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Aviel desistiu de buscar o “poema perfeito”, com os dias contados pela doença, interrompeu de vez sua carreira literária. Sem tempo para novos estudos, sem força para dezenas de escritas e reescritas, sem paciência para o ócio criativo que de vez em quando visitava retornando com certa clareza e folego para seus projetos. Porém, como ultimo ato, ao lado de outros sobreviventes de Auschwitz deixaria sua ode àquele mundo que o cercava…

Enquanto brindavam com seus licores de romã, Aviel e seus companheiros tentavam imaginar o percurso das águas de Munique, Nuremberg, Hamburgo e Frankfurtm, não mais inodoras, insípidas e incolores…
Nas canecas, nos cantis dos soldados, nos bebedouros das varandas deixados para os pássaros. O veneno desenvolvido pelo bioquímico Menashe, circulava por quase todo o território alemão.
E para Aviel essa água tinha absoluto sabor de vingança…

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Texto escrito para o site Ninho de Escritores, exercício número 12

Escreva um texto inteiro sobre uma mordida ou um gole!


Mini conto publicado originalmente no Ninho de Escritores, comunidade online com diversos exercicios para praticar a escrita, ler e ser lido trocando impressões e críticas construtivas...
Lá o título do conto era "Proibido trafegar no acostamento", optei por simplificar mais por aqui...

No acostamento -


Não aguentava mais deixar o braço reto, daquela maneira bem esticado invadindo parte da estrada. A pilha do walk-man acabou. Teve preguiça de tirar os fones que àquela altura eram apenas ornamentais. Apoiou o cotovelo na barriga e deixou apenas o antebraço como apoio sustentando a mensagem que o dedo enriste comunicava.

Não percebeu se o pôr do sol foi bonito ou nublado. A noite se instalou triste e deserta. Alguns ônibus indicavam em seus letreiros lugares que ele gostaria de conhecer, mas os motoristas não aceitavam o acordo que sua mão propunha. Um carro parou pra pedir informação e foi embora, outro passou em alta velocidade enquanto as pessoas lá dentro o xingavam de tudo quanto era nome. Um terceiro estacionou e ligou o pisca-alerta, quando ele se aproximou viu o carro ir embora e conseguiu ouvir outros xingamentos…

Nem hotéis ou pousadas por perto, nem pontes para se proteger abaixo delas ou encerrar algum problema acima. A estrada livre e interminável lhe convidava para um caminhar sem fim e sem futuro, ao redor o vazio da vegetação seca não lhe oferecia abrigo. Permanecia preso sem muros ou grades.

Durante a noite o volume de carros, ônibus e caminhões diminuiu drasticamente, assim como o número de xingamentos e falsas caronas. O sol não demorou a aparecer, veio violento contra o asfalto e a mata quase morta.

Mas o homem permaneceu inabalável diante de tudo, carros, caminhões, astros e xingamentos. Obstinado com o polegar em sinal positivo, paciente como Buda aguardando pelo momento em que finalmente poderia usar todas as facas, lâminas e outros objetos cortantes que carregava na mala de falso viajante… Tinha verdadeira fé que alguém em algum momento aceitaria participar de sua jornada…


Terminou todas as tarefas do período da manha e tarde. Poderia adiantar os serviços noturnos e da madrugada. Talvez os trabalhos dos outros dias e da semana inteira também poderiam ser liquidados. No entanto, fez outra escolha. Aproveitou que estava sozinho na casa, ativou seus sensores de presença num raio de 100 metros, conectou-se com as câmeras da casa e invadiu os sistemas de segurança de toda a vizinhança, casas, comércio e ruas. Tudo monitorado, se os patrões voltassem antes do tempo previsto, não seria surpreendido.

Tomou posição na cadeira, com os dedos ultra-rápidos digitou a senha do computador memorizada em seu banco de dados. Abriu o navegador e digitou o endereço do site. Em outros tempos seria muito mais simples abrir um livro e com a sua leitura dinâmica, os olhos como radares, percorrer centenas de páginas em minutos... Mas não existiam livros naquela casa, os livros eram raros em quase todos os lugares. Sabia porém, que alguns sites antiquados e démodés ainda mantinham alguma literatura viva, escondidas numa "prateleira" bem ao fundo da loja, num lugar deserto e inabitado que ninguém mais se interessava.
Mas ele tinha interesse, embora não pudesse expor esse capricho aos patrões ou ao outros funcionários como ele. 

Digitou seu login e senha

X501PHIL - (PHIL para os íntimos)
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Tudo certo até ali, o espaço o acesso, a privacidade e tranquilidade para o seu momento de leitura tão aguardado. Contudo, sua integridade e honestidade intrínseca em cada um de seus parafusos, e as leis básicas da robótica o impediriam de ultrapassar aquele último estágio.

PROVE QUE VOCÊ NÃO É UM ROBÔ (    )
Exigia o site antes de ceder o acesso.
Triste, desistiu e voltou aos trabalhos noturnos ao redor da casa, manter a limpeza, temperatura, vigília dos arredores do quintal, manutenção da rede e retirar o lixo...

Voltou a sua vida, roboticamente...

Quarto desafio do Coletivo Monolito  , dessa vez a história deveria ter um churrasco de rena e ser contada por uma criança ou ter uma criança no mesmo ambiente. Essa foi minha colaboração no blog poderá ver o texto de outros autores do coletivo. Coletivo Monolito

Iktsuarpok*


A aldeia de Nujalik avançara cerca de 3 dias a sua frente. Iam cada vez mais ao norte, tentando manter-se a uma distância segura da influência dos homens brancos, que cada vez mais modificavam a vida e os costumes do povo Inuíte. Baleeiros e pescadores que chegavam nas regiões árticas do Canadá, em troca de peles de animais ofereciam farinha e pólvora, contudo, o xamã Yuk não sentia-se tranquilo com aquela presença, mesmo através de acordos e negociações, Yuk enxergava ainda alguma ameaça por trás de costumes tão estranhos daquele povo de pele branca e grandes olhos. Armas de fogo, crucifixos e construções grandiosas as quais davam o nome de igrejas assustavam o xamã.

