcançado.


Passados essas primeira impressões, que ao longo do filme voltaram a deslumbrar os olhos do público, Valsa com Bashir mostra a tentativa angustiada de Ari Folman (Diretor e roteirista do filme, também soldado das forças de Israel) de reconstruir sua memória sobre o tempo da guerra civil Libanesa e do massacre de Sabra e Shatila. Tal viagem de reconstrução terá inicio quando Folman ouve o relato de um amigo sobre os pesadelos que o perseguem desde o tempo do exército, intrigado com a sua falta de lembranças daqueles tempos, o diretor, roteirista e personagem do filme dá inicio a busca por suas memórias perdidas.

Nesse caminho o longa ganha um “ar” documental que intercala os dramas das pessoas envolvidas na guerra chegando a momentos de pura vertigem, onde realidade e alucinações mal podem ser distinguidas. Como não poderia ser diferente de uma história sobre guerra e mais, sobre os conflitos do oriente médio, Valsa com Bashir toca sim em questões políticas, mostra os absurdo cometidos e deixa claro sua critica, no entanto, sem deixar-se levar por uma postura panfletária, sendo mais pacifista do que partidário.






Com direção de Afonso Serpa e texto de Michel Falcão, incrivel animação baseada em "Morte e Vida Severina", de João Cabral de Melo Neto. Vale a pena assistir!!!



Alex Grigg é um animador, designer e diretor Australiano que vem se destacando com seus incríveis curtas animados. Recentemente seu trabalho foi incluído para participar do Festival de Sundance de 2014.
Pode-se notar com clareza o seu trabalho moderno e autoral, poético e acessível. Em sua página muitos de seus trabalhos podem ser vistos. Abaixo Phantom Limb


Versátil, Alex transita com a mesma facilidade, e o mesmo cunho autoral tanto no 3D quanto nas animações 2D. se nesses veículos seus traços se mostram diferentes, seu mundo imagético e de rica poesia manten-se presente.  


A Pequena Loja de Suicídios, longa de animação numa co-produção de França, Bélgica e Canadá. Vejam o trailer e leiam a crítica escrita por mim no parceiro O Cinemista


Gifs animadas, de um efeito pra lá de ultrapassado esse casal faz algo novo, diferenciado.
Por Jamie Beck e Kevin Burg.

Clique na imagem para ver a animação em gif

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Coraline

Com direção e roteiro de Henry Selick, diretor de “O Estranho Mundo de Jack”, o longa “Coraline” adaptado do romance de Neil Gaiman encontra na linguagem cinematográfica, espaço e profundidade que acompanha o rico universo do escritor.

Entediada em sua nova casa, Caroline Jones (Dakota Fanning) busca algo que a entretenha já que seus pais sempre ocupados com o trabalho lhe permanecem distantes e afetivamente ausentes. Em uma de suas buscas por diversão conhece o excêntrico garoto Wybie Lovat, personagem criado exclusivamente para o filme, mas que terá grande importância para história. Apesar de sua estranha aparência Wybie possui a melhor das intenções, ser amigo, pensando nisso presenteia Coraline com um estranho souvenir, uma boneca de pano com a mesma aparência física da menina.

Certa noite enquanto dorme ao lado de sua miniatura, Coraline desperta de repente, percorrendo sua casa com a qual não está totalmente habituada, encontra uma pequena porta que lhe abrirá caminho para um outro mundo, uma realidade paralela a sua, porém, um lugar onde todas as cores são mais vivas, seus pais extremamente atenciosos e felizes. Mas nem tudo são flores, o que num primeiro momento pode lhe parecer a realização de seus desejos, na verdade esconde segredos e perigos cuja a garota jamais poderia imaginar.

Essa é a história de “Coraline e o Mundo Secreto” longa de animação criado em stop-motion acrescido de diversos efeitos especiais. A riqueza dos detalhes parece não ter limites, personagens, cenários e figurino, pensados e construídos com extremo cuidado. A concepção artística de Coraline teve como inspiração as ilustrações do japonês Tadahiro Uesugi, os traços e as cores usadas pelo artista foram influências bastante presentes nos estudos e no material final.

A evolução da história foi acompanhada de perto e aprovada por Neil Gaiman, desde a inclusão de um personagem novo até as pequenas mudanças pelas quais uma adaptação precisa passar. Nesse ponto vale a ressalva que se tratando de adaptações cinematográficas, cabe ao grande público se desarmar de grandes expectativas para ver na tela todas as palavras representadas. Tal lembrete pode se estender a todas as adaptações literárias para o cinema, já que, são veículos e formas diferentes de contar uma mesma história, aja vista que nem tamanha tecnologia disponível pode transportar o universo literário que utiliza entre outras coisas da subjetividade de cada leitor, para o universo cinematográfico. Se muito embora ambos possam convergir em vários momentos, é pelas diferenças e limites de cada um que precisam ser ADAPTADOS...

Com a voz de Dakota Fanning no papel principal, Coraline surpreende e deslumbra pela perfeita união entre conteúdo e execução. São 101 minutos de imagens instigantes e de rara beleza, um frescor e um imã para os olhos, ainda que estes sejam de botões...

Ygor MF

Ficha Técnica:

Título Original: Coraline

Tempo de Duração: 101 minutos

Ano de Lançamento (EUA): 2009

Site Oficial: http://www.coralineofilme.com.br/

Estúdio: Laika Entertainment / Pandemonium

Direção: Henry Selick

Roteiro: Henry Selick, baseado em livro de Neil Gaiman

Efeitos Especiais: Gentle Giant Studios

Elenco:

(Vozes)Dakota Fanning (Coraline Jones)

Teri Hatcher (Mãe / Outra Mãe)

Jennifer Saunders (Srta. Spink)

Dawn French (Srta. Forcible)

Keith David (Gato)

John Hodgman (Pai / Outro Pai)

Robert Bailey Jr. (Wybie Lovat)

Ian McShane (Sr. Bobinsky)

Carolyn Crawford (Avó de Wybie)