Deixada para trás, Nujalik estava agora entre dois mundos, com pouco mais de 10 anos deveria fazer jus ao seu nome em homenagem a deusa da caça terrestre. Somente dessa forma poderia sobreviver naquele limbo de frio e solidão. Era pequena demais seguir os passos de seu povo, por outro lado morria de medo das histórias que contavam sobre o povo das cidades que cada vez mais cresciam no horizonte do ártico. Diziam que aqueles homens colocavam fogo em pessoas que eram diferentes deles e Nujalik, sabia, era bem diferente de todas aquelas pessoas.

Protegida com uma grossa camada de roupa feita com pele de foca e revestida com pelagem de urso, Nujalik não sofria tanto com o frio de -40 graus, mas sentia fome e o corpo precisava de alimento para continuar produzindo calor.

Enquanto improvisava um abrigo cavando a neve buscando partes mais próximas da terra, olhava para as marcas deixadas pela sua família. Cães, trenós e passos de seu povo que já se apagavam abaixo da neve que voltava a cair. Agora mais nada indicava o caminho, apenas a escuridão branca indicava dois caminhos opostos, impossíveis de serem seguidos.

A escuridão permanecia cercando Nujalik, de tempos em tempos o silêncio era interrompido pelo barulho do vento soprando rasteiro, movimentando árvores velhas e secas. Pequenos animais se movimentavam próximo a ela, curiosos e com medo, cascos de manadas de Caribus passavam a certa distância fazendo tremer o solo. Não muito mais distante do que isso o uivo da matilha de lobos anunciava que aquela região não seria segura para mais ninguém.

Nujalik foi mais ao fundo de sua toca, agarrou a pequena lança feita com ossos de animais e concentrou-se em escutar tudo o que acontecia, tudo o que se aproximava dela. Não pretendia por nada sair daquele lugar, qualquer barulho reafirmaria essa certeza e necessidade de segurança.

De repente o silêncio tomou conta de tudo lá fora, permanecendo assim por mais alguns instantes. Diante disso era impossível ficar ali parada sem saber o que acontecia lá fora. Vagarosamente Nujalik foi se movimentando, num pacto com o silêncio que rodeava aquelas terras, sabendo que qualquer movimento, qualquer som que ela emitisse ou provocasse, seria como o urro de um grande urso devido a calmaria lá fora.

Colocou a cabeça pra fora da toca, feito um filhote de foca, girou 360 graus com a lança sempre sempre bem segura nas pequenas mãos, prontas para um golpe certeiro e mortal. O vento começou a soprar novamente mas nenhum animal parecia estar por perto, não mais, num raio de 3 quilômetros apenas Nujalik e sua lança.

Um som assustador veio de dentro da toca, grave feito um terremoto, como se o chão fosse ser partido ao meio ou grandes rochas rolassem das montanhas. Mas era apenas o estômago de Nujalik e a fome que lhe enfraquecia e desesperava ao mesmo tempo.

Atenta novamente ao seu redor, novamente no silêncio branco que lhe aprisionava, viu um conjunto de luzes que pareciam flutuar rente ao chão. Luzes douradas, verdes, vermelhas e prateadas. As luzes pareciam trazer dezenas de sininhos presos a elas, sacolejando junto. O chão tremeu novamente, Nujakik reconheceu o som de um grupo de Caribus que vinha junta daquelas luzes, dos sinos e de uma volumosa figura na frente do trenó. Uma longa barba branca, roupa vermelha e a voz grossa controlando os animais:

Heeeia!!!!! Dasher, Dancer, Prancer!!!
Isso mesmo Vixen, Comet, forçaaaaaa!

Por poucos segundos aquela visão fez os olhos e o corpo de Nujalik permanecerem petrificados. Soltou o ar preso nos pulmões quando o trenó, Caribus e aquele gigante vermelho iam se aproximando de seu esconderijo. Segurou firme sua lança e a apoiou no chão lhe servindo de impulso para sair da toca. Arqueou as costas e foi correndo paralelamente ao trenó, escondida entre pequenas árvores. Um dos bichos percebeu a presença de Nujalik, e emitiu um som de alerta avisando aos outros do perigo.

– Heeeia!!!!! Gritou mais uma vez o homem da barba branca.
Enquanto Nujalik arremessou com força sua lança, acertando e atravessando o corpo de um dos bichos atrelado ao trenó.
– Donner!!! Gritou o homem de cima do veículo. Enquanto o bicho dobrava as patas caindo sem vida no chão, todos os outros iam se atropelando e provocando um empilhamento entre bichos, trenó, homem, luzes e sinos, capotando várias vezes sobre a neve branca e os olhos cerrados e destemidos de Nujalik.

Abençoada era aquela noite, a partir dali nem frio e tão pouco fome fariam parte de seus dias…

* Iktsuarpok – Palavra que vem do inuíte (região do ),
Palavra usada para descrever a impaciência proporcionada pela espera de alguém e que te leva a verificar o lado de fora da casa o tempo todo.


Conto publicado no Monolito - Coletivo Literário


Ao Vencedor as Batatas


I

Durante a segunda guerra mundial a batata era um dos poucos alimentos que refugiados ou prisioneiros dos campos de concentração conseguiam comer, as vezes encontrando restos e noutras comprando no mercado negro. Resistente ao frio e até mesmo a situações mínimas de saneamento, esse alimento salvou, ou adiou a morte de muitos. Noutras partes da guerra, quando tropas ficavam sem alimentos, soldados retiravam as batatas do solo e as comiam cruas. Ainda em tempo e contexto de guerra, o caríssimo filósofo Quincas Borba anunciou em seu manifesto o Humanitismo: – Ao vencedor as batatas!

II

Na Grécia durante os anos 20 do século passado entre várias vanguardas e correntes literárias, as batatas também obtiveram certo protagonismo diante de conflitos que resultaram numa morte. O escritor e teórico Meliteu, depois de um duelo com seu rival das ideias Pisandro Amintas, que antes fora seu discípulo. Meliteu defendia que a construção literária é como a massa de uma batata espremida, o que passa do tubérculo para fora do espremedor é a história que deve ser contata, limpa de sujeiras ou partes menores sem importância que ficam presas no objeto. Em contra-partida, Pisandro, passou a pregar que não! A matéria prima da literatura e em especial dos romances, consiste justamente no que sobra da batata presa ao espremedor, aquilo é a obra prima, é a essência, sem o excesso e sem o banal que foi posto para fora. Depois de inúmeras discussões cada vez mais calorosas, certa vez Pisandro mesmo certo de suas convicções sentiu-se vencido e humilhado diante da plateia de estudantes e aspirantes a escritores. Esperou Meliteu deixar o espaço acadêmico da Hellenic Open University, o seguiu em seu trajeto de volta pra casa que fazia a pé todos os dias, e depois de 4 km já na avenida Akti Dimeon onde Meliteu tinha um belíssimo apartamento, um golpe certeiro o pôs desacordado, em seguida o afogou a beira do mar jônico.

III

Durante aquela sexta feira onde mais uma noite de hot-dog iria acontecer, o escritor João Catapulta olhava para os ingredientes dispostos na mesa, salsicha fervida, molho de tomate, maionese, ketchup picante e mostarda. Batata palha e batata cozida quase no ponto de virar purê. Até esse momento de sua vida tinham sido escritos 3 livros de contos publicados de forma independente, tiragem cômica de 50, 30 e 20 exemplares que em sua maioria foram dados a parentes e amigos que por sua vez os repassaram a sebos ou prateleiras antigas cheia de papéis ou outros livros que como aqueles que João escreveu, jamais seriam lidos.

Não exatamente em segredo mas sem nenhum comentário ou pedido de leitura ele terminara o seu terceiro romance naquela noite. Durante os anos em que esteve em silêncio juntos desses projetos, estava convencido de seu papel como escritor que como tal não necessita ser lido, afinal de contas, escritores escrevem e ponto final. Antes do terceiro cachorro quente daquela noite irrompeu o silêncio e reforçou sua aparente paz e certeza com um mantra: Escreva… Escreva apenas e não se preocupe…

IV

Mas tal convicção era frágil e mentirosa, terminou por pensar que, se os seus textos não despertavam atenção de exatamente ninguém, algum fato novo ao redor deles o faria. Talvez um crime ou um ato terrorista fosse o prenúncio do sucesso comercial que as editoras aproveitariam muito bem. PRÉ-VENDA DO LIVRO “CONFISSÕES DE UM ESCRITOR TERRORISTA” anunciaria o banner nas redes sociais e vitrines das grandes livrarias.

Não que fosse um santo, pois em certos momentos tinha vontade de construir bombas (quem não tem), mas não seria por esse ato que João queria ser lembrado ou mesmo lido. Talvez algo mais poético como um sacrifício, mas o que? Pensava… enquanto sem perceber partia para o quarto cachorro quinto, decretando ali num novo recorde pessoal… Se seus textos não eram dignos de leitura, talvez a dificuldade, os obstáculos físicos para escrever qualquer texto por pior que fosse, dignificassem sua literatura. E a essa altura tanto fazia, pena, misericórdia, ou até mesmo uma leitura por piedade… O importante era ser lido…

V

Quase num salto da cadeira pegou o espremedor de batatas largado na pia entre outras louças sujas, apoiou dois dedos formando uma ponte sobre o vão onde normalmente se colocam as batatas. Pressionou com toda força a parte de cima do objeto contra os dedos. Apesar da dor não teve nenhum sucesso, tirou um dedo e aplicou a mesma força que antes, CLACK! Partiu ao meio o dedo indicador, na sequência ergueu o dedo médio que mais fino foi rapidamente quebrado enquanto era pressionado pelo espremedor de batatas. O anular foi mais fácil ainda, espremeu o dedo no aparelho até o fim, sentiu uma pequena fratura na ponta do dedo, ergueu a haste do espremedor e mais dois golpes, no segundo movimento conseguiu quebrar o osso do metacarpo e parte do osso hamato. Foi o que descobriu mais tarde no hospital.

VI

Recusou-se a fazer fisioterapia, ou quando compareceu as sessões sabotava cada movimento. Já não sentia mais dores e contemplava sua obra prima, separou a radiografia pois aquela seria a imagem da capa de seu livro, sem nome, apenas a imagem do raio-x dos ossos da mão estilhaçados. Talvez usar acetato na impressão de uma luva para o livro, pensava graficamente em seu projeto literário.

Destro com a mão e canhoto no pé, sabia-se um erro desde sempre, agora teria que consertar isso e todos os anos de isolamento de suas palavras numa ilha deserta, nada paradisíaca e no geral nem um pouco interessante.

A mão esquerda que antes se resumia ao uso do dedo indicador, agora precisaria deslizar sobre o teclado enquanto na mão direita tinha apenas o dedão e o dedo mindinho com movimentos possíveis, com muito esforço conseguiam alcançar e pressionar alguma tecla.

VII

Num ritmo árduo e intenso durante três meses, concluiu o primeiro capítulo. Trabalhava agora 14 a 16 horas diárias sobre o livro. No quinto mês a produção teve um crescimento impressionante, 9 capítulos estavam escritos, mais de cento e oitenta páginas, 70% do livro pronto. No sexto mês tudo estava normal, voltou a escrever com rapidez nas redes sociais, em tablets ou smartphones.

O fim do livro estava próximo, e a distância para esse lugar diminuía cada vez mais rápido. Foi quando se deu conta: Estava escrevendo normalmente, mais rápido do que antes até. Sim, em partes pela disciplina mas principalmente por não existir naquele corpo, naquelas mãos, mais nenhum obstáculo. Os dedos continuavam tortos mas nunca mais teria mérito por transpor aquela dificuldade que nem existia mais, pouco importava quem ou como escrevia aquelas palavras, as atenções agora voltariam exclusivamente para cada frase, construção de diálogos e personagens, trama, foco narrativo, tempo e espaço… Sem maiores desculpas para o vazio que poderia morar por de trás de cada um desses elementos. Escrever para ele deixou de ser uma profissão de fé fazia tempo, agora restava apenas teimosia ou talvez um ego gigantesco que o impelia aquele caminho de ser reconhecido como escritor de um jeito ou de outro.

VIII

De volta as sextas feiras de cachorro quente, depois do sétimo lanche (recorde destruído novamente) CLACK CLOCKT CLECKCOUT… Começou pelo dedo indicador da mão esquerda, e foi em seguida com violência para o dedão que era tão ágil e prestativo naquele sistema de digitação que ele desenvolveu sem querer. Escrever era um sentimento montanhoso que vivia em seu peito, um maremoto, condição e movimento natural de suas mãos. Mas sabia, jamais uma dádiva, e sim uma maldição que a todo custo ele tentaria bloquear, e dessa batalha o que sobrasse produzido por suas mãos seria arte, LITERATURA… LITERATURA… LITERATURA… Gritava enquanto mais uma vez era levado ao pronto socorro.

Em sua terceira publicação o Monolito - Coletivo literário, publica textos com desafios a seus autores.
Formado pelos escritores Caio Salgado, José Mauricio e Ygor Moretti, a proposta do grupo é produzir e publicar um texto por mês, seguindo o desafio proposto pelos autores.

O convite e desafio se estende a todos autres que queiram participar. Além da publicação no blog, os textos são enviados para uma news letter, são postados em redes sociais e formaram a revista mensal, publicada em formato de revista e com a opção de baixar o arquivo.

No terceiro desafio os textos deveriam ser sobre um devaneio, uma situação surreal, mas contada de trás para frente. Leia essa e outras histórias no blog.  Monolito - Coletivo Literário

Link da Revista com o Primeiro desafio

Como surgiu o Monolito coletivo Literário?
"Este blog surgiu de um encontro virtual inesperado entre três escritores em busca de novos desafios de aprendizado e de escrita."

Todos os meses os editores irão propor um tipo de história e inserir um objeto, lugar ou elemento inusitado que deve fazer parte de um conto. Todos os interessados poderão participar e os melhores serão publicados aqui e enviados em nosso boletim mensal.

Se interessou? Mande seus textos com até 2 mil palavras para o e-mail monolitocoletivo@gmail.com. O prazo é dia 15 de todo mês, certo?


Até mesmo na crise e talvez principalmente na crise é que novas e boas oportunidades aparecem, segue aqui alguns trabalhos que realizei para autores independentes. São livros de auto-ajuda que tratam de temas profissionais, financeiros, investientos e negócios.

Dessa forma uma atitude como essa desses autores movimenta a economia, e alguns negócios, sem pensar muito a fundo, esses trabalhos chegaram ao leitor que poderá por sua vez iniciar um novo rumo diante da crise. 

Esses trabalhos alcançam profisisonais liberais como este que vos fala, designers, ilustradores, diagramador, editoras e empresas de venda ou publicação.

Segue alguns trabalhos realizados. Outros trabalhos podem ser visto no site da Capitular Design , em meu portfolio e na página da Capitular no Facebook












O frio que vem pela janela da sala
contrapõe-se com o despertar de misterioso e
imprevisto bem estar.
São os barulhos da janela,
e as contas atrasadas o anúncio da morte caseira,
pronta com temperos da cozinha,
morte que interrompe as conversas de janelas e
a alternância de canais na televisão.
Devo tomar a rua, alcançar as praças,
sentar-me aos bancos. Ouvir o som baixo e
fraco das coisas, apanhar jornais envelhecendo?
O caviar apodrece no refrigerador,
espera por outras ocasiões de consumo,
intransponível...
À luz da garagem acesa, a casa dorme....
Porcelana, louça, dinheiro,
chaves em locais fáceis.
Pintava-se assim com o brilhar dos cristais no armário
a hipocrisia burguesa de um anoitecer em família.
Sem que os burgueses saibam dos burgos,
nem das revoluções,
a enorme televisão ou os vinhos envelhecidos
denotavam a história.



Famoso inicialmente por suas charges no jornal LANCE, com temas voltados principalmente para o mundo do Futebol, Gustavo Duarte já se mostrava diferenciado, não só pelo traço mas também por um fino e poderoso poder de captação dos temas além de uma incrivel capacidade de sintetizar, resumir os assuntos em suas ilustrações.

Monstros lançado pela Cia das Letras em 2012 e Có e Birds também lançado pela Cia em 2014, são os projetos autorais que Gustavo Duarte desenvolveu e continua desenvolvendo. Nesses trabalhos podemos verificar ainda mais toda a sua capacitade como ilustrador e também como um grande contador de histórias. 



Nos dois livros não existem palavras, diálogos ou "balõezinhos", é pela desenho, pelo recorte e pela carga dramática (mesmo sendo tão engraçado) de cada quadrinho que Gustavo costura sua história. Em Monstros, a cidade de Santos é invadida por seres gigantescos que acabarão com toda a cidade, porém essa mudança de rotina afeta o trabalho de Pinô, um simpático senhor dono de um bar. Com a invasão dos monstrengos seus clientes "simplesmente" desapareceram. Pinô apanha sua bolsa e sai pela cidade com um plano para resolver o problema.



Em Có e Birds temos duas histórias, em Có, um fazendeiro tem suas terras invadidas por Ets. Já Birds é a narrativa de dois companheiros de trabalho que recebem uma indigesta visita no escritório, a Morte... Esses dois amigos vale lembrar são dois pássaros.


 Os argumentos de Gustavo são sempre inusitados, recheados de muito humor e alguma crueldade, um grande contador de histórias mesmo se "limitando" apenas aos desenhos podemos sentir a música, a trilha sonora, os sons e vozes dos personagens. O traço do autor possui muitos detalhes mas sempre composto de uma forma bastante limpa e normalmente em duas cores.

Mas não só de literatura e quadrinhos vive o seu trabalho, podemos perceber uma forte influencia do cinema, nos cortes e edições das histórias tornam a experiência de "Ler" Gustavo Duarte ainda mais prazerosa.



Neste link muitos trabalhos do ilustrador podem ser conferidos e aqui, página do autor no site da Cia das Letras

Projeto Gráfico criado pela Capitular Design Tarefas que viram hábitos, veja abaixo o book trailer e leia a entrevista com o autor. 
Exclusiva para o Moviemento!!!


Para Flávio Leônidas, os verdadeiros ingredientes para uma vida completa, são nossos valores humanos. Quando você conhece a si mesmo, pode compreender melhor o seu propósito de vida e identificar com clareza suas limitações.
É fundamental saber quais são seus maus hábitos, de modo que você possa transformá-los qualidades que aproximem você do seu propósito de vida.
Ao longo de sua vida, o autor identificou que muitas pessoas trabalham durante toda sua existência sem saber quais são os caminhos que levam a realização pessoal.
Descobrir quais hábitos mais atrapalham a sua vida é o primeiro passo para o programa Tarefas que Viram Hábitos de Flávio Leônidas.
O segundo é criar pequenas tarefas que aproximem você ao seu propósito de vida, adotando medidas práticas para transformar hábitos negativos em comportamentos positivos capazes de se propagar à todos ao seu redor.


1 - Quem é Flávio Leônidas, nos conte como chegou até esse momento de lançamento de livro?

Bem, vamos lá! Antes mesmo de conhecer sobre todas essas técnicas de aprimoramento humano, eu sempre fui um observador de como temos certos padrões de comportamento. Nos últimos anos tenho estudado sobre o assunto de forma geral, e basicamente apresento algumas ferramentas que qualquer pessoa pode usar.

Em 2015 passei a ter mais tempo para dedicar aos meus estudos, como: coaching e a PNL. Sabia naquele momento que não bastava conhecer, era preciso “por a mão na massa”. Então decidi criar algumas rotinas novas no meu dia-a-dia, pequenas tarefas para me auxiliar na construção de novos hábitos, foi quando percebi que poderia dividir este material com outras pessoas. E tudo começou com uma pergunta simples: o que é mais importante para você? E graças a esta pergunta que fui construindo este livro. Claro que essas páginas sozinhas não podem fazer muito, e é por isso que considero que o trabalho apenas começou. Este livro serve como um programa de auto coaching para quem pretende se conhecer melhor.

Logo início eram textos aleatórios, que com pouco tempo viraram um blog e agora o livro. Nunca havia publicado meus textos antes,  comecei um pouco inseguro, e foi aí que me fiz a pergunta: o que me impede? (risos) E o resultado é este.

2 - Do que fala o livro, nos conte um pouco mais sobre esse projeto?

Valores! Essa seria a definição deste livro em uma única palavra. No nosso dia-adia, é fácil perceber que todo mundo quer tudo ao mesmo tempo, e neste processo o que de fato é fundamental para que possamos ter uma vida plena fica esquecido. Criar pequenas tarefas pode ser uma boa opção para resgatar valores.
A leitura por si só já é uma reflexão, os exercícios proporcionam uma auto avaliação, pois trazem questões reais da minha vida e que se comparam facilmente com a vida de qualquer pessoa. É uma leitura fácil e agradável, faz qualquer pessoa pensar nas perguntas simples que escolhi.
As tarefas têm uma função fundamental, elas proporcionam uma sessão de auto coaching, mas é preciso estar de coração aberto, ser honesto e realista.
Conforme o leitor vai seguindo e se descobrindo, a leitura auxilia na construção da sua declaração de valores, ajudando também na identificação de crenças limitantes entre outras coisas.
No final de tudo qualquer pessoa saberá dizer o que realmente importa, e será fácil compreender a função dos hábitos na nossa realização pessoal.

3 - Que autores ou livros lhe influenciaram para escrever esse livro?

Como disse antes, é um projeto pessoal que surgiu meio que no meu próprio processo de criação de hábitos. Mas vamos lá! Tenho alguns autores que gosto bastante, sei que todos contribuíram de alguma forma para concretização deste projeto e creio que ajudará bastante os leitores:
Andrea Lages e Joseph O’Connor
Anthony Robbins
Daniel Goleman
Elizabeth Kubler Ross
Eckhart Tolle
James C. Hunter
Michael Hall
Stephen Paul Adler
Stephen R. Covey


4 - Você é um estudioso de assuntos como Hipnose e Neurolinguistica, existe uma relação entre esses dois assuntos?
E como se aplicam ao assunto do livro Tarefas que Viram Hábitos?

Bom! Todos podemos ser estudiosos e ao mesmo tempo objetos de estudo dessas áreas. Conheço pessoas que tem uma capacidade incrível de identificar padrões de diálogos intuitivamente, nunca estudaram nada sobre o assunto. Você já deve ter encontrado aquela pessoa que “têm um papo de derrubar avião”. Daí se você têm uma sensibilidade para observar pode estudar.
A hipnose Ericksoniana é muito usada na PNL, Milton Erickson introduziu o conceito da utilização no seu padrão hipnótico, que nada mais é que usar os seus próprios recursos à favor da condução hipnótica. Já a PNL é um conjunto de ferramentas que auxiliam na identificação das raízes dos nossos comportamentos, ou seja, nossas razões, nossos motivos para fazer o que fazemos.
O livro têm exercícios com a finalidade de gerar reflexões, correto? Se você observar as perguntas vão extrair respostas que são únicas, são de cada pessoa (conceito da utilização), as suas interpretações únicas levarão à encontrar respostas nunca pensadas antes (as suas razões) e para terminar, tudo isso está estruturado com a metodologia do coaching que motiva o indivíduo à ação.
Quando você lê é tudo muito simples, mas por detrás de uma única pergunta existe todo um processo que nos obriga a buscar soluções que nem sequer sabíamos que necessitávamos.

5 - A crise e o empreendedorismo caminham juntos certo? Sendo assim qual a importância de manter e controlar e manter certos hábitos?

Olha, quando penso em crise a primeira coisa que me vêm a cabeça é a palavra adaptação e se for pensar numa outra palavra que defina empreendedorismo acho que o termo correto neste contexto seria inovação. Então, adaptar-se e inovar neste cenário requer sim um bom julgamento de quais hábitos não servem mais e quais as novas rotinas devem ser implementadas, seja na nossa vida pessoal ou profissional.
E a minha proposta é mais intima ainda, você faz esse julgamento à partir dos seus valores pessoais, por exemplo: digamos que suas finanças foram severamente afetadas esse ano e não vai dar para passar as férias em Fernando de Noronha, mas se pra você o mais importante é a família, o que pode ser feito de novo com os recursos que você têm para ter momentos inesquecíveis com os filhos e a sua esposa? Tenho certeza que você têm essa resposta, talvez ainda não tenha procurado.

6 - Você mantém um blog, nos fale desse projeto o que você publica escreve por lá?

Então, este blog nada mais é que mais uma das minhas tarefas. Escrevo artigos dos mais variados temas toda semana. Comecei ele em janeiro desse ano, no início eu não tinha ideia do que ia fazer, mas sabia que tinha uma tarefa e então, “mãos à obra!” (risos).
Tudo que está lá fui eu mesmo quem fez, o importante não é a perfeição e sim a realização de algo que me traz bons sentimentos.
Ah! E à propósito, quem tiver sugestões para os artigos, sintam-se à vontade, este blog é para todos, a opinião de cada leitor é muito importante para mim, pois dessa forma poderei saber quais assuntos agradam aos leitores de forma geral.


7 - E como leitor, o que o Flávio Leônidas lê fora do âmbito profissional?

Por um bom tempo fui colecionador de revistas em quadrinho, Marvel, DC e Vertigo. E agora você imagina como me sinto cada vez que sai um filme novo (risos).


8 - O seu livro Tarefas que Viram hábitos, você está publicando de forma independente certo?
Como se dá esse processo o que tem achado do mercado editorial?

Sim, é a minha primeira experiência. Nunca havia pensado em publicar nada antes. Eu não tinha contado nem pra minha família, mandei o texto original pra duas pessoas antes da revisão. Algumas pessoas próximas levaram um susto quando pedi a opinião sobre a capa. Mas a aprovação foi surpreendente! Todo mundo gostou do livro.
No meu caso, que escolhi fazer de forma independente e não conhecia nada deste setor, basicamente escrevi o texto e contratei alguns profissionais terceirizados que assumiram as etapas de registro, revisão, diagramação, ilustração além da assessoria que me deram.
Falando como aspirante no setor, posso dizer que não tive muita dificuldade de concluir meu projeto.

9 - Existem projetos futuros? Pode adiantar algo?

Sim! Comecei a rabiscar um projeto novo sobre recursos interiores. Este projeto deve demorar bem mais tempo para ficar pronto, mas vale a pena esperar.


10 - Por fim, deixe um recado a nossos leitores, e obrigado pela entrevista!

Agradeço a oportunidade, bem! Na vida sempre temos escolhas, e saber o que realmente importa para você, determina suas escolhas. Saber o que importa define o que você acredita, define o que você fala, define o que você sente, define seu caráter.
Saber o que buscar nesta vida é cumprir com o seu propósito, saber compartilhar seu propósito é dar sentido à própria vida. E quando você se sentir afetado por todas as informações que poluem nossas mentes, se pergunte: No final da minha vida, vou me orgulhar de ter escolhido o que eu escolho agora? Vou me orgulhar de estar com quem estou agora? Vou me orgulhar de ser o que sou gora?



Naquela noite teve um desses sonhos que parecem reais, muito reais. 
Em seu sonho permaneceria dormindo pra sempre, neste sonho, nesse lugar, nada acontecia, nem outros sonhos ou pesadelos. Tudo permanecia parado como em algum lugar do espaço onde nem estrelas ou qualquer outra coisa ofuscam a preseça do NADA.
Era perfeito viver nesse vácuo de existência onde as coisas são perfeitas justamente por não existirem. O mais absoluto Nirvana que de tão nada, nem deveria ser citado aqui.
Contudo, o digo porque era um sonho, lamentavelmente ele acordou, coberto da insistência da vida que se faz entre bilhões de coisas inúteis, mas que no entanto, existem, influenciam e lhe obrigam a lembrar que terá pela frente mais uma vez a miséria dos dias... 

Com o fone de ouvido insiro trilha sonora no meu dia.
Os pensamentos são flasbacks e o olhar (qualquer olhar)
é corte de video-clipe.
A música que vem do fone dá aos passos ritmo, 
acerta o caminhar desengonçado 
dá velocidade aos pés em ritmo punk-rock.
O beijo do casal acontece em câmera lenta, qualquer gesto mais longo, acenos e abraços possuem agora, DRAMA.
No entanto, o fone de ouvido insere o vácuo em minha mente, ficam suspensos pensamentos, intactos, guardados, esperando que os apanhe novamente.
Com fone de ouvido permaneço introspectivo por horas, dias, meses... 
Com fone de ouvido sou Fred Aistaire, Gene Kelly.
Desvio de poças e buracos como o improviso de Miles ou Parker. Os pés deslizam no chão, esteiras, trilhos, rolimãs ao invés de pés enquanto ouço Daft Punk, Clash ou Cure porque não? 
Pois no meu fone de ouvido cada som obedece ao meu entendimento, ganha o contexto e a lembrança da primeira vez que escutei cada um daqueles sons... Reverbera diferente por aqui... 
A chuva incomoda menos. Diante dos faróis ou transito de gente... 
Tudo se movimenta.
Nem mais o ruído da cidade ou a lamentação das pessoas interfere, sobrepoe-se a alegria musical que ouço enquanto o mundo ao redor permanece chato e em silêncio.


Era uma vez um barquinho a vela.
Não era movimentado por motores, nem hélices.
Nem correntes ou ancoras podiam pará-lo.

Gostava de depender do vento.
Fazer de Icebergs playground,
de rochedos pequenas ilhas.
Poucos sabiam que o barquinho
já foi barco a vapor.
Truculento, pesado, cinza e barulhento
parecendo se arrastar pelas águas.

Mas aquele barquinho a vela,
queria ser bem menos do que isso.
Pois, sabe que em certas coisas, menos é mais.

De barco a vela queria se transformar em jangada, 
caiaque, standup-paddle.
Qualquer coisa sem amarras, 
até mesmo jacaré sobr eas ondas lhe serve.

Leve... leve como espuma, 
belo como horizontes, livre como pássaros...
O barquinho a vela, quer ser o próprio vento...


EU, S.A. - Construa um exército de um homem só, liberte seu deus interior (do rock) e vença na vida e nos negócios.

Pouca gente sabe ou eu é quem não sabia, mas Gene Simmons um dos fundadores da banda KISS, além de roqueiro (Gene é aquele da língua gigante), possui um vasto conhecimento sobre empreendedorismo.

Gene divide seu livro em duas partes, EU e a segunda parte VOCÊ. Na primeira parte conta sua história desde criança, a vida difícil em Israel e os primeiros anos de imigrante nos EUA, terra que seu a Simmons diversas oportunidades, que no entanto ele soube aproveitar.

Outras histórias sobre a formação do KISS e as idéias por trás da banda que é muito mais do que apenas uma banda de Heavy Metal. Além de diversas empreitadas nos mais variados ramos que entre acerto e erros, sucessos e fracassos fizeram de Simmons um grande empreendedor.

Na segunda parte, o autor se dirige siretamente ao leitor, ao empreendedor ou quem pretende entrar no mundo dos negócios. Entre dicas e exemplos as vezes um pouco exagerados, Simmons não guarda nem se priva de nada. Afirma, antes do 30 anos, não se case. Ou em outro momento, determina: Fale inglês e sem sotaque!

Em partes algumas coisas podem parecer exageradas, mas Simmons deixa claro a todo instante, que não se trata de uma conversa entre amigos, nem conselhos amorosos ou auto-ajuda. Mas negócios, e o mundo dos negócios é implacável. O autor bate na tecla da determinação, essa pode ser a palavra chave de seu livro. O ponto alto do livro é o cappitulo onde o autor relata os seus diversos fracassos e de outros homens de sucesso, nomes como Steve Jobs, Ford e outros, que igualmente a ele, eu e você também fracassaram muitas e muitas vezes antes de sucesso, e mesmo depois do "sucesso alcançado, os fracassos nunca, jamais acabaram. Mas é preciso tentar, de novo e de novo...








Uma "homenagem" a São Paulo

Era uma vez uma cidade hostil. Onde uma guerra diária entre pessoas, prédios, ruas, carros e animais, tornavam a felicidade coisa impraticavel naquele lugar.

Continuo com minhas pesquisas em busca da origem do mal. Não estou certo ainda se o povo foi sempre sujo e traiçoeiro. Mesmo depois da execução do filósofo em praça pública, que desfilava profético com o cartaz:

CUIDADO!!! NOS PORTÕES DE AUSCHWITZ  ESTAVA ESCRITO:
"O TRABALHO LIBERTA" 

Depois enforcaram um jovem budista de extrema esquerda que distribuía folhetos com os dizeres:

ACORDE: A RAÇÃO DOS PORCOS SÓ OS MANTÉM VIVOS ATÉ A DATA DO ABATE!
FIQUE ATENTO ÀQUILO PELO QUE VOCÊ É GRATO...

Contudo, as ultimas escavações revelaram uma imensa rede de computadores abaixo do antigo marco zero da cidade. O coração da antiga cidade. O centro nervoso de toda comunicação, monitoramento e controle.

Especialista deram um novo BOOT no sistema, mantendo sua funcionalidade limitada e fora do alcance dos outros computadores. Simularam uma "ilha" para que pudêssemos ver o comportamento daquela inteligência artificial.

Igualmente a todos as I.A do mundo, o sistema de São Paulo também mantinha seus habitantes enclausurados, presos, encaixados como pilhas numa simulação de vida. Através dos pensamentos e sentimentos desses, milhões de watts eram gerados para alimentar às máquinas.

Enquanto outros polos simulavam cidades e vidas perfeitas (ou próximas disso), colhendo uma energia X da sensação de alegria de seus habitantes. A máquina paulista percebeu que do stress, horror, medo e tristeza, poderia gerar muito mais energia de seus habitantes-pilhas. E assim, seu simulacro funcionava num rodizio de desgraças e tristezas que aconteciam de forma ininterrupta e cada vez com mais força. Por consequência os infartos dos habitantes das cabines passaram a ser frequentes, gerando ainda mais energia. Notou-se que o infarto era bom... Mesmo com o fim daquela "pilha" a conta ainda era positiva e assim foram os dias de São Paulo, até seu aniversário de 500 anos quando o grande BOOM aconteceu.

Mapeando as placas, redes, hds e softwares viu-se o seguinte padrão de comportamento do programa SÃO PAULO, com palavras chaves de comando, que se repetiam.

TRANSITO, ASSALTOS, ASSASSINATOS, IMPUNIDADE, CORRUPÇÃO, AGLOMERAÇÃO, ALTAS TEMPERATURAS - SEGUIDAS DE CHUVAS E ENCHENTES, ATRASOS, IMPOSSIBILIDADE DE CUMPRIR COM COMPROMISSOS,  FLANELINHAS, LADRÕES, POLICIAIS LADRÕES, TRABALHADORES LADRÕES, MOTORISTAS LADRÕES, PATRÕES LADRÕES, FUNCIONÁRIOS LADRÕES, VISLUMBRE DE FELICIDADE ALHEIA, SONHOS ALHEIOS, RAROS EXEMPLOS DE FELICIDADE (PORÉM INALCANÇÁVEIS), TRANSITO, MULTAS, IMPOSTOS, RADARES, BURACOS, CHEIRO DE BOSTA, DESEMPREGO, ZERO TEMPO LIVRE, INFLAÇÃO, TRANSITO, TRANSITO, TRANSITO.

Os comandos continuavam e terminavam com a seguinte sequência:

HORROR E FIO DE ESPERANÇA, DOIS A TRÊS DIAS DE PAZ E ALEGRIA... E novamente reiniciava a sequência de TRANSITO, ASSALTOS, ASSASSINATOS...

Muitos estudos a frente, percebemos que nem o infarto nem a desgraça diária eram responsáveis pela maior parte das energias para as máquinas. Mas aquele minuto de esperança desesperada e por consequência a desesperança causavam picos máximos de energia, era esse momento que a MATRIX paulistana se aperfeiçoou.

Para o bem de todos, essa excelência de funcionamento gerou cargas gigantescas que resultou na sua própria ruína. A grande explosão transformou tudo num pasto cinza, vazio e silencioso.

Nos retiramos dos limites da cidade, fechamos os portões, e com a constatação de que algumas formas de vida ainda insistem por ali, autorizamos mais um bombardeio. Precisamos manter o mundo a salvo de você São Paulo...

Há muito tempo que quero ler esse livro, mais do que ler, admito o sentimento consumista e possessivo; a muito tempo quero TER esse livro. 
O projeto gráfico de capa e diagramação são de Rafael Nobre, excelente capista e designer, responsável também pela capa do livro A Festa do Século. Não só pela parte gráfica e o fato de ser um livro objeto, um livro de referências literárias e gráficas. Mas o texto de Sérgio Augusto flui informativo e literal,  saboroso.

Ao longo das páginas, fotos, mapas e gráficos ajudam a compor as histórias e informações. Para quem vai a cidade Luz, ou quem só pode conhece-la através das páginas. Para quem pode repetir cada trajeto, visitar cada lugar, ou mesmo para quem independente do lugar ou do contexto queira saber como se comportavam grandes autores em horas de ócio e festa...

‘’Se você teve a sorte de viver em Paris, quando jovem, sua presença irá acompanhá-lo pelo resto da vida, onde quer que você esteja, porque Paris é uma festa móvel’’, escreveu Ernest Hemingway, em carta a um amigo, em 1950.




Publicado em ebook pela editora Revolução Ebook o livro O Menino Susto e outras histórias de terror para crianças - trata-se de uma seleção de contos de suspense, terror e muita comédia e diversão, pois nas histórias de Ygor Moretti Fiorante, que remetem também a lembranças da infância. Juntamente do Saci-Pererê, Homem do Saco e outras lendas, Monstrinhos e meninos também são amigos...

Assista o Book Trailer do livro:


Compre o seu no site da Editora ou nos principais sites de livros.


Feliz 2016!!!

Pra começar o ano segue dois links de frutos de 2015, duas entrevistas em blogs diferentes. Nessas entrevistas, falo sobre meus livros, o ebook O Menino Susto, e o Livro Do Som ao Impacto, além de novos projetos.

Confira trechos e o link da entrevista na integra:

Entrevista Garimpeira de livros


1 - Qual a sua principal inspiração? De onde você tira e cria seus personagens e enredos?

Não tenho uma inspiração especial, na verdade inspiração é apenas uma fagulha, um estalo. As idéias para os textos surgem como questões ou inquietações. Sempre com uma pergunta, por exemplo: E se um menino gostasse de assustar as pessoas e fosse especialista nisso? Como seria essa história? Ou ainda, e se um homem voltasse a vida de cinco em cinco anos depois de morto? Como seria essa história, como seria a reação das pessoas ao seu redor?

Não me prendo a inspiração de certa forma até ignoro um pouco, mas mantenho a mente aberta para o que acontece ao redor, nos jornais, nas ruas, na vida das pessoas ao redor tudo serve de gancho pra uma história. As vezes nos lugares mais improváveis pode surgir alguma história, por isso ler diferentes tipos de textos, filmes, e até longe das artes, estando atento pode-se achar uma boa história por toda parte.


RV - Qual sua estratégia para conseguir lançá-lo?

YM - Como disse antes, Do Som ao Impacto, publiquei de forma independente depois de tentar muitas editoras. Só depois encontrei a Editora Multifoco. Para o próximo livro, vou tentar as editoras maiores, e em último caso farei outra publicação independente.

RV - Já está escrevendo algum outro?

YM - Sim, continuo escrevendo em meu blog o www.moviemento.blogspot.com e no Cenas de Cinema, além disso estou terminando a edição de um novo livro de contos e rascunhando e fazendo pesquisas para um novo romance, o qual já tenho o roteiro da história, a espinha dorsal construída, falta sentar e escrever.


SIM!
Acreditou que estava imune
às boas ou más notícias.
Mas na verdade não suspeitava
e não suportaria a presença das tragédias
que espreitavam seus caminhos de lascívia.
Com deslisura decretou que nem mesmo
os próximos contentamentos lhe causariam maior euforia.
Presunçosamente julgava-se intangível
por qualquer sentimento.

Micro-Contos escritos a partir das perguntas:

- O que te traz a calma perfeita?
- O que é que você esconde aí?
- Já dormiu em um automóvel?
- Tem algum método favorito?
- Já matou alguém?
- Dói?


A idéia era que as histórias fossem referentes a um mesmo personagem, fica aqui não só o convite da leitura, mas o desafio a quem quiser se aventurar no mundo dos micro-contos, que embora sejam curtos, possuem ou ao menos devem possuir a mesma estrutura de contos maiores, ou seja:

- Personagem
- Tempo
- Espaço

Texto originalmente publicado Contos das Rosas 



Mudança

Não conheceu o mar, nunca sentiu a areia fofa e a unidade de cada grão como minusculas galáxias entre os dedos. Morreu afogado num lago alcalino formado pela explosão de uma pedreira. Não ousava mergulhar do alto como os outros rapazes. Sabia que dependendo da altura e da forma como caísse, a água poderia ser tão dura quanto o concreto.


Praga de mãe

– Eita minino que gosta de água! Dizia a mãe num misto de zanga e funesta tentativa de dar-lhe algum atributo. Sem saber que aquilo era uma sentença continuava: – É sempre o primeiro a entrar e o último a sair da água.


Trabalho infantil

Comprou a passagem com dinheiro dos vários trocos que foi juntando. Super-faturou pães e maços de cigarro que a pedido da mãe ia comprar. Tráfico de influência, paraíso fiscal aos fins de semana quando ia encontrar com a namorada na cidade ao lado.


O trajeto

Dormir durante quase todo o percurso evitava que sofresse ao reencontrar cada quilometro, cada montanha e curva ao longo da viagem. Lugares desguaecidos de qualquer valor simbolico ou mesmo turístico, que apenas o advertiam; Está muito longe ainda.


Revanche

Eu vou dizer que vou joga bola. – Então pai marcamos uma revanche com o Quebra-Tudo lá Campo Limpo sabe?

Só isso já me garante o sábado, quando voltar no domingo, ai explico, ou não explico, apanho e calo a boca. Semana que vem invento outra coisa.


Eu era um covarde cínico

Se tu é macho mesmo vamos lá pular da pedra quero ver só seu bosta!

Não aceitou o desafio dos adversários, nem sentiu-se diminuído por isso. Sabia que a namorada não se importava com essas medições idiotas de força. De qualquer forma, enquanto nadava pelo canto do lago, observava os rivais pulando do alto da pedra. Desejou que calculassem mal o salto e estourassem a cabeça nos rochedos.


Dói?

Caimbrã é foda! Dizia uma das testemunhas. Pensa num alicate pegando no músculo, torcendo, retorcendo e esticando. O coitado não conseguiu nem boiar.